A radiodifusão a partir da Estátua da Liberdade

30 01 2016

Adrian M. Peterson

Mais de mil anos atrás, o povo Lenape, uma tribo de nativos de Delaware chegou na área da América do Norte conhecida hoje como Nova Iorque e Nova Jérsey. Na época, o abundante fornecimento de alimentos vinha de ostras colhidas na maré baixa do porto de Nova Iorque.

Quando os europeus começaram a chegar na região, eles nomearam as três ilhas na região de Nova Iorque como “Ilhas das Ostras”. Elas foram designadas individualmente como Black Tom, Ellis e Bedloe’s.

No mapa, a ilha Black Tom originalmente parecia ter o formato de um gato preto, embora algumas autoridades afirmem que ela recebeu tal nome por conta de um dos seus primeiros residentes. Originalmente a ilha Black Tom era uma unidade geográfica separada de 20 acres, mas devido a outras questões acabou sendo absorvida pela costa de Nova Jersey.

A ilha Ellis ficou famosa por ter sido o ponto de entrada dos migrantes europeus que chegaram aos Estados Unidos e por onde durante mais de meio século passaram mais de doze milhões de pessoas. Originalmente tinha apenas 2,75 acres, sendo expandida posteriormente para 27 acres. Hoje ela é uma grande atração histórica.

A ilha Governor, embora maior não foi listada como parte das Ilhas das Ostras. Originalmente tinha uma área de 69 acres e o aterro resultante de túneis subterrâneos da linha férrea em Nova Iorque aumentou seu tamanho para 172 acres.

A ilha Bedloe foi nomeada em 1609 em homenagem ao colonizador holandês Isaac Bedloe. Ao longo dos anos, a ilha passou por mãos holandesas, inglesas e francesas em diversas ocasiões, até a determinação de posse por Nova Iorque e águas na região à Nova Jérsey. Em 1956, um ato especial do Congresso renomeou a ilha como Liberty, em homenagem à famosa estátua, uma atração turística conhecida mundialmente.

A famosa Estátua da Liberdade foi projetada para instalação no canal de Suez para funcionar como farol. Ela foi projetada pelo francês Frederic-Auguste Bartholdi em 1876, sendo construída e exposta em Paris em 4 de Julho; na ocasião ela foi oficialmente presenteada ao povo norteamericano.

A ilha Bedloe foi escolhida para abrigar a famosa estátua, que foi desmontada em 1885 e enviada à Nova Iorque. Ela foi separada em 350 pedaços e despachada em 214 caixas.

O navio francês Isere levou a estátua a sua casa nova. Há quem diga que a inspiração do rosto da estátua tenha vindo do rosto da mãe do seu projetista.

Para servir de base para a estátua, um pedestal de cimento com 47 metros de altura e 27 mil toneladas foi construído; a estátua em si tem mais de 45 metros de altura  e pesa 225 toneladas. A reconstrução foi concluída em 23 de Outubro de 1886.

Em 28 de outubro de 1886, o Presidente Grover Cleveland conduziu a cerimônia de inauguração, que incluiu um desfile que atraiu um milhão de pessoas. Era um dia frio, úmido e com vento.

Em 1944, as luzes da estátua piscaram em Código Morse a letra “V” quando a vitória dos Aliados na Europa e Pacífico durante a II Guerra Mundial parecia próxima.

Na época, cinco milhões de visitantes visitaram a Estátua da Liberdade. Ela é atingida por cerca de seiscentos raios por ano.

Duas das ilhas menores no porto de Nova Iorque figuraram em eventos associados com comunicações sem fio e radiodifusão, sendo elas as ilhas Governor e Bedloe, hoje conhecidas como Ilha Liberdade.

Uma estação de rádio usada pelo exército norteamericano foi instalada na Ilha Governor após o fim da I Guerra Mundial. Há várias menções de sua associação com outra estação na Ilha Bedloe e houve ocasiões em que transmitiu conteúdo para entretenimento.

Em 1920, o indicativo da estação da Ilha Governor era WYCB e ocorreram retransmissões ocasionais de e para a WVP na Ilha Bedloe. As retransmissões iam geralmente ao ar entre 21:00 e 22:00, quando ambas estações deixavam de irradiar comunicações militares para entreter.

Em 1905, uma estação experimental foi instalada na Ilha Bedloe em Fort Wood. Dois anos depois a estação apareceu em uma listagem do gênero, mas sem indicativo.

No final de Outubro de 1908, foram conduzidas transmissões experimentais entre Fort Hancock, em Sandy Hook, Nova Jérsey e a Ilha Bedloe, a uma distância de 30 km. O indicativo foi FD e o transmissor era de centelhamento com 3 kW. Em Sandy Hook, outro transmissor de centelhamento, mas com 1 kW, foi usado e gravações em um gramofone eram executadas em frente a um microfone à carvão.

Ao final da I Guerra Mundial (1914) o indicativo em Bedloe era WUM; no ano seguinte, um transmissor portátil experimental também foi instalado.

Em 1920, o indicativo em uso em Bedloe era WVP para comunicações militares e para radiodifusão era WZAB, embora geralmente ela fosse identificada como WVP mesmo. A estação já contava com um transmissor de ondas longas de 3 kW fabricado pela GE e a frequência era 206 kHz, com a antena de fio instalada logo abaixo da Estátua da Liberdade. As transmissões de radiodifusão eram apresentadas ao vivo a partir de um estúdio modesto.

As transmissões de radiodifusão da WVP terminaram dois anos depois, mas a estação continuou a ser usada com fins militares até o início da II Guerra Mundial.

Em 1935, durante a era de grande rivalidade entre diversas companhias marítimas de transporte de passageiros, o recém lançado navio francês “Normandie” recebeu uma tumultuada recepção em sua primeira visita ao porto de Nova Iorque. Durante sua rota pelo Atlântico, o “Normandie” fez diversas transmissões de música sob o indicativo FNSK para benefício tanto dos navios próximos como de ouvintes do outro lado do oceano.

Em 3 de Junho de 1935 houve outra transmissão com a participação tanto do “Normandie” como da Estátua da Liberdade. Um programa elaborado para a chegada da embarcação de passageiros foi preparado em um estúdio em Washington e apresentado ao vivo e enviado por linha telefônica (e provavelmente via rádio também) para a Estátua da Liberdade.

Na tocha da estátua foi instalado um transmissor especial que enviava fachos de luz. Tal pulso foi captado por um receptor especial instalado no “Normandie”, que estava a oito quilômetros de distância.

O sinal foi demodulado e enviado a um sistema público bem como a um transmissor de ondas curtas de 50 W. Tal transmissor reenviou o conteúdo de volta à Nova Iorque, onde foi captado pela estação de ondas médias WEAF e reenviado à NBC Red Network para retransmissão nacional em ondas médias.

Além disso, a estação de ondas curtas da General Electric em Schenectady, também levou ao ar a mesma programação, que foi captada na França e retransmitida em ondas médias e longas. O serviço francês em ondas curtas também retransmitiu o programa para o resto do mundo.

Esta transmissão única e elaborada foi parte da recepção espetacular dos Estados Unidos ao majestoso navio de passageiros “Normandie”, na ocasião de sua primeira chegada à Nova Iorque depois de cruzar o Atlântico. Na época ele era o maior e mais luxuoso navio de passageiros.

Sete anos depois o mundo entrou em guerra. Os Estados Unidos estavam prontos para iniciar seu serviço internacional de rádio em ondas curtas e que logo seria identificado como Voz da América.

O primeiro programa desse serviço internacional foi ao ar a partir de equipamentos já existentes e sua produção e coordenação foi feita a partir de estúdios alugados em Nova Iorque. Eles precisavam de estúdios próprios, mas onde seriam?

No início de 1942, Harold Ickes, Secretário do Interior do gabinete de Franklin D. Roosevelt propôs ao presidente que os estúdios novos da Voz da América tinham que ser construídos próximos à Estátua da Liberdade. Segundo ele, a localização promoveria mundialmente uma imagem de liberdade por parte dos Estados Unidos.

Elmer Davis, o novo diretor do Escritório de Informação de Guerra enviou uma carta a Harold Ickes informando que entendia o simbolismo da localização proposta, mas que existiriam dificuldades logísticas que o pessoal da VOA enfrentaria tanto para sair como chegar. Os estúdios acabaram sendo instalados em Washington, capital do país e onde permanecem até hoje.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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