O efeito Luxemburgo

13 03 2016

Um efeito ionosférico interessante foi notado há cerca de 80 anos e relatado na revista Radio Craft de Fevereiro de 1935. A Rádio Luxemburgo operava em 252 kHz, com um potente sinal de 150 kw com o objetivo de atingir a Inglaterra.

O fenômeno foi descoberto em 1933 por B.D.H. Tellegen, em Eindhoven, Holanda, que estava ouvindo uma estação de Beromunster, Suíça, em 652 kHz. Ao fundo da estação suíça, ele pode ouvir o áudio da Rádio Luxemburgo. O mesmo fenômeno foi reportado por outros ouvintes. Devido à distância entre os três pontos envolvidos, a sobrecarga do receptor não era uma possibilidade. O sinal de Luxemburgo podia ser ouvido apenas quando a estação suíça estava transmitindo.

Tellegen notou que os três pontos estavam em linha reta: quando o sinal da estação suíça chegava à Holanda ele passava diretamente sobre Luxemburgo. Ele teorizou corretamente que a portadora da estação suíça estava sendo modulada na ionosfera conforme passava pelo forte sinal da Rádio Luxemburgo.

A ionosfera tinha sido apenas recentemente descoberta e não era totalmente compreendida. Supunha-se antes que a ionosfera era um meio linear por meio do qual as ondas de rádio eram refletidas passivamente. A existência do Efeito Luxembrugo mostrou que ela podia ser “aquecida” artificialmente para produzir efeitos não lineares.

Curiosamente, a frequência portadora do sinal não parecia ser crítica. A modulação do sinal interferente era sobreposta no outro sinal independente da frequência portadora. Pesquisas posteriores mostraram que a maior parte do efeito ocorria em frequências de áudio baixas.

Para o desespero dos teóricos da conspiração, este é o fenômeno que o Programa de Pesquisa de Aurora Ativa em Alta Frequência (HAARP) estudava. É relativamente fácil gerar um sinal de alta potência em ondas curtas (HF). O HAARP tinha transmissores que podiam gerar sinais de 3,6 MW de 2,8-10 MHz e irradiá-los em direção à ionosfera. Tal sinal era capaz de gerar o mesmo tipo de “aquecimento” causado pela Rádio Luxemburgo.

É mais difícil gerar sinais na faixa de Frequência Extremamente baixa (ELF). Entre outras coisas, sinais ELF são usados para comunicação com submarinos. A principal ideia do HAARP era gerar tais sinais não no transmissor, mas na própria ionosfera, misturando dois sinais fortes em HF. Por exemplo seria praticamente impossível gerar uma onda de rádio na frequência de 0,1 Hz com um transmissor. Direcionando dois sinais para a ionosfera, um em 4,000000 MHz e um em 4,0000001 MHz, o resultado seria uma onda de rádio gerada na ionosfera com a diferença de frequência, 0,0000001 MHz, ou 0,1 Hz.

O fenômeno é às vezes chamado efeito Luxembourg-Gorky, pois um potente transmissor de ondas longas em Gorky, União Soviética, produzia efeitos similares.

Referências:

Probing the Northern Lights, Popular Mechanics, Julho 1999.
Dissertação de PHD de Juan Valentin Rodriguez, 1994, página 5.
Radio Science for the Radio Amateur por Eric Nichols, páginas 11-7

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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