Dois homens em uma ilha: a cena radiofônica na ilha de Guam

19 03 2017

Adrian M. Peterson

A ilha de Guam está localizada no Oceano Pacífico, ao norte da Nova Guiné, 6115 km a oeste do Havaí e 1930 km a leste da Filipinas. É a maior e que fica mais ao sul das ilhas da Micronésia, que engloba mais de 2000 pequenas ilhas e ilhotas no oeste do Pacífico.

Guam fica na região da Fossa das Marianas, que possui maior profundidade oceânica do planeta. Seu clima é tropical e as temperaturas sofrem influência direta do oceano. A localidade é passível de tempestades e ciclones, bem como de terremotos, embora não hajam vulcões na ilha.

A população é de cerca de 160 mil habitantes, composta por militares norteamericanos e de pessoas da etnia local Chamorro, que possui idioma próprio idioma. A capital é a cidade de Agana, que também abriga o quartel general da marinha dos Estados Unidos na região.

Uma das principais indústrias de Guam é o turismo, que conta com uma visitação de mais de um milão de pessoas por ano, principalmente do Japão. Muitos são os casais japoneses que celebram o casamento na ilha.

A história da ilha de Guam data mais de quatro mil anos, quando os primeiros colonos chegaram do sudeste asiático. O primeiro europeu a avistar a ilha, em 6 de Março de 1521 foi o explorador português Fernão de Magalhães, que navegou pelo mundo em nome da família real de Portugal.

A ilha foi reivindicada pela Espanha quarenta anos depois e a primeira colônia foi estabelecida como parte das Índias Orientais Espanholas cem anos depois. Por algum tempo, Guam tornou-se um ponto de parada de de galeões espanhois que navegavam pelo Pacífico em suas missões comerciais.

Guam, juntamente com o Havaí e as Filipinas tornaram-se posteriormente as três maiores possessões norteamericanas no Pacífico. A ilha fica a 9600 km da Califórnia e abriga grandes instalações militares.

Após assumir o controle da ilha, um cabo submarino foi instalado entre Guam e o Havaí em 1903, permitindo a comunicação direta entre a ilha e o continente. Durante o período entre as duas guerras mundiais, diversas estações de comunicação foram instaladas, sendo que a primeira de radiodifusão entrou em operação no início da década de 1930.

Apesar de todo o desenvolvimento, Guam foi pega desprevenida quando o Japão começou a invadir as ilhas do Pacífico. Poucas horas depois do terrível ataque japonês à Pearl Harbor, outro foi feito, desta vez contra Guam, contando com cerca de 5600 militares invadindo a ilha.

O Capitão George J. McMillin, governador norteamericano em Guam, acabou por entregar a ilha ao comandante Hayashi Hiromu, da marinha japonesa às 07:00 do dia 10 de Dezembro de 1941, apenas dois dias depois do ataque a Pearl Harbor.

Na manhã da invasão, seis marinheiros escaparam para a selva, sendo que cinco foram posteriormente capturados e executados. O único fugitivo que obteve sucesso foi o tenente George Tweed, que trabalhava como reparador chefe na estação de comunicações NPN.

Quando as forças japonesas estavam se aproximando de Agana, George Tweed entrou em seu carro, um Reo 1926 caindo aos pedaços e, com dois passageiros à bordo dirigiu para o interior. Este carro, fabricado em Lansing, Michigan, era um modelos de seis cilindros que a empresa Reo lançara no ano anterior.

Depois de uma jornada de 16 km eles chegaram a uma estrada de terra que pouco depois terminava em uma vegetação espinhosa. O veículo foi ocultado e abandonado, e George Tweed ficou sozinho, contando apenas com a ajuda esporádica do povo Chamorro.

Após encontrar uma caverna, Tweed recebeu um gerador e um receptor American Silverstone. Em Março de 1942, três meses após sua fuga, George Tweed foi capaz de ligar o rádio e sintonizou a estação KGEI, de São Francisco, que tinha excelente recepção em Guam.

Usando uma velha máquina de escrever, Tweed começou a produzir um “jornal”: eram apenas cinco cópias, que ele chamou de “Águia de Guam” em homenagem ao extinto jornal em Inglês da ilha. Outras notícias eram obtidas da estação “Voice of Freedom”, uma emissora temporária instalada na Ilha Corregidor pelo general Douglas MacArthur. As edições da Águia de Guam eram distribuídas em períodos de aproximadamente quatro meses.

Para evitar ser encontrado, George Tweed escondeu o rádio e foi para outra localidade. Ao voltar para recuperar o receptor, ele descobriu que o equipamento estava muito danificado para ser reparado. Ele obteve posteriormente um receptor Zenith, que proporcionou novamente a possibilidade de ouvir notícias em ondas curtas.

No total, Tweed se manteve em fuga por um período de dois anos e sete meses. Em 10 de Julho de 1944, do topo da caverna em que estava ele notou o retorno da marinha norteamericana à região.

Com a ajuda de um espelho e de sinais com bandeiras feitas por ele, foi possível chamar a atenção de dois destróieres norteamericanos. O USS McCall enviou um bote para resgatar Tweed, que foi condecorado como heroi de guerra.

Enquanto isso, havia outro fugitivo de guerra na ilha de Guam. Era um soldado japonês que se isolou durante a batalha intensa entre japoneses e norteamericanos em Julho de 1944.

Com 26 anos de idade, o aprendiz de alfaiate Shoichi Yokoi foi convocado pelo exército japonês em 1941 e serviu primeiramente na Manchúria. Em menos de dois anos ele foi transferido para o exército de ocupação em Guam.

Com o fim da guerra no Pacífico em Agosto de 1945, estima-se que cerca de 150 japoneses em Guam não sabiam do final do conflito, incluindo o sargento Shoichi Yokoi e seus dez companheiros que fugiram para uma área montanhosa. Com o tempo o número deste grupo foi reduzido a ele mesmo, que tornou-se um fugitivo solitário da guerra, vivendo com o que podia encontrar para comer, vestir e usar.

O sargento Yokoi cavou uma caverna que era acessada por uma escada feita por ele. Apenas em 1952 ele tomou conhecimento do fim da guerra, embora tenha continuado a viver no isolamento.

No dia 24 de Janeiro de 1972, dois pescadores Chamorro, Manuel Garcia e Jesus Duenas, inadvertidamente abordaram Yokoi. Após luta corporal ele foi levado sob custódia e no dia seguinte apresentado às autoridades em Agana,

Ele foi repatriado para o Japão, onde foi entrevistado por diversas emissoras de rádio e televisão, assim como jornais; também foi condecorado como heroi da II Guerra Mundial.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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