A estação ZLB

24 10 2015

Adrian M. Peterson

Em 1908 houve uma conferência regional em Melbourne, Austrália, com o objetivo de estabelecer um link para transmissões entre a Austrália e Nova Zelândia para servir como paralelo ao link por cabo submarino. Na época os escritórios do governo ficavam em Melbourne. A atual capital, Canberra ainda não tinha sido construída.

Dois anos depois foi elaborada a proposta para a construção de duas estações grandes na Nova Zelândia: uma no extremo norte da ilha do norte e outra no extremo sul da ilha do sul. Em 1911 foi escolhido o local para a estação do sul, uma área alagadiça de 2800 acres que foi drenada e gramada.

O local ficava no planalto de Awarua entre a cidade de Invercargill e o porto de Bluff.

O contrato para construir as duas estações foi firmado com a Australasian Wireless Company, de Sydney, que representava a alemã Telefunken. Funcionários alemães que vieram ao país aprovaram a localização da nova estação, inclusive dizendo que parecia com a de uma construída em Nauen, cidade próxima a Berlin.

O prédio principal abrigava um transmissor de centelhamento com potência de 50 kW fabricado pela Telefunken, um receptor e o gerador em um prédio separado. O conjunto também contava com um alojamento.

O mastro da antena pesava 120 toneladas e 125 metros de altura. O sistema de antena era do tipo guardachuva, com a parte superior de cada condutor ativa e isolada do terra.

Enquanto a estação era construída não havia um indicativo definido. Quando a estação entrou em operação, em 18 de Dezembro de 1913, ela adotou o indicativo VLB, com o “B” indicando The Bluff. A inauguração ocorreu seis meses antes do preso, principalmente por conta da presença alemã e a guerre iminente.

A estação VLB foi a terceira construída na Nova Zelândia sendo que a VLA (Awanui) e VLD (Auckland), ambas na Ilha do Norte, já estavam em operação.

Os equipamentos da estação VLB passaram a ser valvulados em 1924 e o indicativo foi modificado para ZLB em 1 de Janeiro de 1929, devido a mudanças nas regras internacionais. Em 1930, o transmissor de centelhamento foi desmontado. Novos equipamentos eletrônicos também foram instalados.

A torre foi desmontada em 1938 e três outras foram erguidas durante a II Guerra Mundial. Os receptores eram da marca National, modelo HRO, com bobinas removíveis para troca de faixa.

Em 1978 a estação contava com 54 funcionários trabalhando em turnos de seis horas. Os transmissores de ondas curtas tinham 5 kW de potência e foram fabricados pela Philips. As antenas eram três dipolos em mastros de 21 metros de altura. Também eram usadas antenas monofilares.

A Awarua Radio era conectada via cabo ao centro transmissor que ficava em Himatangi, na Ilha do Norte para ser usado quando necessário. Seu uso terminou em Fevereiro de 1989, faltando poucos meses para completar seu 75º aniversário. Sabia-se que a estação cobria o mundo todo, com apenas um ponto cego no oeste da África.

A Awarua Radio encerrou suas atividades em 30 de Agosto de 1991, após 78 anos de bons serviços prestados em ondas longas e curtas.

Ainda há diversas marcas que indicam aos turistas a existência da estação. Um dos prédios hoje abriga um museu e o local em que ficavam os transmissores faz parte de uma fazenda. As antenas ainda estão de pé.

O rádio na Ilha Dog

A apenas 16 km ao sul de onde ficava a Awarua Radio fica a ilha Dog (cachorro). Seu formato lembra justamente o de um cachorro.

Em 1865, o farol mais alto da Nova Zelândia foi construído. Tinha 35 metros de altura. Em duas ocasiões ele foi retratado em selos neozelandeses.

Os ventos na região eram tão fortes que o farol começou a ficar inclinado. Algumas famílias viveram na ilha e recebiam suprimentos enviados em um bote a cada uma ou duas semanas.

Em 28 de Novembro de 1939, a embarcação Wikouiti encalhou nas proximidades da ilha e na ocasião acionou a ZLB na frequência de emergência marítima de 500 kHz. Devido ao incidente, uma estação pequena foi instalada no farol, com o indicativo ZMG.

O farol foi automatizado em 1989 e desde então a ilha está desabitada. Não há acesso público, mas o turismo histórico tem sido considerado.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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