O enigma russo das ondas curtas

25 03 2017

Desde algum lugar na Rússia um sinal misterioso transmite sinais sonoros misteriosos desde o auge da Guerra Fria. Mar por quê?
Foto: Sergey Kozmin

Desde uma torre enferrujada e solitária em uma floresta ao norte de Moscou, uma estação de ondas curtas misteriosa transmite dia noite. Por ao menos a década que antecedeu o ano de 1992, ela levou ao ar nada além de bipes; após isso ela passou a usar uma buzina, geralmente entre 21 e 34 repetições por minuto, cada uma de um segundo — parecendo uma sinalização de nevoeiro estridente a sempre povoar o éter. Há quem diga que o sinal é proveniente de uma voyenni gorodok (pequena cidade militar) próxima a Povarovo e, muito raramente, talvez uma vez em algumas poucas semanas, a monotonia era quebrada por uma voz masculina dizendo sequências pequenas de números e palavras, geralmente sequências de caracteres de nomes russos: “Anna, Nikolai, Ivan, Tatyana, Roman.” Mas a esmagadora maioria do tempo era preenchido com uma constante e quase enlouquecedora sequência de tons inexplicáveis.

A amplitude e o tom mudou algumas vezes e o intervalo entre os tons costuma flutuar. Toda hora cheia o tom é transmitido rapidamente duas vezes. Nenhuma das convulsões que envolveram a Rússia na última década da Guerra Fria e as primeiras duas após tal período — Mikhail Gorbachev, perestroika, fim da guerra no Afeganistão, fim da União Soviética, fim do controle de preços, Boris Yeltsin, bombardeio do parlamento, primeira guerra na Chechênia, as oligarquias, crise financeira, segunda guerra na Chechênia, o nascimento do Putinismo — tirou a UVB-76 da sua inescrutável finalidade. Durante esse período, a estação passou a fazer parte do imaginário de diversos ouvintes de ondas curtas, que sintonizavam e documentavam praticamente todos os sinais transmitidos por ela. Embora a “Buzzer” (como foi apelidada) sempre fosse envolta em mistério, também era de uma constância digna de um metrônomo.

Mas em 5 de Junho de 2010 a buzina cessou. Sem anúncios, sem explicações. Apenas silêncio.

No dia seguinte a transmissão retornou como se nada tivesse acontecido. Pelo resto de Junho e Julho, a UVB-76 se comportou mais ou menos como sempre. Houve breves diferenças — incluindo trechos do que soava como código Morse — mas nada dramático. Na metade de Agosto a buzina cessou novamente. Ela voltou, parou novamente e retornou mais uma vez.

Em 25 de Agosto, às 10:13, a UVB-76 se comportou de forma totalmente estranha. Primeiro houve um silêncio, seguido de uma série de barulhos que levavam a entender que havia alguém na sala. Antes desse dia, todos os bipes zumbidos, códigos e números haviam sugerido uma força maligna pairando nas ondas. Parecia que o mistério seria finalmente revelado. Na primeira semana de Setembro, a transmissão foi interrompida frequentemente, geralmente com o que pareciam trechos de gravações da “Dança dos pequenos cisnes”, do Lago dos cisnes de Tchaikovsky.

Na noite de 7 de Setembro, algo mais dramático — um ouvinte até chamou de “existencial”— aconteceu. Às 20:48 (hora de Moscou), uma voz masculina emitiu um novo indicativo, “Mikhail Dmitri Zhenya Boris,” indicando que a estação agora seria chamada MDZhB. Em seguida houve uma das mensagens tipicamente nebulosas da UVB-76 (ou MDZhB): “04 979 D-R-E-N-D-O-U-T” seguida por uma série maior de números e então “T-R-E-N-E-R-S-K-I-Y” e ainda mais números.

Alguns anos antes, mudanças do tipo seriam notadas por apenas um pequeno grupo de hobbystas. Mas, em Junho — após a primeira interrupção misteriosa — a recepção da UVB-76 passou a ser distribuída online (UVB-76.net), pelo empresário de tecnologia estoniano Andrus Aaslaid, que é fascinado pelo rádio em ondas curtas desde que começou a estudar. “As ondas curtas foram uma espécie de primeira forma de Internet,” diz Aaslaid. “Você liga o rádio e nunca sabe o que poderá ouvir.” Durante um período de 24 horas no auge das mudanças ocorridas em Agosto de 2010, mais de 41000 pessoas ouviram o áudio do site de Aaslaid; em alguns meses, dezenas de milhares e então centenas passaram pela página, de países como Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, República Checa, Brasil, Japão, Croátia, entre outros. Ao tornar a UVB-76 disponível para a audiência online, Aaslaid conseguiu fazer com que o rádio em ondas curtas — um dos hobbies com nicho mais específico — sofresse um verdadeiro rejuvenescimento para o século 21.

Hoje, a base de fãs da emissora inclui Kremlinologistas, anarquistas, hackers, artistas, pessoas que creem em extraterrestres, um antigo ministro das comunicações lituano e alguém na Virgínia que usa o apelido Room641A, uma referência ao alegado centro nevrálgico da Agência Nacional de Segurança, uma instalação de interceptação num escritório da AT&T em São Francisco. (“Eu tenho interesse em ‘ouvir,’” Room641A me diz por email. “Todas as formas.”) Todos eles hipnotizados por esse sinal desconcertante — na maior parte do tempo a buzina nos dias atuais. Eles não deixam de ponderar seu significado, imaginando o propósito por trás de sua existência. Ninguém sabe ao certo, o que é a pior e melhor parte de tudo isso.

Como você pode imaginar, a história da estação é nebulosa. Dizem que há 30 anos os soviéticos construíram uma emissora de rádio próxima a Povarovo (a sílaba mais forte da palavra é a segunda), 40 minutos de carro a noroeste de Moscou. Na época, Leonid Brezhnev ainda estava vivo, o Kremlin presidia um império intercontinental e as tropas soviéticas estavam lutando contra os mujahideen. Após o colapso da União Soviética em 1991, foi revelado que Povarovo era controlada pelos militares e tudo que acontecia lá era segredo de Estado.

O empresário de tecnologia Andrus Aaslaid disponibiliza pela internet o áudio da UVB-76 a partir do seu sótão.
Photo: Alver Linnamägi

Entusiastas das ondas curtas desenvolveram várias hipóteses sobre a missão da emissora na vasta rede de comunicações da Rússia. Uma delas diz que se tratava de um nó esquecido, criado para servir a alguma função agora perdida nas profundezas da burocracia. Outros creem que se trata de um projeto secreto, que transmitia mensagens para espiões russos em países estrangeiros. Uma mais ameaçadora diz que a UVB-76 serviu para nada menos que o epicentro do “Sistema perímetro”, que foi programado para lançar uma onda de mísseis nucleares contra os Estados Unidos em caso de ataque surpresa contra o Kremlin. A última teoria diz que seu objetivo era o de estudos ionosféricos, sendo que esta não tem muito apoio.

Antes de Aaslaid disponibilizar conteúdo online e os eventos de 2010, os ouvintes dedicados da UVB-76 provavelmente não passavam de mil. Alguns a ouviam no tempo livre desde a década de 1980s, escondidos em sótãos, garagens, porões e cômodos bagunçados. Muitos trabalhavam para grandes empresas — companhias de seguros, conglomerados de telecomunicações, organizações militares, universidades, etc. Viviam na Alemanha Ocidental, Grã-Bretanha, Holanda, Estados Unidos, entre outros. Alguns evitavam informar a localização; outros usavam pseudônimos. Antes da queda do comunismo, muitos acreditavam estar em risco, assumindo que podiam ser localizados (embora os métodos tecnológicos nunca foram claros) por agentes da KGB, CIA, MI6 ou Mossad — que controlavam outras estações pelas quais se interessavam. Muitos acreditavam ter descoberto algo altamente secreto e que haviam fichas em agências de espionagem do exterior com seus nomes. Todos amavam estar ouvindo algo desconhecido e eram fascinados pela estranheza daqueles bipes persistentes.

“Foi emocionante,” disse Ary Boender, 57 anos, um consultor financeiro que mora próximo a Rotterdam, Holanda. Ele sintonizou a UVB-76 pela primeira vez em Janeiro de 1983. Disse que foi absolutamente sem querer. Estava buscando outra emissora, percorrendo o dial e subitamente ouviu os bipes. E ali permaneceu. Esta é a forma pela qual muitos fãs dizem ter descoberto a estação: Era tarde e estavam buscando outra coisa — um informe meteorológico, marítimo, alguma comunicação Força Aérea — quando a UVB-76 quebrou o silêncio do éter e literalmente os capturou. A questão que todos queriam que fosse respondida era: qual sua finalidade? “O que era e continua sendo divertido é a busca por quem são, onde estão e qual a finalidade,” diz Boender.

Antes da Internet, os ouvintes de ondas curtas sabiam da existência de outros por meio de publicações do gênero, como a Monitoring Times ou Popular Communications. (Capa da edição de Outubro de 1985: “Espionando comunicações aéreas!”) Se algo interessante acontecesse com a UVB-76 — como o o aumento da duração dos bipes para, por exemplo, de 1,9 para 2,2 segundos ou uma mudança no timbre ou mesmo uma rara pausa na transmissão — os fãs escreveriam a tais publicações e especulariam sobre os possíveis significados. Todos sempre atentos a quaisquer mudanças, discrepâncias, números ou vozes. A informação seguiria para outros assinantes e publicações onde tais informações eram compartilhadas.

Mesmo hoje, ouvir a UVB-76 é como escutar um mundo que não existe há décadas. Isso é especialmente verdadeiro à noite, quando você está em um porão escuro, fones no ouvido, envolto por todos os mistérios dos sinais de rádio — ”essas pequenas viagens pela fantasia,” como o Room641A diz, que “acontecem quando você está em frente ao receptor ao passar pela Rádio Havana às três da manhã.”

A maioria dos observadores acreditam que a UVB-76 é um exemplo de estação de números, usada para envio de comunicações criptografadas a espiões ou outros agentes. Elas tipicamente transmitem grupos de cinco números, tornando impossível a detecção do seu conteúdo. Os números podem ser decodificados usando uma chave em posse do ouvinte a quem se destina. Acredita-se que elas existam desde a Primeira Guerra Mundial, conforme documentado pelo Conet Project, uma compilação de gravações que foram disponibilizadas pela primeira vez em 1997. (O Director Cameron Crowe, que é fã do Conet Project, usou trechos de tais gravações em seu filme de 2001, Vanilla Sky.) Pessoas ligadas ao tráfico de drogas provavelmente as usaram; assim como norte coreanos, norte americanos, cubanos, britânicos, etc. Muitos são os ouvintes de ondas curtas que suspeitam que o MI6 estava por trás da mais famosa estação de números do mundo, a Lincolnshire Poacher.

Um grupo online chamado Enigma 2000 (sigla para European Numbers Information Gathering and Monitoring Association) coleta dados de estações de números do mundo inteiro. Jochen Schäfer, que lidera o grupo alemão, diz que a UVB-76, “Não é uma estação de números típica, mas é uma.” Geralmente, estações de números começam suas transmissões com um indicativo e então prosseguem para algum tipo de introdução — a Lincolnshire Poacher, por exemplo, tem esse apelido porque todas as transmissões começavam com um trecho da famosa canção folclórica inglesa de mesmo nome — antes de transmitir os números. “Ela é diferente por conta de sua estrutura,” diz Schäfer. “Na maior parte do tempo há só a buzina… As mensagens são enviadas em intervalos irregulares.”

Esse formato anômalo levou muitos ouvintes a crer que a UVB-76 não é de todo uma estação de números. Um antigo oficial europeu de alta patente e estudante de longa data das estações de jamming Soviéticas, conhecido pelos fãs da UVB-76 como “JM,” diz que seu propósito é transmitir ordens codificadas para unidades militares dentro da Rússia, não espiões no exterior. JM diz que a maior parte das peças do quebra-cabeça sobre as especificações da estação — a frequência de 4625 kHz, o transmissor principal de 20 kW, o transmissor reserva de 5 kW e a antena dipolo horizontal  — indica uso militar convencional. Bryan Tabares, um engenheiro de Jacksonville, Flórida, concorda com essa teoria e adiciona mais um ponto que explica as interrupções de 2010: Ele acredita que seja apenas “ruído rosa” fabricado por engenheiros de som para calibrar equipamentos de áudio. E é só. “Tudo que aconteceu indica uma atualização de equipamento ou calibração,” diz Tabares.

Uma das diversas instalações abandonadas próximas à torre de transmissão em Povarovo.
Foto: Sergey Kozmin

Boender, um consultor financeiro que vive próximo a Rotterdam, diz acreditar que a UVB-76 é controlada pelos militares. Ele baseia tal conclusão em sua análise de estações militares russas conhecidas. Vários outros aficionados compartilham da mesma opinião. Ele dá um exemplo: “Nós descobrimos uma rede de estações russas no início da década de 1990, que levou alguns anos antes de descobrir maiores detalhes. Parecia se tratar de uma rede de estações soviéticas, consulados, ministérios e mais provavelmente também a KGB e GRU [a maior agência de inteligência russa]. Diversos ouvintes do mundo todo a ouviu e trocamos mensagens e gravações para posterior análise e descobrimos quem era.” E adiciona, “Isso deixa o desafio ainda mais divertido.”

Graças a engenheiro da computação de 37 anos de Tallinn, Estônia, a UVB-76 chegou à era da Internet. Graças a isso, Andrus Aaslaid expandiu a audiência da estação de forma nunca antes imaginada. O escritório de Aaslaid’s fica no sótão de uma construção de pedra em uma rua quieta no centro da cidade báltica. Da cozinha da casa ele pode ver o apartamento que divide com sua família, que ocupa o último andar de uma construção feita em 1897. Embora Aaslaid não seja muito conhecido internacionalmente, na Estônia ele é uma espécie de garoto propaganda da cena tecnológica local, que produziu não somente gigantes como o Skype, mas uma série de startups que cresceram rapidamente. No início dos anos 1990, Aaslaid fundou sua primeira empresa, a LaidWare, que fornece sistemas de rede ATM para bancos. Em seguida ele foi o responsável por uma empresa adquirida pela Skype. Então resolveu se aventurar no Vale do Silício. Depois disso ele trabalhou como conselheiro em duas empresas da área financeira da Estônia e de comunicações, incluindo Andrus Ansip, o primeiro ministro do país. Como muitos empreendedores, Aaslaid prima pela qualidade e tem um estilo de vida um pouco diferente do convencional: Casou-se com a mãe de seus filhos em 2010, quando sua filha tinha 6 e o filho 4 anos. Raramente fica em um emprego por mais de um ano. Saiu da faculdade após dois meses. (“Eu já estava trabalhando como programador”. “Nós fomos a primeira onda de autodidatas na história do país. Um diploma não era tão necessário.”)

Aaslaid descobriu as ondas curtas ainda jovem, e mesmo hoje, ao falar do áudio da UVB-76 na Internet, ele parece um adolescente, fascinado por um mundo ainda desconhecido. Ele liga seu receptor por alguns minutos e busca alguns fragmentos sonoros: um pacifista falando sobre a “redescoberta de Hiroshima,” um apresentador russo descrevendo a carnificina na Faixa de Gaza, o final de uma música do Supertramp. “Passei várias noites na busca de sinais e, às vezes, realmente embriagado,” diz Aaslaid. (Sua bebida preferida é o Aberlour A’bunadh, um whisky escocês.) “Na era da Internet e globalização, a vida das pessoas é tão planejada e previsível”. “De alguma forma a UVB-76 representa o imprevisível e misterioso.”

Colocar o sistema para funcionar foi tecnologicamente simples, mas fisicamente desafiador. Para a antena, foram necessários 70 metros de fio de cobre esticados nos meio da noite entre o telhado do escritório e o do apartamento. Então ele ligou seu receptor ao computador. Para disponibilizar o áudio, ele usou o provedor britânico MixStream. Algumas semanas depois ele passou a usar uma antena loop magnética e trocou o receptor por um diretamente controlado pelo computador.

Nos seis meses seguintes 200000 ouvintes dos mais diversos países acessaram o áudio. Como todo curioso pelas ondas curtas, Aaslaid olha sua audiência — notando que, após os Estados Unidos, a segunda maior audiência está na Rússia. Aaslaid informou ter recebido diversos emails de artistas e músicos que dizem que a estação os inspiraram. X-Ray Press, uma banda de “math rock” de Seattle, lançou um álbum chamado UVB-76, que tem sons parecidos com o dela ao fundo. Sherri Miller e Mario Fanone, dois musicistas eletrônicos de Buffalo, Nova Iorque, foram além e criaram a banda UVB-76, que começa suas apresentações ao vivo com um trecho gravado da Buzzer. Fanone toca uma guitarra digital Casio e trumpete e Miller geralmente um módulo de produção musical Korg, assim como usa um aspirador de pó combinado com um pedal de efeitos.

Aaslaid continua fascinado. “Foram transmitidas mensagens de voz, ficou muda, sua frequência foi usada por piratas, passou por manutenção e houve novamente mensagens de voz e testes, vários ruídos estranhos, transmitidos 24 horas por dia com alta potência e recebidos no mundo inteiro,” escreve Aaslaid em um email arrebatador sobre o que a estação significa para ele. “Isso é apaixonante!” Quando pergunto por qual razão alguém se interessaria pela UVB-76, e porque deve dar atenção às ondas curtas em geral, ele diz que tal meio promove a conectividade universal que tal meio, ainda que primitivo, permite mesmo em locais distantes de uma torre de celular. “Imagine alguém com um manipulador telegráfico ou um gravador de rolo no meio do deserto da Namíbia, com um transmissor de ondas curtas ligado a um gerador diesel para transmitir música ou mensagens pela ionosfera. No meio da noite não há nenhum tipo de experiência mais espiritual.”

Outro fato intrigante sobre a UVB-76 — ou MDZhB — é quanto a sua localização. Logo após os eventos de Agosto e Setembro de 2010, com todas as idas, vindas e sons, os ouvintes de ondas curtas reportaram outra mudança: a localidade da emissora parece ter mudado. JM ajudou a localizar o sinal, que vinha de uma localidade próxima a Pskov, perto da fronteira russa com a Estônia. Infelizmente ninguém conseguiu triangular exatamente a origem do sinal. Ary Boender diz que a mudança tem relação com a reorganização militar russa ocorrida em Setembro, quando os distritos militares de Moscou e Leningrado foram mesclados para formar um novo centro de comando em São Petersburgo — o que explicaria a razão pela qual a UVB-76, migrou para para milhares de quilômetros a noroeste. Assim a localidade do transmissor foi adicionada à lista de mistérios que rondam a emissora.

Hoje, a pequena cidade militar de Povarovo, da qual as transmissões vieram durante vários anos, está quase abandonada. A vila nas cercanias é composta por prédios típicos do período comunista, dachas recentemente construídas e vegetação nativa. Perto há portões e muros com insígnias militares e veículos — mas sem guardas ou cercas elétricas e os portões destravados. A única atividade vem das mulheres, crianças e netos de veteranos soviéticos. “Isso aqui é como um paraíso,” diz uma moradora, de nome Natalia, cujo esposo, Sergey Nikolayevich, serviu como motorista do comandante da cidade militar. Ao ser perguntada sobre a cerca próxima da entrada do seu prédio, ela disse que nunca passou do portão. No outro lado fica a torre de transmissão e ninguém, de acordo com Natalia, vai lá.

A estrada de pista simples que leva à torre se estende 400 metros e passa por uma série de construções vazias e uma floresta de pinheiros. Uma cerca com correntes suportada por postes de madeira cobertos de musgo ficam em volta da torre. Com cerca de 30 a 45 metros de altura, pintada de vermelho e branco e já marcada pela ferrugem, tem três ou quatro antenas de satélite fixadas a ela. Próximo a torre ficam uma cabana de metal verde com fios e equipamentos elétricos e uma construção antiga de pedra também coberta por musgo. Também parece haver uma grande construção subterrânea: O campo enlameado no qual fica a torre tem vários cilindros metálicos (presumivelmente eixos de ventilação) que saem da terra, e um pequeno prédio rosa que parece a entrada para uma escada descendente. Também há uma porta parcialmente entreaberta. Se você abri-la, verá um buraco escuro em que houve uma escada algum dia, na qual se você soltar uma pedra ela demorará cerca de um segundo para chegar ao fundo, o que indica uma queda de pelo menos dez metros.

Logo depois da cerca e da torre há outro prédio, de um andar e também rosa. Há uma antena grande, uma árvore e um cachorro amarrado a um cabo que vai dela até o prédio. Tudo de forma que se você quiser chegar a porta principal deverá passar pelo cachorro, que late sem parar e ferozmente.

A porta da frente parece estar trancada. Não há sequer uma luz acesa lá dentro. Mas alguém esteve lá. O cachorro precisa ser alimentado.

Peter Savodnik (petersavodnik.com) é jornalista e autor do livro “The Interloper”, sobre o período em que Lee Harvey Oswald esteve na Rússia Soviética.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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One response

7 08 2017
João Damasceno

Bem, como tudo que envolve a UVB-76, é mais um artigo muito lega, muito interessante. Pena que é também mais um artigo que não desmistifica a tal emissora dizendo para que serve, onde está, quem a opera, como funciona seu raciocínio de operação dessa “buzina” e os nomes das pessoas. Uma pena, mas ainda ficarei aguardando mais informações…

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