Uma emissora alemã no Canadá durante a II Guerra Mundial

7 01 2018

Adrian M. Peterson

Durante a II Guerra Mundial, as forças armadas alemãs enfrentavam a desvantagem de não ter informações meteorológicas das condições em formação no Atlântico e que atingiam o continente. As forças Aliadas tinham disponíveis informações do Canadá e dos Estados Unidos, assim como da Groenlândia e Islândia, permitindo elaboração de previsão do tempo na Inglaterra com bom nível de precisão.

Em uma tentativa para obter informações meteorológicas do Atlântico, as autoridades alemãs desenvolveram um plano com o objetivo de obtê-las. Assim nasceu um projeto pelo qual instalariam pequenos transmissores de rádio em localidades favoráveis na América do Norte e em ilhas do Atlântico Norte.

Um total de 20 a 30 estações meteorológicas via rádio foram construídas e montadas pela empresa alemã Siemens, baseadas em um projeto desenvolvido pelo Dr. Ernst Ploetze e Edwin Stoebe. Cada uma continha instrumentos de medição, um sistema de telemetria e um transmissor de 150 W fabricado pela empresa Lorenz. Os equipamentos de cada estação eram acondicionados em cilindros metálicos para facilitar o transporte aos locais desejados.

A estação meteorológica clandestina destinada a ser instalada no Canadá foi identificada como WFL26 e operaria em 3940 kHz por um período que, alimentada por baterias, operaria por cerca de seis meses. Ela foi configurada para transmitir a telemetria meteorológica por dois minutos a cada 3 horas.

Em 18 de Setembro de 1943, o submarino alemão U537, comandado pelo capitão Peter Schrewe, deixou a cidade de Kiel em sua primeira patrulha de combate. A bordo estava a estação meteorológica WFL26, a sexta de 21 que foram fabricadas. Também embarcaram dois profissionais da Siemens, o Dr. Kurt Sommermeyer e seu assistente, Walter Hildebrandt.

Na viagem pelo Atlântico, o submarino foi danificado por conta da colisão com um iceberg durante uma tempestade. Por conta dos danos, ele não conseguiu mais submergir e perdeu sua artilharia antiaérea. Mesmo assim continuou sua perigosa e solitária jornada.

Em 22 de Outubro de 1943 ele chegou a costa de Labrador, que na época fazia parte do território britânico de Newfoundland e hoje pertence à província de Newfoundland-Labrador. Dois dias depois o submarino chegou à baía Martin, no extremo norte de Labrador, o mais distante possível de rotas de caçadores Inuit itinerantes.

A estação foi montada e colocada em funcionamento no topo de uma colina a 51 metros de altura e 365 metros distante da costa enquanto o submarino passava por reparos. A maior parte do trabalho foi feito durante o período de escuridão.

A WFL26 recebeu um logotipo com o nome de uma organização inexistente, o Serviço Meteorológico Canadense. Como forma de despistar, algumas embalagens de cigarros americanos foram deixados no local.

Em apenas 28 horas o serviço foi completado, a estação entrou em pleno funcionamento e os reparos no submarino foram completados permitindo o início da viagem de volta. O submarino permaneceu algum tempo sob o mar da região de Labrador para monitorar as transmissões iniciais da WFL26.

No início ela foi captada com bom sinal, embora a primeira transmissão tenha ocorrido com um atraso de três minutos. Dias depois o sinal começou a deteriorar até que passou ao completo silêncio apenas três semanas depois.

Um relatório de monitoramento afirmava haver jamming na mesma frequência. Entretanto, este não era deliberado, pois a transmissão ainda era desconhecida dos Aliados. Isso provavelmente aconteceu pois o canal às vezes era empregado por usuários legítimos que desconheciam sua existência.

Durante o trajeto, em três ocasiões distintas o submarino U537 repeliu e escapou de ataques da Real Força Aérea do Canadá nas águas do Atlântico. O submarino alcançou a costa do território ocupado da França em Lorient no dia 8 de dezembro de 1943, após 70 dias no oceano.

A estação meteorológica ficou abandonada por vários anos e não houve registro de que tenha sido vista até o ano de 1977. O Geólogo Peter Johnson e uma equipe de exploradores localizou o equipamento, mas, pensando se tratar de uma estação canadense simplesmente deixou como estava.

Então um engenheiro aposentado da Siemens, de nome Franz Selinger, iniciou uma pesquisa para escrever a história da divisão de rádio da empresa. Ele encontrou uma referência a WFL26 e entrou em contato com o historiador do Departamento de Defesa do Canadá, W. A. E. Douglas, que organizou um grupo para visitar a região em 1981.

O grupo de exploradores viajou pela baía Martin a bordo de um navio da Guarda Costeira, e Franz Selinger estava entre eles. A estação foi encontrada após 38 anos de sua instalação, embora com diversos danos.

O que restou do equipamento foi recuperado e faz parte do acervo do Museu de Guerra do Canadá, em Ottawa.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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Rádio Espinharas – Patos/PB

5 01 2018

No início da década de 1990 ainda era bastante comum receber das emissoras longas respostas, ainda que datilografadas, como é o caso. Máquinas de escrever hoje são praticamente peças de museu e na maior parte dos casos temos que nos contentar com nada mais que um PPC.





Pop FM – Piracicaba/SP

3 01 2018

A Pop FM é mais uma das emissoras de Piracicaba que apresenta sintonia bastante razoável durante todo o dia, mas neste caso, com sinal um pouco menos intenso que a média, o que vez ou outra pode proporcionar algum DX em seu canal.

A Pop FM foi sintonizada em Sorocaba/SP na frequência de 89,7 MHz conforme áudio abaixo:





Rádio Mundial

1 01 2018

Confirmações de emissoras que tem sua programação dividida entre diversos grupos nem sempre é uma tarefa das mais fáceis, e a Rádio Mundial é um exemplo de tentativa no passado que não rendeu resultado. Desta vez tive sorte de receber uma resposta bastante amável.





Arvores da Califórnia que servem como antenas

5 11 2017

Adrian M. Peterson

A experiência com transmissão e recepção de sinais de rádio usando árvore como antena foi feita durante o ano de 1904. O local desses dois interessantes experimentos ficavam na região de San Francisco, e o experimentador foi George Owen Squier, que tornou-se General George Squier, Oficial Chefe de Comunicações do Exército dos Estados Unidos em seu quartel em Washington.

Isso ocorreu em 1 de Abril, mas imagino que tenha George Squier tenha realmente provado que árvores não podiam apenas servir para suportar sistemas de antena, mas também agir como tais.

As localidades em que tais experimentos aconteceram foram Camp Atascadero, próximo à Santa Barbara, a cerca de 160 km de Los Angeles e Fort Mason, na Baía de San Francisco. Certamente as águas da região auxiliaram nos experimentos.

George Squier descobriu que os melhores resultados para uso de árvores como antenas foram obtidos ao ao fixar um prego à arvore e um fio a ele. A árvore precisava estar viva e preferencialmente cheia de folhas; assim como com um bom fluxo de seiva em seu tronco. Árvores mortas não funcionavam satisfatoriamente.

Durante a I Guerra Mundial, algumas das estações militares de diferentes regiões do país foram instruídas a usar árvores como antenas para transmissão e recepção. Descobriram que sua performance era semelhante a de um fio de comprimento aleatório, com a vantagem de menos estática.

Após a experiência na Califórnia com eucaliptos importados da Austrália, Squire começou uma nova série quinze anos depois, desta vez nos limites de Washington. Com o equipamento instalado em uma cabana e uma árvore como antena ele foi capaz de sintonizar sinais em telegrafia da estação alemã em Nauen, assim como da França e Inglaterra e navios no oceano.

Surpreendentemente foi descoberto que a mesma árvore podia ser usada como antena e aterramento. Um simples fio continuava sendo suficiente. Entretanto, se os fios fossem deixados na terra como contrapeso, o sinal de uma direção em particular era melhorado com o aumento no número de contrapesos na mesma direção.

Melhores resultados eram obtidos se o prego fosse fixado a dois terços da altura da árvore. Prego de cobre funcionava melhor que de ferro, com um máximo de seis a oito para melhora do sinal.

Os sinais recebidos não eram diminuídos se receptores adicionais compartilhassem a mesma árvore. Também foi descoberto que ela podia ser usada com eficiência em ondas longas, médias e curtas.

Os sinais recebidos não eram afetados pela chuva ou outras árvores próximas. Transmissões em fonia e telegrafia podiam se transmitidas ou recebidas com o uso desse sistema.

Experiências adicionais com uso de floresta tropical foram conduzidas pelo exército no Panamá em 1972. A conclusão foi de que elas funcionavam melhor que samambaias ou outros tipos de vegetação rasteira. Também verificou-se que a intensidade do sinal transmitido era melhorado em caso de uso de transformador de impedância entre o coaxial e o ponto de inserção na árvore.

Há que se ressaltar o uso de árvores como antena para recepção durante a Guerra do Vietnã. Embora tenham ocorrido outros experimentos, em muitas ocasiões esta solução foi usada de forma real em diversas oportunidades.

Na época houve um pequeno grupo de radioamadores que fizeram experiências do gênero.

E por falar no uso de árvores em conjunto com o rádio, houve um outro experimento realmente interessante.

Em 2005, Chris Lagadinos, presidente da MagCap, começou a experimentar a possibilidade de usar árvore como fonte natural de energia elétrica. Ele desenvolveu sua teoria com base no fato que as árvores sempre são alvos de raios durante tempestades.

Ele descobriu que um pequeno e irregular fluxo de corrente contínua fluiria por um fio conectado entre uma agulha fixa a uma árvore e uma haste de aterramento. A tensão obtida foi na faixa de 0,75V, que em cascata com determinados circuitos pode ser elevado a 12V/1A. Curiosamente o nível é maior durante o inverno, quando a árvore perde quase toda sua folhagem.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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Rádio Guarujá – Florianópolis/SC

3 11 2017

A Rádio Guarujá foi mais uma das emissoras que fazem parte deste projeto que tive a oportunidade de captar na faixa de 49 metros, embora não tenha chegado a tentar a confirmação. As cartas reproduzidas abaixo são bastante simpáticas.





Ipanema FM – Sorocaba/SP

1 11 2017

A Ipanema FM é uma das emissoras mais antigas em operação na cidade, embora por um longo período tenha feito parte da rede Jovem Pan. Minhas primeiras lembranças dela remontam a adolescência, quando ainda não tinha a menor ideia da existência do maravilhoso hobby do Dexismo. Lembro também que na época minha emissora preferida nessa faixa era a Antena 1 de Campinas/SP, cujo projeto musical não tinha nada a ver com o da rede Antena 1, e era voltado ao pop/rock.

A Ipanema FM foi sintonizada em Sorocaba/SP na frequência de 91,1 MHz conforme áudio abaixo: