A II Guerra Mundial começou com uma transmissão de rádio

7 11 2015

Adrian M. Peterson

Durante a década de 1930s, eventos políticos na Europa diretamente relacionados com o expansionismo ocorreram até que em 1939 ficou evidente que uma guerra estava no horizonte. Os historiadores dizem que a II Guerra Mundial começou no primeiro fim de semana de Setembro de 1939, quando tropas alemãs cruzaram a fronteira com a Polônia em diversos frontes.

Uma estação na cidade de Gleiwitz (Alemanha) ou Gliwice (Polônia) participou dos eventos liderando a invasão.

Os primeiros registros sobre a cidade de Gleiwitz datam do ano de 1276, e na época ela era controlada pelos duques Silésios. Houve períodos em que fazia parte de um determinado ducado, enquanto em outros era independente.

Por volta de 1300, Gleiwitz passou a fazer parte do Reino da Bohemia e dois séculos depois passou a fazer parte do Império de Hapsburg (Áustria). A cidade foi absorvida posteriormente pela província prussiana da Silésia e por volta de 1800, durante a unificação da Alemanha, Gleiwitz foi reconhecida com status de um Stadtkreis, uma cidade com parte urbana.

Durante a era de desenvolvimento industrial na Europa, Gleiwitz tornou-se um importante centro de indústrias pesadas e mineração. Na época ocorreram conflitos entre as populações alemã e polonesas e um plebiscito administrado pela Liga das Nações resultou que 80% da população optou pela permanência da cidade em território alemão. Entretanto, após o fim da II Guerra Mundial a cidade passou a fazer parte da Polônia.

Assim como em muitos países, a revolução do rádio na década de 1920 era evidente na Alemanha e a primeira estação inaugurada em Gleiwitz ocorreu no dia 15 de Novembro de 1925. Era um retransmissor para a programação da emissora silésia (indicativo GPU) localizada na cidade vizinha de Breslau.

A emissora ficava na Raudener Strasse, em Petersdorf, e irradiava 1,5 kW na frequência de 1195 kHz. A antena era do tipo “T”, suportada por duas torres de aço com 75 metros de altura. Em 1928 a potência foi aumentada para 5 kW  e a frequência ajustada para 1184 kHz.

Os trabalhos começaram em Agosto de 1934 em uma propriedade rural em meio a uma floresta de pinus na estrada Tarnowitz. A localidade ficava próxima à fronteira com a Polônia.

Os prédios construídos incluíam um de três andares e uma torre autoportante, além de equipamentos eletrônicos fabricados pela Lorenz, Siemens e Telefunken.

A nova torre, com 110 metros de altura foi feita de madeira. Foram usados mais de dezesseis mil parafusos de latão. A emissora foi inaugurada em 23 de Dezembro de 1935, ainda com 5 kW, mas na nova frequência de 1231 kHz.

Quatro anos depois, a estação de Gleiwitz foi repentinamente colocada entre as razões da invasão alemã na Polônia. O incidente de Gleiwitz foi um dos vinte e um que ocorreram na mesma noite com o intuito de parecer que agressão polonesa contra a Alemanha justificava a invasão da Polônia.

Conforme revelado em diversos documentos, pouco antes das 20:00 de 31 de Agosto de 1939, dois carros atravessaram o portão da estação e pararam próximo ao prédio que abrigava o transmissor. O pequeno contingente alemão em tais carros, com jovem Major Alfred Naujocks como líder trajava uniformes militares poloneses.

Os soldados invadiram o prédio e rapidamente dominaram o pessoal da segurança e os engenheiros. O Major Naujocks efetuou alguns disparos para o alto para intimidar o pessoal e todos, com exceção do Engenheiro Nawroth foram levados ao porão com as mãos amarradas.

A estação de Gleiwitz estava retransmitindo a programação da emissora em Breslau na hora do incidente e consistia de conteúdo musical. Não havia estúdio de produção em Gleiwitz e um microfone foi inserido no circuito do transmissor apenas para transmissão da previsão do tempo e situações de emergência.

O Engenheiro Nawroth recebeu ordens de conectar o microfone. Um dos soldados alemães, Karl Hornack, pegou o microfone e tentou fazer uma transmissão clandestina em polonês. Ela não durou nem meia frase, pois o engenheiro acabou tirando a emissora do ar.

Diversas pessoas ouviram a transmissão, mas o impacto foi aparentemente pequeno. Durante uma entrevista, Joachim Fulczyk, um senhor de 85 anos que mora em Gliwice disse que ele, sua mãe e irmã ouviram a transmissão e ficaram intrigados quanto ao que estava acontecendo.

No dia anterior, um padre católico de 43 anos foi preso sob suspeita de simpatia com os poloneses. Este homem, Franciszek Honiok, foi levado a um local pré-definido próximo à emissora. Ele recebeu uma injeção chegou ao local já inconsciente.

Honiok foi então baleado, morto e arrastado até o portão da emissora. Outras pessoas foram deixadas inconscientes ou mortas e deixadas em locais estratégicos para indicar participação polonesa.

O episódio na emissora foi suficiente para um ataque violento contra a Polônia; e assim, uma transmissão de rádio deu início à II Guerra Mundial.

O que aconteceu depois?

Devido ao realinhamento das fronteiras internacionais depois da guerra, Gleiwitz e áreas adjacentes da passaram a fazer parte da Polônia, adquirindo então o nome Gliwice.

A emissora sobreviveu ao conflito sem danos. Em 3 de outubro de 1949 a frequência da Rádio Gliwice passou a ser 737 kHz e em 15 de Março de 1950 o transmissor foi sintonizado para 1079 kHz. Neste período o transmissor foi usado apenas como reserva da estação em Ruda Slaska.

Em 1955 a emissora deixou de existir e passou a ser usada apenas para interferir na programação em Polonês da Rádio Europa Livre. Hoje a torre é usada para a transmissão de mais de 50 sistemas de telefonia móvel e uma emissora FM de baixa potência. O prédio que abrigava o transmissor tornou-se um museu em 2005 e a torre agora é uma atração turística. É a torre de madeira mais alta do mundo e a única do tipo ainda usada para transmissões de rádio.

O padre polonês Franciszek Honiok foi morto na emissora e enterrado em uma cova não identificada e em local desconhecido. Ele é conhecido como a primeira vítima da II Guerra Mundial.

O Major Alfred Naujocks sobreviveu à guerra e tornou-se um empresário em Hamburgo, Alemanha; ele faleceu em 1966.

O Engenheiro Nawroth, que tirou a emissora do ar continuou a trabalhar nela.

O destino do soldado alemão Karl Hornack, que assumiu o microfone da emissora, é desconhecido.

Em 2014 ocorreram celebrações alusivas aos 75 anos do incidente em Gleiwitz, com a presença de representantes alemães e poloneses.

Artigo traduzido mediante autorização do autor. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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