O rádio e o eclipse: passado e presente

21 01 2018

Adrian M. Peterson

No dia 21 de Agosto de 2017, um espetacular eclipse total do sol foi visto nos Estados Unidos, em uma linha que foi do Oregon à Carolina do Sul. Ele teve uma largura de 112 km e sua sombra se moveu por esse corredor estreito em velocidade supersônica.

O eclipse total da luz do sol ocorre por conta da interposição da lua entre o sol e a Terra, com início no Pacífico Norte no nascente. Por conta disso, em tal local o sol nasceu em total obscuridade, um evento bastante raro.

O eclipse entrou nos Estados Unidos na costa do Oregon, mais precisamente em Lincoln Beach às 10:15 hora local a uma velocidade de 4820 quilômetros por hora. Seu caminho seguiu uma linha ligeiramente curva por uma hora e 33 minutos. Sairia então do país pela praia isolada de Cape Romain na Carolina do Sul às 14:49 a uma velocidade de 2417 quilômetros por hora, uma redução de velocidade de aproximadamente 50%.

Milhões de pessoas viram este espetacular evento que para muitos foi algo único em suas vidas. Muitos dos que moram e trabalham perto do caminho do eclipse viajaram por seu caminho e muitos de outros países vieram aos Estados Unidos para a ocasião.

Da mesma forma vários entusiastas do rádio estarão em frente aos seus equipamentos durante o eclipse para aproveitar a melhora da propagação durante os dois minutos e meio de total escuridão.

Então, o que acontece com os sinais de rádio durante um eclipse do sol? Em 24 de Janeiro de 1925 houve um evento semelhante em áreas ao norte dos Estados Unidos, e pela primeira vez foi possível efetuar um estudo intenso das condições de propagação em tal situação.

Os sinais de dois transmissores em Schenectady foram monitorados em Nova Iorque por cinco dias seguidos; antes, durante e depois do eclipse de 1925. O horário do monitoramento das duas emissoras foi das 06:30 às 11:00, lembrando que o horário de total escuridão foi às 09:11.

As emissoras foram a WGY, operando com 5 kW em 790 kHz e a 2XI, com provavelmente apenas 1 kW em 4000 kHz. A distância entre os transmissores em Schenectady e Nova Iorque é de aproximadamente 260 km.

Por meio da comparação dos registros de intensidade do sinal durante cinco dias dos transmissores de ondas médias e curtas, os cientistas da RCA e AT&T chegaram às seguintes conclusões:

* O sinal em ondas médias no início do eclipse se comportou da mesma forma que na chegada do por do sol, com um aumento na intensidade. Conforme o eclipse foi passando o comportamento foi semelhante ao do nascer do sol, com uma diminuição na intensidade.

* O sinal em ondas curtas se comportou no início do eclipse com uma diminuição na intensidade e em seu término houve um aumento.

* O desvanecimento em ambas as faixas foi similar ocorrido durante o nascer e por do sol.

Os sinais em ondas longas (24 kHz) a partir da Inglaterra também foram estudados pela RCA nas unidades de Riverhead, em Long Island e Belfast, no Maine. O resultado foi que o um comportamento semelhante às ondas médias, levando em conta que o sinal passou por ambas localidades, América do Norte e Inglaterra.

Houve outro eclipse de interesse para o assunto que ocorreu entre a Europa e a Ásia em 19 de Junho de 1936. Os sinais das seguintes emissoras foram estudados por cientistas japoneses:

JOIK – 830 kHz – 10 kW – Sapporo

Experimental – 3550 kHz – 1 watt – Saruhutu

JKR – 5300 kHz – 1 kW – Otiisi

Como esperado, as observações efetuadas no Japão exibiram o mesmo comportamento normalmente experimentado no nascer e por do sol.

Para os eventos festivos associados com o eclipse de 2017, Thomas Beebe, de Marion, Illinois, obteve uma licença especial para operar por um curto período uma estação de rádio. O indicativo W9E permitiu cinco dias de comunicação sobre fatos relacionados com o evento. Uma reportagem da emissora de TV WSIL, de Carbondale, Illinois, mencionou a estação e sua cobertura sobre o eclipse.

O correio norte americano emitiu um selo especial no início do ano com foco no eclipse. Ele muda de cor de acordo com o calor dos dedos.

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O que acontece com um sinal de rádio durante uma explosão atômica?

13 01 2018

Adrian M. Peterson

É bastante evidente que não existe similaridade entre um eclipse total e uma explosão atômica. O eclipse total proporciona um bonito espetáculo de escuridão, enquanto a explosão atômica traz destruição e devastação.

Entretanto, apesar da grande diferença entre ambos, há um ponto em comum: os dois causam mudanças na atmosfera superior que impactam na propagação de sinais de rádio.

O atol Johnston é um conjunto de quatro ilhas de coral distantes 1385 km a sudoeste do Havaí, com uma área de menos de 2 km². Elas nunca foram povoadas, embora tenham ocorrido ocupações por breves períodos por militares norte americanos.

Durante os anos de 1958 a 1975, os Estados Unidos conduziram diversos testes nucleares a partir de foguetes na atmosfera, em níveis altos e baixos. Monitoramentos de sinais de rádio no Havaí, Japão e Nova Zelândia demonstraram que a propagação na zona da explosão em quase todas as frequências foi bastante reduzida, assim como o ruído atmosférico (QRN). Aparentemente a explosão produziu um efeito de absorção de todas as transmissões de rádio.

Imediatamente após a explosão houve o desaparecimento dos sinais e QRN, com recuperação parcial logo em seguida e, em nível total, às vezes apenas após alguns dias ou mesmo semanas. Um relatório informou que o distúrbio no comportamento de todos os sinais de rádio e ruído atmosférico foi similar ao que ocorre durante grandes explosões solares.

Em Rarotonga, nas Ilhas Cook, um radioescuta relatou o blackout completo de todos os sinais de rádio por cerca de cinco dias, exceto nas faixas do extremo superior do espectro de rádio frequência, e também na porção inferior, mesmo durante o dia. A estação receptora de Quartz Hill em Wellington, Nova Zelândia, relatou uma melhora no sinal da BBC em 25 MHz (11 metros).

Os Estados Unidos instalaram um transmissor de ondas curtas na Ilha Johnston especificamente para os testes nucleares em baixa atmosfera para o ano de 1962. Ele transmitia tons específicos em 12020 kHz similares aos da estação de sinais havaiana WWVH.

No horário da explosão, às 0900 UTC de 9 de Julho de 1962, Quartz Hill captou um clique do referido transmissor seguido por total silêncio. Não há registro de que alguém tenha confirmado essa transmissão única.

Durante o teste nuclear, Quartz Hill também manteve sintonia da emissora 2UE de Sydney em 950 kHz, 1YA de Auckland em 760 kHz, Rádio Austrália via Shepparton em 7190 kHz, VOA via Honolulu em 9650 kHz e WWV desde Boulder, Colorado, em 10000 kHz. Em todos os casos, na hora da explosão o sinal foi ou completamente perdido ou seriamente diminuído. É importante mencionar que na época a WWVH ficava fora do ar por três minutos após a hora cheia.

Um ouvinte de Invercargill, no extremo da Ilha do Sul da Nova Zelândia relatou que a única estação de ondas médias da Ilha do Norte que podia ser captada era a potente 2YA, que com 100 kW operava em 570 kHz. Mesmo assim, seu sinal estava muito abaixo do normal.

Durante os meses de Agosto e Setembro de 1958, os Estados Unidos conduziram uma série de testes nucleares secretos no Atlântico Sul. Eles ocorreram a altitudes extremamente altas, mas mesmo assim os resultados com relação a propagação foram muito similares aos dos ocorridos no Pacífico Sul e Central.

As informações apresentadas neste artigo foram possíveis graças a diversas páginas na internet. Gostaria de agradecer ao Jornal Neozelandês de Geologia e Geofísica por disponibilizar material para pesquisa e ensino sobre este assunto.

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Uma emissora alemã no Canadá durante a II Guerra Mundial

7 01 2018

Adrian M. Peterson

Durante a II Guerra Mundial, as forças armadas alemãs enfrentavam a desvantagem de não ter informações meteorológicas das condições em formação no Atlântico e que atingiam o continente. As forças Aliadas tinham disponíveis informações do Canadá e dos Estados Unidos, assim como da Groenlândia e Islândia, permitindo elaboração de previsão do tempo na Inglaterra com bom nível de precisão.

Em uma tentativa para obter informações meteorológicas do Atlântico, as autoridades alemãs desenvolveram um plano com o objetivo de obtê-las. Assim nasceu um projeto pelo qual instalariam pequenos transmissores de rádio em localidades favoráveis na América do Norte e em ilhas do Atlântico Norte.

Um total de 20 a 30 estações meteorológicas via rádio foram construídas e montadas pela empresa alemã Siemens, baseadas em um projeto desenvolvido pelo Dr. Ernst Ploetze e Edwin Stoebe. Cada uma continha instrumentos de medição, um sistema de telemetria e um transmissor de 150 W fabricado pela empresa Lorenz. Os equipamentos de cada estação eram acondicionados em cilindros metálicos para facilitar o transporte aos locais desejados.

A estação meteorológica clandestina destinada a ser instalada no Canadá foi identificada como WFL26 e operaria em 3940 kHz por um período que, alimentada por baterias, operaria por cerca de seis meses. Ela foi configurada para transmitir a telemetria meteorológica por dois minutos a cada 3 horas.

Em 18 de Setembro de 1943, o submarino alemão U537, comandado pelo capitão Peter Schrewe, deixou a cidade de Kiel em sua primeira patrulha de combate. A bordo estava a estação meteorológica WFL26, a sexta de 21 que foram fabricadas. Também embarcaram dois profissionais da Siemens, o Dr. Kurt Sommermeyer e seu assistente, Walter Hildebrandt.

Na viagem pelo Atlântico, o submarino foi danificado por conta da colisão com um iceberg durante uma tempestade. Por conta dos danos, ele não conseguiu mais submergir e perdeu sua artilharia antiaérea. Mesmo assim continuou sua perigosa e solitária jornada.

Em 22 de Outubro de 1943 ele chegou a costa de Labrador, que na época fazia parte do território britânico de Newfoundland e hoje pertence à província de Newfoundland-Labrador. Dois dias depois o submarino chegou à baía Martin, no extremo norte de Labrador, o mais distante possível de rotas de caçadores Inuit itinerantes.

A estação foi montada e colocada em funcionamento no topo de uma colina a 51 metros de altura e 365 metros distante da costa enquanto o submarino passava por reparos. A maior parte do trabalho foi feito durante o período de escuridão.

A WFL26 recebeu um logotipo com o nome de uma organização inexistente, o Serviço Meteorológico Canadense. Como forma de despistar, algumas embalagens de cigarros americanos foram deixados no local.

Em apenas 28 horas o serviço foi completado, a estação entrou em pleno funcionamento e os reparos no submarino foram completados permitindo o início da viagem de volta. O submarino permaneceu algum tempo sob o mar da região de Labrador para monitorar as transmissões iniciais da WFL26.

No início ela foi captada com bom sinal, embora a primeira transmissão tenha ocorrido com um atraso de três minutos. Dias depois o sinal começou a deteriorar até que passou ao completo silêncio apenas três semanas depois.

Um relatório de monitoramento afirmava haver jamming na mesma frequência. Entretanto, este não era deliberado, pois a transmissão ainda era desconhecida dos Aliados. Isso provavelmente aconteceu pois o canal às vezes era empregado por usuários legítimos que desconheciam sua existência.

Durante o trajeto, em três ocasiões distintas o submarino U537 repeliu e escapou de ataques da Real Força Aérea do Canadá nas águas do Atlântico. O submarino alcançou a costa do território ocupado da França em Lorient no dia 8 de dezembro de 1943, após 70 dias no oceano.

A estação meteorológica ficou abandonada por vários anos e não houve registro de que tenha sido vista até o ano de 1977. O Geólogo Peter Johnson e uma equipe de exploradores localizou o equipamento, mas, pensando se tratar de uma estação canadense simplesmente deixou como estava.

Então um engenheiro aposentado da Siemens, de nome Franz Selinger, iniciou uma pesquisa para escrever a história da divisão de rádio da empresa. Ele encontrou uma referência a WFL26 e entrou em contato com o historiador do Departamento de Defesa do Canadá, W. A. E. Douglas, que organizou um grupo para visitar a região em 1981.

O grupo de exploradores viajou pela baía Martin a bordo de um navio da Guarda Costeira, e Franz Selinger estava entre eles. A estação foi encontrada após 38 anos de sua instalação, embora com diversos danos.

O que restou do equipamento foi recuperado e faz parte do acervo do Museu de Guerra do Canadá, em Ottawa.

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Arvores da Califórnia que servem como antenas

5 11 2017

Adrian M. Peterson

A experiência com transmissão e recepção de sinais de rádio usando árvore como antena foi feita durante o ano de 1904. O local desses dois interessantes experimentos ficavam na região de San Francisco, e o experimentador foi George Owen Squier, que tornou-se General George Squier, Oficial Chefe de Comunicações do Exército dos Estados Unidos em seu quartel em Washington.

Isso ocorreu em 1 de Abril, mas imagino que tenha George Squier tenha realmente provado que árvores não podiam apenas servir para suportar sistemas de antena, mas também agir como tais.

As localidades em que tais experimentos aconteceram foram Camp Atascadero, próximo à Santa Barbara, a cerca de 160 km de Los Angeles e Fort Mason, na Baía de San Francisco. Certamente as águas da região auxiliaram nos experimentos.

George Squier descobriu que os melhores resultados para uso de árvores como antenas foram obtidos ao ao fixar um prego à arvore e um fio a ele. A árvore precisava estar viva e preferencialmente cheia de folhas; assim como com um bom fluxo de seiva em seu tronco. Árvores mortas não funcionavam satisfatoriamente.

Durante a I Guerra Mundial, algumas das estações militares de diferentes regiões do país foram instruídas a usar árvores como antenas para transmissão e recepção. Descobriram que sua performance era semelhante a de um fio de comprimento aleatório, com a vantagem de menos estática.

Após a experiência na Califórnia com eucaliptos importados da Austrália, Squire começou uma nova série quinze anos depois, desta vez nos limites de Washington. Com o equipamento instalado em uma cabana e uma árvore como antena ele foi capaz de sintonizar sinais em telegrafia da estação alemã em Nauen, assim como da França e Inglaterra e navios no oceano.

Surpreendentemente foi descoberto que a mesma árvore podia ser usada como antena e aterramento. Um simples fio continuava sendo suficiente. Entretanto, se os fios fossem deixados na terra como contrapeso, o sinal de uma direção em particular era melhorado com o aumento no número de contrapesos na mesma direção.

Melhores resultados eram obtidos se o prego fosse fixado a dois terços da altura da árvore. Prego de cobre funcionava melhor que de ferro, com um máximo de seis a oito para melhora do sinal.

Os sinais recebidos não eram diminuídos se receptores adicionais compartilhassem a mesma árvore. Também foi descoberto que ela podia ser usada com eficiência em ondas longas, médias e curtas.

Os sinais recebidos não eram afetados pela chuva ou outras árvores próximas. Transmissões em fonia e telegrafia podiam se transmitidas ou recebidas com o uso desse sistema.

Experiências adicionais com uso de floresta tropical foram conduzidas pelo exército no Panamá em 1972. A conclusão foi de que elas funcionavam melhor que samambaias ou outros tipos de vegetação rasteira. Também verificou-se que a intensidade do sinal transmitido era melhorado em caso de uso de transformador de impedância entre o coaxial e o ponto de inserção na árvore.

Há que se ressaltar o uso de árvores como antena para recepção durante a Guerra do Vietnã. Embora tenham ocorrido outros experimentos, em muitas ocasiões esta solução foi usada de forma real em diversas oportunidades.

Na época houve um pequeno grupo de radioamadores que fizeram experiências do gênero.

E por falar no uso de árvores em conjunto com o rádio, houve um outro experimento realmente interessante.

Em 2005, Chris Lagadinos, presidente da MagCap, começou a experimentar a possibilidade de usar árvore como fonte natural de energia elétrica. Ele desenvolveu sua teoria com base no fato que as árvores sempre são alvos de raios durante tempestades.

Ele descobriu que um pequeno e irregular fluxo de corrente contínua fluiria por um fio conectado entre uma agulha fixa a uma árvore e uma haste de aterramento. A tensão obtida foi na faixa de 0,75V, que em cascata com determinados circuitos pode ser elevado a 12V/1A. Curiosamente o nível é maior durante o inverno, quando a árvore perde quase toda sua folhagem.

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Cartões QSL em vermelho, branco e azul

29 10 2017

Adrian M. Peterson

Como é de amplo conhecimento, os Estados Unidos tiveram participação ativa nos eventos da II Guerra Mundial após o ataque devastador à Pearl Harbor, no Havaí na manhã do Domingo, 7 de Dezembro de 1941. Portanto, os conflitos até então separados na Europa e Ásia foram combinados e culminaram no que foi outro em escala mundial.

Como parte do esforço estadounidense, o governo assumiu o controle de todas as emissoras de ondas curtas do país um ano depois, em Novembro de 1942.

Na época, os historiadores do rádio diziam que a Alemanha operava um total de 68 transmissores de ondas curtas, tanto em seu território como em outros países da Europa que estavam sob domínio do Terceiro Reich. O Japão operava 42 transmissores de ondas curtas, tanto no país como em territórios da Ásia que estavam sob o Grande Império Japonês.

Na Inglaterra, durante o início do conflito em Setembro de 1939, a BBC operava apenas 8 transmissores de ondas curtas, todos localizados em Daventry. Entretanto, a emissora implementou um rápido programa de expansão, e quando os Estados Unidos entraram no conflito, no final de 1941, ela contava com um total de 32 transmissores de ondas curtas em seis localidades distintas.

Quando o governo dos Estados Unidos assumiu o controle de todas as estações de radiodifusão de ondas curtas do país, havia apenas doze transmissores de ondas curtas disponíveis. Entretanto, quatro empresas tinham transmissores utilitários de baixa e média potência que poderiam ser usados se necessário.

Na época existiam apenas dois transmissores de radiodifusão no ar a partir da costa oeste dos Estados Unidos; KGEI com 50 kW em Belmont e a nova estação KWID em Islais Creek, ambas no subúrbio de San Francisco, na Califórnia. O governo rapidamente implementou um programa de crescimento em duas etapas, com a construção de novos centros transmissores e o uso de transmissores utilitários que já estavam em operação.

A Voz da América fez sua primeira transmissão em 1 de Fevereiro de 1942 com um programa em Alemão que foi retransmitido pela BBC. A organização que a controlava, o Escritório de Informação de Guerra foi organizado em 13 de junho de 1942 e ocupou um escritório na costa oeste no número 111 da Sutter Street em San Francisco. Ele era o quarto prédio mais alto da cidade e tinha abrigado anteriormente a NBC.

Conforme as transmissões via Califórnia começaram a aumentar, o mesmo ocorreu com o número de informes de ouvintes distantes. No início não haviam cartões QSL, mas quando o influente Arthur Cushen, de Invercargill, Nova Zelândia, escreveu uma carta de explicação ao OWI, foi preparado um cartão genérico que podia ser usado para confirmar todas as estações da costa oeste da VOA.

O desenho do cartão contava com as cores da bandeira. Ao longo do anos, o OWI emitiu uma grande quantidade deles em ao menos quatro séries, além das diferentes identificações.

A primeira série identificava especificamente cada estação. A segunda tinha uma área em branco para o indicativo ser inserido com uma máquina de escrever. A terceira era muito parecida, mas com fonte diferente. Houveram também dois QSLs semelhantes no desenho, mas preparados especificamente para as estações KWID e KWIX.

Geralmente havia apenas um indicativo em cada cartão, embora inicialmente quando dois transmissores eram usados em conjunto, ambos eram listados. Por exemplo, os dois transmissores em Dixon, Califórnia eram usados juntos como KNBA-KNBC e outros dois como KNBI-KNBX. Da mesma forma para a KCBA-KCBF em Delano, também na Califórnia.

Quando as estações utilitárias levaram ao ar programação da VOA o OWI emitiu cartões QSL para confirmá-las também, como KWU e KWV, e também KES2 e KES3, todas de Bolinas. O transmissor de 100 kW da KRHO foi instalado no Havaí e também foram emitidos cartões com o mesmo desenho em vermelho, branco e azul.

No período em que essas emissoras foram ao ar (1942-1945), o conflito foi muito intenso no Pacífico. A entrega de correspondências entre os Estados Unidos e a Austrália e Nova Zelândia era lenta e irregular.

O QSLs eram sujeitos à censura. Um cartão de Maio de 1943 confirmando a estação KWV endereçado à Jack Fox, da Nova Zelândia, tinha um carimbo informando que tinha sido examinada pelo Censor 10177. Um de Junho do mesmo ano confirmando a estação KWY e endereçado à Max Mudie, da Austrália, tinha um carimbo do mesmo Censor 10177.

Ao longo dos anos, milhões de cartões QSL foram vendidos no Ebay, mas até onde se sabe, nenhum do período de guerra. Isso sugere que caso algum apareça à venda certamente atingirá um valor alto.

Em outros artigos abordaremos a história das estações de ondas curtas que foram confirmadas por esses famosos cartões em vermelho, branco e azul.

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O fim da BBC Tailândia

21 10 2017

Adrian M. Peterson

Logo após a BBC começar a trabalhar na construção da estação retransmissora no leste asiático, em uma área de floresta em Hong Kong, ela começou a planejar outro retransmissor em algum local da Ásia. A estação retransmissora da BBC em Tsang Tsui colocou em operação seus dois transmissores de ondas curtas de 250 kW em 27 de Setembro de 1987.

Na época, o planejamento de outra estação de ondas curtas estava em curso e foram consideradas diversas áreas no Reino da Tailândia. Originalmente seria operada em conjunto pela BBC e Rádio Netherland para melhor cobertura do sub-continente indiano. A ABC e Rádio Austrália também demonstraram interesse em construir uma estação retransmissora de ondas curtas no país naquela época.

Em Outubro de 1990, a Rádio Netherland anunciou que estava deixando o projeto devido aos custos de instalação e operação. Inicialmente a BBC estimou que ela teria um custo de construção de 17 milhões e 3,5 milhões para operação, embora a tenha saído por mais qua o dobro de tal estimativa. Provavelmente a Rádio Austrália encontrou a mesma realidade financeira e por isso abandonou o projeto.

Em 1993, a BBC ampliou os planos por conta da necessidade de fechamento e demolição da estação em Hong Kong antes da devolução do território à China. A área de cobertura foi ampliada para todos os países da Ásia e Extremo Oriente. Curiosamente, na mesma época a Rádio Austrália voltou a demonstrar interesse em construir uma estação retransmissora de ondas curtas na Tailândia.

Em 1994, o governo tailandês ofereceu à BBC a escolha de cinco locais, todos verificados antes da decisão final. A escolha foi por um terreno em formado de letra T no centro do país, a 241 km norte de Bangkok. O centro transmissor foi instalado em uma área pantanosa próxima a um pequeno lago a 12 km ao norte da cidade de Nakhon Sawan.

A construção da estação, que contaria com quatro transmissores de 250 kW e treze sistemas de antenas começou em Agosto de 1994. Em 8 de Maio de 1995, uma cerimônia de inauguração foi conduzida no local, com a participação de representantes da BBC e do governo tailandês. Uma multidão das vilas adjacentes também participou do evento.

As transmissões de teste começaram em 1996, seguidas pela transferência gradual da programação da estação da BBC em Hong Kong para a da Tailândia. Na época, dois transmissores franceses Thomcast modelo Model TSW2250 já tinham sido instalados com diversos sistemas de antenas.

Em 18 de Novembro de 1996 a estação na Tailândia assumiu por completo a programação de Hong Kong, embora ela tenha permanecido como reserva nas três semanas seguintes. Após isso, os transmissores de 250 kW Marconi modelo B131 foram removidos e preparados para envio à Tailândia, onde foram instalados e ativados no início de 1997.

Em 29 de outubro de 1997 a estação retransmissora da BBC na Tailândia foi inaugurada oficialmente pelo príncipe Philip, durante uma viagem por vários países asiáticos feitos pela rainha Elizabeth.

Em 2001, um transmissor adicional de 250 kW foi instalado em conjunto com um sistema de antena novo. Ele passou por testes em Outubro, entrando posteriormente em operação regular. Em Abril de 2009 a estação ficou fora do ar por alguns dias por conta de inundações na região.

A última transmissão ocorreu em 31 de Dezembro de 2016, sem maior alarde ou anúncio anterior. Devido falta de acordo entre a BBC e o governo tailandês, a licença não foi renovada e a emissora anunciou o fechamento permanente por conta do alto custo operacional.

Na época do fechamento, a estação era operada sob contrato pela Babcock Media Services e contava com cinco transmissores de ondas curtas de 250 kW, treze antenas e quatro mastros. Fica a pergunta: O que acontecerá com a estação e seus equipamentos? Serão removidos e reinstalados em outro lugar?

Os ouvintes que receberam uma confirmação da estação retransmissora da BBC na Tailândia tem agora um pedaço da história do rádio.

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O rádio na Albânia no período de guerra

1 10 2017

Adrian M. Peterson

Informações recentes dão conta que a Albânia fechou os centros transmissores de ondas curtas e médias do país que ainda estavam em operação no início deste ano. Portanto, todas as emissoras de rádio do país, incluindo mais de uma centena delas, comerciais e governamentais, estão concentradas na faixa de FM. A Rádio Tirana continua no ar em ondas curtas, via retransmissor da WRMI em Okeechobee, Flórida.

Na antiguidade o território em que fica a Albânia foi atravessado e colonizado por tribos oriunda do leste. Durante o Império Romano, foi conquistada e anexada.

De acordo com a história albanesa, 70 famílias cristãs estabeleceram-se cidade costeira de Durres, por meio do ministério de São Paulo, no período do Novo Testamento; duzentos anos depois o território inteiro adotou o Cristianismo. O Islamismo chegou à Albânia quinhentos anos depois.

Politicamente falando, o Reino da Albânia foi estabelecido no ano 1272 e duzentos anos depois o Império Otomano passou a controlar o país. Em 1912, a Albânia declarou sua independência, novamente como reino; em 1939 foi invadida pela Itália; quatro anos depois, pela Alemanha; após o fim da II Guerra Mundial, o país foi estabelecido como uma república socialista. Em 1991, tornou-se apenas uma república.

Em Abril de 1939 a Itália ocupou a Albânia, e na época haviam apenas três transmissores em operação no país. Em ondas médias, a Rádio Tirana I operava com 10 watts em 1384 kHz com estúdios e transmissores em Tirana.

Em ondas curtas, provavelmente haviam dois transmissores no ar em paralelo, nas frequências de 6080 kHz e 7840 kHz, sob o indicativo ZAA. Eles foram originalmente instalados em 1937 para comunicações em Código Morse. Os equipamentos foram fabricados pela Tesla em Praga, Checoslováquia; e o centro transmissor ficava em Laprake, em um acampamento militar nos limites de Tirana.

Em julho de 1939, alguns meses após a ocupação italiana, a ZAA foi captada no Pacífico Sul com o hino nacional italiano. Curiosamente o indicativo ZAA foi mantido, ao invés de ser adotada a versão italiana, que começava com a letra I.

Na mesma época, um outro transmissor de ondas médias foi instalado. Com uma potência original de 1 kW, foi aparentemente operado a um quarto de tal valor. Ele assumiu a programação e frequência da Tirana I em 1384 kHz e o transmissor antigo de 10 watt passou a operar em 1290 kHz como Tirana II.

Após um ano de ocupação ou até menos, a Rádio Tirana não foi mais captada em ondas curtas. O último registro conhecido foi em Agosto de 1940, quando Arthur Cushen captou a estação na Nova Zelândia em 7850 kHz. Aparentemente a ZAA permaneceu em silêncio durante o restante da guerra.

Quando a paz retornou à Europa, a Rádio Tirana foi captada novamente na frequência de 7850 kHz, de acordo com Arthur Cushen. Isso ocorreu no início de 1946. Aparentemente o equipamento Tesla foi recuperado.

Curiosamente a programação era em Italiano, apesar das forças alemãs terem substituído os italianos dois anos antes.

A Rádio Tirana agora é retransmitida pela WRMI: às 2300 UTC de Segunda à Sexta em 5850 kHz

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