A história de uma emissora de ondas médias que foi construída para ser destruída

25 06 2017

Adrian M. Peterson

No meio do século passado os Estados Unidos desenvolveram capacidade nuclear e bombas foram lançadas em território norte americano, Japão e no Pacífico. No início de 1955, uma pequena cidade foi construída perto do município de Mercury, no estado de Nevada, especificamente para uma série de explosões de teste.

Essa pequena cidade artificial foi batizada como Survival Town, e construída especificamente para que pudesse ser destruída com a explosão de uma bomba atômica. Ela tinha dez casas mobiliadas, mercados, linhas de transmissão de energia e postos de combustível.

Além disso, havia uma emissora de rádio instalada em um bunker, com uma janela fechada de frente à área de explosão. A emissora de ondas médias era licenciada pela FCC com o indicativo experimental KO2XDN.

A emissora KO2XDN irradiava 250 watts em 1240 kHz com duas torres; uma estaiada e a outra auto portante. A programação vinha de uma fita sem fim e era simplesmente uma mensagem gravada informando o propósito da emissora, assim como alguns detalhes técnicos. Começou a transmitir em 26 de Abril de 1955 e foi ao ar algumas horas antes do anoitecer que antecedeu a explosão atômica.

A primeira explosão, programada para o dia 29 de Março falhou. O segundo teste do projeto foi bem sucedido e ocorreu dez segundos após o meio dia de 5 de Maio de 1955.

Na hora da explosão, a emissora KO2XDN foi silenciada, a torre auto portante destruída e a estaiada dobrada na parte superior. Outras construções e estruturas também foram danificadas ou destruídas devido a força emitida pela explosão da bomba atômica. Alguns dos equipamentos eletrônicos da emissora foram tirados do lugar.

A emissora foi programada para voltar ao ar três minutos após a explosão, mas continuou em silêncio. Verificações posteriores revelaram que o cabeamento de energia que ia até ela foi rompido com a explosão.

No dia seguinte, quando o cabeamento foi reconectado e os equipamentos eletrônicos colocados novamente no local correto a emissora voltou ao ar para sua transmissão final. Então ela foi desmontada e removida.

E quanto a cartões QSL? Curiosamente, vários Dexistas receberam confirmações dessa curiosa emissora. Cartas com detalhes completos e sobre os eventos associados foram preparadas e enviadas para cada informe recebido. As cartas QSL foram enviadas de Battle Creek, Michigan, e sabe-se que ao menos seis ouvintes tiveram a sorte de receber uma lembrança permanente desse tipo incomum de escuta.

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O fim de mais um retransmissor da Voz da América

17 06 2017

Adrian M. Peterson

Durante o mês de Janeiro, começou a remoção de 500 mastros de antena da propriedade pantanosa do que foi uma das maiores estações marítimas que já existiu. Ela foi ao ar com o famoso e histórico indicativo WOO; seu sinal em ondas curtas era captado em quase todo o planeta; durante os anos da II Guerra Mundial foi um importante retransmissor da programação da Voz da América; e a remoção dos mastros é o estágio final de uma estação de ondas curtas cuja história será sempre lembrada.

Antes de começar esta longa e incrível história, gostaria de agradecer a Ray Robinson, que está servindo na emissora Gospel de ondas curtas KVOH, de Los Angeles. Ray nos alertou sobre o capítulo final da estação marítima de ondas curtas WOO, de Ocean Gate, na costa de Nova New Jersey. E agora vamos a história.

Os 70 anos de serviços oferecidos pela AT&T em Ocean Gate incluem o período experimental de desenvolvimento das ondas curtas, seu crescimento em cobertura a nível mundial e o que alguns veem erradamente como a queda de sua importância.

Em 1929, a AT&T adquiriu uma porção de 175 acres de terra em frente ao mar em Good Luck Point, na foz do rio Tom, em frente a Ilha Long Beach. Esta propriedade na costa do Atlântico, a 120 km de Nova Iorque foi adquirida com o propósito de instalar uma grande estação marítima.

A elevação média da propriedade era de apenas 45 centímetros acima do nível do mar, então foram instalados canos de drenagem em volta do prédio dos transmissores. Os equipamentos instalados originalmente incluíam um transmissor de 15 kW e duas antenas a 22 metros de altura.

O indicativo primário sempre foi WOO, transferido de uma estação menor operada pela AT&T próxima a Deal Beach, também na costa de Nova Jersey.

Seguindo o confuso costume da época, ao longo dos anos indicativos adicionais foram empregados em Ocean Gate para identificação de cada transmissor assim como para cada canal em ondas curtas. Eles eram formados por três letras, em uma série começando com WD e WO, por exemplo, WOA e WOZ, WDI e WDL.

O prédio que abrigava os transmissores tinha três andares e um porão, de onde vinha o aquecimento para o restante da construção. Vários sistemas de antenas foram instalados em locais pantanosos, alguns dos quais eram ilhas de maré baixa.

O andar térreo abrigava geradores e transformadores de grande porte. O piso era coberto com cortiça grossa para amortecer vibrações.

O andar superior abrigava os transmissores e chaveadores de linha da estação receptora distante 32 km e dos sistemas de antena. Ao longo dos anos, novos transmissores foram instalados e os antigos removidos.

A estação WOO da AT&T em Ocean Gate entrou em operação em 1930, com direito à publicidade no jornal local. O propósito inicual da Ocean Gate Radio era de estabelecer contatos com embarcações no Atlântico e para comunicação com estações em terra na Europa e América do Sul.

Embora ela tenha sido construída primariamente para comunicações comerciais, em diversas ocasiões levou ao ar programação destinada a retransmissão em ondas médias na Europa e América Latina. Durante o período da guerra, ela foi usada pelo Escritório de Informação de Guerra, para retransmissão da Voz da Américaà Europa, América do Sul e Pacífico Sul.

Inicialmente, a estação receptora da WOO/Ocean Gate ficava em Forked River, a 16 km de Ocean Gate. Uma nova estação de recepção foi construída em Manahawkin, na costa a 16 km de Forked River e quando ativada, Forked River foi fechada.

Em Maio de 1942, o serviço de quatro horas de duração da VOA para a Austrália e Pacífico Sul foi implementado via Ocean Gate Radio, com os indicativos WOJ e WOK. Durante os dois anos seguintes, um total de dez canais em ondas curtas e indicativos foram ao ar com programação da VOA para recepção direta bem como retransmissão no norte da África e Inglaterra.

O sinal da Ocean Gate Radio era captado na Austrália e Nova Zelândia geralmente com boa qualidade. É provável que essas transmissões fossem feitas com uma potência de 20 kW.

Por exemplo, em várias ocasiões a WOO foi captada em 12840 kHz com retransmissão da VOA em paralelo com a WGEO, de Schenectady, Nova Iorque. Então, a WOO9 foi captada com retransmissão da VOA em 8660 kHz em paralelo com os 35 kW da estação de ondas curtas WNBI da NBC em Bound Brook, também em Nova Jersey.

A programação em outros idiomas foi captada em Espanhol sob o indicativo WOK em 10555 kHz, e em Francês como WOO4 em 8760 kHz. Havia também uma transmissão diária de três horas de notícias em vários idiomas em 9750 kHz com o indicativo WDL.

A revista australiana Radio and Hobbies informou que as últimas transmissões conhecidas da VOA via Ocean Gate Radio ocorreram em Janeiro de 1944.  Na época eram irradiadas sob o indicativo WDI em 5052 kHz.

A WOO permaneceu em uso contínuo por vários anos mais como terminal internacional de chamadas telefônicas de muitos países e embarcações em alto mar. Na década de 1950 foram instaladas vinte e nove antenas rômbicas.

Na época em que a estação foi fechada, contava com transmissores de 10 kW e talvez um de 50 kW. Quando cabos submarinos foram instalados entre a Europa e América do Norte e as comunicações por satélite ficaram disponíveis a Ocean Gate Radio não era mais necessária.

O anúncio do encerramento das operações ocorreu em 28 de Fevereiro de 1999 e, após alguns adiamentos, foi fechada em 9 de Novembro do mesmo ano.

Na atualidade, a propriedade que abrigou a estação é um refúgio de vida selvagem de propriedade do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos e o prédio do transmissor, abandonado, decrépito e vandalizado, é de propriedade do governo municipal. Quando os mastros de madeira que suportaram as antenas rômbicas forem removidos, a propriedade voltará ao seu estado original como um refúgio pantanoso de aves migratórias. A WOO?  Se foi e foi esquecida!

Durante o período em que foi usada como retransmissor da Voz da América, até onde se sabe, nenhum QSL foi emitido. Durante seus últimos vinte e três anos de serviço como estação de comunicações, diversos QSLs foram emitidos em nome da AT&T-Bell Ocean Gate Radio, WOO.

Os cartões QSL da AT&T eram postais de tamanho grande com os logotipos da AT&T e Bell ao lado do endereço. Um deles tinha um mapa mundi com a localização de outras estações da AT&T marcadas. Eles geralmente eram enviados a partir da estação receptora em Manahawkin, Nova Jersey.

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El Salvador em ondas curtas

11 06 2017

Adrian M. Peterson

Um radioamador não identificado de San Salvador, a capital da pequena nação centro americana de El Salvador, foi o primeiro a fazer experiências com rádio em ondas curtas. Ele enviou um informe de suas primeiras atividades à revista radioamadorística QST, que publicou nota na edição de Dezembro de 1922. Nela, dizia ter feito recentemente alguns testes em ondas curtas com transmissor próprio e que planejava fazer outros testes em breve.

Em 1922, a ênfase do rádio estava no uso de alta potência em ondas longas ao invés de baixa potências em ondas curtas, e na época a experimentação em tal faixa era rara. O experimentador de San Salvador identificava a si mesmo como “Sparks”, parecendo indicar que era um operador não licenciado, algo bastante comum em vários países na época.

Muitos ouvintes nos Estados Unidos e Pacífico Sul fizeram relatos frequentes na década de 1930 sobre transmissões em ondas curtas de El Salvador. Ao que parece que um novo aparato foi instalado em San Salvador por volta de 1935, aparentemente em uma estação de comunicações já existente em algum lugar da região da capital.

Menções sobre novas transmissões em ondas curtas desde El Salvador logo começaram a aparecer em revistas de rádio dos Estados Unidos e Austrália, e a primeira referência conhecida (Australasian Radio World, Agosto de 1936) listava a nova estação YSJ que fora captada na Austrália em 13410 kHz. Aparentemente o log foi de uma transmissão de comunicação, e não de um programa regular de entretenimento.

Em 1937, informes de monitoramento em revistas de rádio davam conta que um novo transmissor de 500 watt fora instalado em San Salvador e que ia ao ar em vários horários do dia com a retransmissão da programação em ondas médias da Radio Nacional (YSS – 864 kHz).  A revista australiana Listener In radio dizia que as transmissões em ondas curtas vinham de um novo rádio-país naquela faixa.

Para atender as condições de propagação, três canais e três indicativos foram empregados para a retransmissão de conteúdos de entretenimento e informação: YSD – 7894 kHz, YSH – 9520 kHz, YSM – 11710 kHz. Entretanto, um canal ia ao ar por vez, o que indicava o uso de apenas um transmissor.

Por volta da década de 1950, um novo transmissor de 1 kW foi instalado para o serviço em ondas curtas da Radio Nacional. Dez anos depois, um transmissor de 5 kW passou a ser usado para retransmissões; na década de 1980, a YSS passou a operar com 10 kW. Pouco depois desse aumento de potência o serviço governamental em ondas curtas foi encerrado.

Ao longo dos anos várias foram as emissoras que operaram em ondas curtas em paralelo com as ondas médias em El Salvador, sendo que em seu auge eram 18 na década de 1950s, todas de cunho comercial. A última emissora que transmitiu em ondas curtas em El Salvador foi a Radio Imperial, com 1,5 kW sob o indicativo YSDA há cerca de doze anos atrás.

El Salvador é geograficamente um país pequeno, e as transmissões em ondas curtas não eram realmente necessárias para assegurar cobertura nacional. Com a introdução do FM, tanto as transmissões em ondas curtas e médias passaram a ser substituídas.

Duas grandes estações clandestinas salvadorenhas permaneceram no ar por vários anos, as quais foi garantida licença, sendo que ambas permanecem no ar, embora em FM apenas. Tais estações clandestinas operaram durante o período da trágica guerra civil que assolou o país entre 1981 e 1992.

Em 10 de Janeiro de 1981, a Radio Venceremos fez sua primeira transmissão a partir de uma caverna em uma região montanhosa e isolada do país, embora existam relatos de que tenha ido ao ar anteriormente a partir de Nicarágua. A maior parte da programação da Radio Venceremos era gravada em fitas cassete e transmitida a partir de qualquer transmissor disponível.

A programação diária de uma hora começava às seis da tarde e continha notícias e informações sobre a guerra civil que não estavam disponíveis a partir de nenhum outro meio. Seu conteúdo era ouvido não apenas por ouvintes neste país devastado pelo conflito, mas também por órgãos de imprensa e políticos em outros países.

O transmissor original, identificado como Viking, com um aplificador de 700 watt, levou ao ar as transmissões da Radio Venceremos em um primeiro período. Outros equipamentos eletrônicos foram usados conforme obtidos e, mudanças frequentes eram necessárias para evitar a captura ou destruição. Quando a operação ficou mais profissional, dois transmissores foram empregados, com programação simultânea em canais próximos.

A Radio Venceremos geralmente transmitia de algum local próximo a faixa de 40 metros, e a frequência variava para evitar jamming. Houve situações em que o transmissor de jamming ia ao ar com programação própria imediatamente após a Radio Venceremos deixar de transmitir, na mesma frequência.

Na busca de conter as transmissões da Radio Venceremos, os Estados Unidos estacionou dois navios na costa caribenha da América Central. Eram dois destróieres da classe Spruance e ficaram no Golfo de Fonseca.

As transmissões dos navios “Caron” e “Diego” consistiam inteiramente de jamming. O sinal dos dois navios era ouvido na América do Norte, Europa e Pacífico Sul. Evidentemente não foram emitidas confirmações para tais transmissões.

Após a assinatura dos acordos de paz, a Radio Venceremos recebeu uma licença para operar em FM, e alguns de seus equipamentos foram restaurados e estão em um museu da cidade.

A história de de outra estação clandestina salvadorenha, a Radio Farabundo Marti, é muito semelhante à Radio Venceremos. A Radio Farabundo Marti fez sua primeira transmissão em 22 de Janeiro de 1982; e hoje também tem uma licença para operar em FM desde San Salvador. Apenas alguns poucos QSLs foram emitidos pela Venceremos e Farabundo Marti e eram cartões ou cartas informais. Em seus primeiros anos, a Radio Nacional emitiu cartões QSL para a recepção de seus sinais em ondas curtas.

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Japanese radio station on an Australian island

3 06 2017

Adrian M. Peterson

Durante o período da Guerra no Pacífico, circularam diversos rumores de que militares japoneses desembarcaram em áreas isoladas no norte da Austrália, embora seja evidente de que houveram mais rumores e menos desembarques. Algumas histórias do período do conflito dão conta que aviões japoneses chegaram a pousar em pistas no meio da selva no norte, embora seja de conhecimento sobrevoos na costa da Tasmâniae sobre as cidades de Melbourne e Sydney.

Há um desembarque conhecido de japoneses em uma região isolada da costa oeste próxima à Ilha Browse. Um pesqueiro de 25 toneladas, o “Hiyoshi Maru” levou pessoal do exército e marinha do Timor, escoltada no início de sua jornada por um avião Mitsubishi, um bombardeiro leve tipo 99. Os nomes dos japoneses à bordo do navio foram passados pelo operador de rádio, Kazuo Ito.

Durante a tarde de 19 de Janeiro de 1944, três grupos separados do “Hiyoshi Maru” desembarcaram, foram para o extremo norte da costa oeste e filmaram a região com uma câmera de 8 mm.

É provável que Kazuo Ito não usou o transmissor enquanto estava em águas australianas, embora houvessem rumores de que espiões japoneses comunicavam informações críticas pelo rádio. O professor Hiromi Tanaka, que leciona História da Guerra na Academia Nacional de Defesa em Yokosuka, Japão, informou que espiões japoneses viviam em pequenas ilhas próximas à costa do país. As autoridades australianas não possuem registros de eventos do gênero.

Há uma história bem interessante sobre como um espião japonês usou um transmissor na Austrália durante a Guerra no Pacífico: quando ele coletava as informações desejadas, ia com um bote até uma ilha próxima e sintonizava um transmissor de baixa potência em uma frequência logo abaixo de uma emissora de ondas médias. O espião transmitia as informações em Código Morse, e o heteródino era quase impossível de ouvir no continente, exceto por um monitor astuto com bom receptor.

Essa história podia ser verdadeira e foi bastante aceita, embora possua diversas anomalias. De acordo com relatórios do governo, o ouvinte que descobriu tal transmissão vivia em Sydney e que sua origem seria uma ilha próxima a Newcastle, a uma distância de 120 km ao norte. A recepção de um sinal com potência tão baixa seria quase impossível.

O indicativo da suposta estação em Newcastle foi dado, mas na realidade pertencia a um transmissor de ondas médias localizado em Sydney.

Ele dizia que ia com um bote até uma ilha próxima a Newcastle, mas a ilha mais próxima de tal localidade ficava a 320 km ao norte.

Os proprietários da emissora de Newcastle registraram a emissora em nome de uma organização religiosa, que possui centenas delas no mundo inteiro na atualidade, mas nenhuma na Austrália naquela época. Ela foi culpada sem nenhuma ligação com tais eventos, principalmente porque estava fora do ar no período do conflito e quando o espião informou estar ativo.

Optamos por não identificar a emissora nesta histótia para proteger sua inocência. Entretanto, o nome da pessoa que descobriu tal transmissão é conhecido.

Será que esta história é realmente verdade e o informante se baseou em memórias falhas? Ou seria o caso de desinformação? Provavelmente nunca saberemos.

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Outra estação da BBC foi fechada

27 05 2017

Adrian M. Peterson

Na última edição do Australian DX News foi informado que a BBC fechou a estação retransmissora para o leste asiático em Nakhon Sawan, no norte da Tailândia. Desde então, informações adicionais sobre o fechamento deste importante retransmissor circularam largamente na internet.

De acordo com um comunicado da BBC, o último dia de operação do retransmissor na Tailândia foi o dia 31 de dezembro do ano passado, quando encerrou o arrendamento que não foi renovado. A BBC informou que não foi possível chegar a um acordo com o governo local quanto a programação e que de qualquer forma ela seria fechada por conta de dificuldades financeiras.

Ainda que este encerramento tenha ocorrido há um tempo considerável, tal fato parece ter escapado da atenção dos radioescutas. Neste artigo será apresentado a história da estação retransmissora da BBC no extremo oriente durante o período de quase dez anos de operação em Hong Kong e futuramente será o período em território tailandês.

O planejamento da estação retransmissora em Hong Kong começou na década de 1970. Em 1981, o Diretor de Administação do Sexviço Externo da BBC, Douglas Muggeridge, expressou sua frustração com o abandono do projeto por conta de indisponibilidade de fundos.

Embora fosse do conhecimento que a estação não teria uma vida útil maior que dez anos, houve a decisão por continuar com o projeto em Hong Kong enquanto planejavam a construção de outra em um local indeterminado.

Sua localização foi uma área de floresta em Tsang Tsui, a 120 km noroeste de Hong Kong. Era uma localidade isolada sem transporte público próximo.

Um terreno bastante compacto foi escolhido para a construção do prédio do transmissor e as cinco torres auto portantes. As torres foram arranjadas em sentido leste-oeste e suportavam antenas multi banda com refletores passivos.

Cada antena podia ser ser girada eletronicamente mais ou menos 14o para cobertura do norte da China e Japão. Colinas obstruíam a irradiação no sentido sul, mas de qualquer forma a estação tinha como alvo apenas o norte.

A construção da estação retransmissora em Hong Kong começou em Fevereiro de 1985 a um custo total de $11 milhões. Dois transmissores Marconi de 250 kW, modelo B131, foram instalados e a primeira transmissão de teste ocorreu às 0400 UTC de 6 de Agosto de 1987 em 15280 kHz. A operação em tempo integral começou em 27 de Setembro.

A programação vinha via satélite de Londres à Hong Kong Telecom e via fibra ótica até a estação. A programação era transmitida em três idiomas: Chinês, Japonês e Inglês, com dois programas ao ar simultaneamente.

A estação era computadorizada e sua operação dependia de apenas doze pessoas, sendo que um deles era estrangeiro, um administrador da BBC vindo da Inglaterra. Até mesmo o cachorro que protegia o terreno era considerado um empregado da BBC, pois era alimentado com fundos da emissora.

Na cena política, foi acordado que a colônia britânica de Hong Kong seria devolvida à China em Junho de 1997. Consequentemente a BBC planejou remover, enviar todos os equipamentos usáveis  de navio e demolir o prédio antes da transferência do território aos chineses.

A última transmissão da estação retransmissora da BBC no extremo oriente ocorreu no final de Novembro de 1996. A sua localização parece ser uma área verde visível no Google Maps nas coordenadas 113 55 18 57 L e 22 25 04 02 N.

Diversos cartões QSL foram enviados por ela, geralmente postais de Hong Kong com um carimbo ao lado do texto com os dados confirmatórios. Por algum tempo, um cartão QSL mostrava uma foto do sistema irradiante em Tsang Tsui.

Dois meses depois do fechamento da estação, as torres foram derrubadas e os dois transmissores encaixotados para envio a outro destino, a estação da BBC na Tailândia, que agora também deixou de transmitir. A sua história será retratada em outro artigo em breve.

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Novas modificações para o JRC NRD-525

21 05 2017

John Tow

Meu artigo original sobre a modificação do Japan Radio Company NRD-525 parece ter gerado bastante interesse. Um dos comentários que mais recebi foi sobre o QRM gerado pelo próprio receptor. Este ruído impossibilita o uso de antenas loop próxima ao receptor, assim como atrapalha os usuários de receptores próximos. Já passei por situações em que tive que tirar minha “fábrica de ruídos” para longe de outros colegas em DXpeditions.

Tentei diversos métodos para blindar o circuito do 525. O receptor tem as seguintes fontes de clock: sintetizador de referência (12,8 MHz), processador (4,915 MHz), processador do painel frontal (6 MHz) e clock do relógio (32,768 kHz). Um dos apitos mais fortes ocorre em 1229 kHz (1/4 do clock do processador). A blindagem diminuirá tais sinais. O uso de cabo coaxial com casador para antenas de alta impedância proporciona resultados superiores que pela entrada de alta impedância por causa da captação de ruído.

A maior fonte de ruído é o circuito do inversor de -35V do display fluorescente do painel frontal. Este circuito, localizado na placa do painel frontal, inclui dois transístores de potência e opera a partir da fonte de alimentação de 9V. O desacoplamento da fonte de 9V não ajuda muito, principalmente por conta do filamento do display e opera diretamente do transformador inversor. Dele se original uma onda quadrada de 13 kHz – repleta de harmônicos!

Felizmente consegui eliminar o problema por completo! Remova as tampas superior e inferior. Cuidadosamente remova os dois parafusos superiores que fixam o painel frontal ao chassis. Localize os plugues P-38/J-38 na placa mãe. O cabo tem um fio vermelho que sai do primeiro contado (P-38-1), marcado na placa mãe do lado direito do conector. Corte este fio no meio do seu comprimento para o painel frontal e e emende dois fios aos resultantes. Use espaguete termo retrátil para fazer uma instalação segura. Conecte as outras extremidades dos dois jumpers aos dois contatos não utilizados do lado esquerdo do interruptor do noise blanker. Agora o display pode ser desligado com a chave do noise blanker (posição Wide). O receptor funciona normalmente com o display desligado – você apenas não poderá ver os ajustes dos vários controles. E o ruído se foi!

Já que as tampas estão fora você pode tentar melhorar o aterramento. Tentei pequenas placas de blindagem e até mesmo uma gaiola de Faraday em torno do receptor para reduzir a propagação de sinais internos de clock para fora – ou ao menos para antenas próximas do receptor. A cura mais simples pareceu oferecer a maior isolação. Remova a tinta da parte de dentro da tampa em torno dos orifícios dos parafusos e coloque um pequeno pedaço de cordoalha (você pode usar a blindagem de cabo coaxial) em torno to plástico do painel frontal e as partes metálicas do fundo do painel. Isso aumentará o aterramento das tampas melhorando a blindagem eletrostática.

Essas modificações simples permitiram que usasse antenas loop para ondas médias novamente. Agora posso usar até loops de ferrite em cima do 525 sem problemas de interferência.

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A cena radiofônica na cidade indiana com o maior nome

13 05 2017

Adrian M. Peterson

Na ocasião anterior em que abordamos a radiodifusão em Trivandrum, no sul da Índia, foi apresentada a história de suas emissoras locais em ondas médias e FM. Hoje, o foco será a história de sua estação de ondas curtas, que é captada com frequência em continentes distantes, como a Austrália, América do Norte e Europa.

O nome da cidade, Trivandrum, é uma abreviatura em Inglês de um nome bastante longo em Malayalam, o idioma oficial do estado de Kerala. O idioma Malayalam é da família Dravidiana e derivado to Tamil antigo com uma mistura do antigo Sânscrito.

O idioma Malayalam possui 52 letters, consistindo de 16 vogais e 36 consoantes, que quando combinadas em várias pronúncias produzem um total de 576 caracteres silábicos, totalizando 900 diferentes glifos. De todos os idiomas da Índia é o que tem mais caracteres escritos.

Em 1981, o sistema de escrita do idioma Malayalam foi oficialmente reduzido a 90 caracteres, simplificando a composição e o uso de computadores. O nome da cidade no idioma Malayalam é Thiruvananthapuram, que traduzido significa Cidade do Senhor Eterno.

No início dos anos 1960 houve a primeira tentativa de instalar um transmissor de ondas curtas em conjunto com o do ondas médias já existente em Trivandrum. Entretanto, devido a crescente tensão com a China que provocou um conflito na fronteira dos países durante um mês, ele foi instalado em Kurseong, em West Bengal.

O novo transmissor de 20 kW foi instalado em uma região montanhosa fora de Kurseong e oficialmente inaugurado em 2 de Junho de 1962.  Na época não havia estação de ondas médias na cidade, e a programação era produzida localmente ou retransmitida de Delhi e Calcutá.  Operava em 3355 kHz de manhã e à noite e 6100 kHz durante o dia.

Dois anos depois, a All India Radio anunciou que um transmissor de 250 watt seria instalado em Trivandrum e operaria em 7280 kHz. Tal plano nunca foi implementado.

Vinte anos depois, a All India Radio anunciou que Trivandrum estava sendo considerada para a instalação de um transmissor de ondas curtas, em um projeto a ser implementado durante o planejamento para os cinco anos seguintes. Novamente ficou tudo apenas no campo das ideias.

Em 1992, um transmissor de 50 W fabricado pela Bangalore Electronics Limited modelo HHB144 foi instalado na região costeira de Muttathura, no subúrbio de Trivandrum, a 12 km dos estúdios de ondas médias da All India Radio. O centro transmissor também possui um estúdio de emergência.

O sistema de antenas é facilmente visível pelo Google Earth e as três torres podem ser vistas de perto ao navegar na proximidade da praia, ao sul da estação de tratamento de esgoto que fica perto do píer. As três torres auto portantes ficam em linha reta, em um ângulo de 750 e suportam duas antenas. A área principal de cobertura da AIR Trivandrum em ondas curtas é o norte de Trivandrum e o Sri Lanka.

Transmissões de teste por meio de tons começaram em Outubro de 1992, e dois anos depois, em 6 de Novembro de 1994, a estação passou a operar em caráter regular. Atualmente a AIR Trivandrum vai ao ar de manhã e à noite em 5010 kHz e durante o dia em 7290 kHz. Cartões QSL para escutas dela são emitidos pelo escritório central da AIR em Nova Delhi.

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