O rádio no Evereste

18 10 2015

Adrian M. Peterson

Quando da ocorrência dos dois grandes terremotos no Nepal ano passado, o famoso Monte Evereste teve seu lugar no noticiário. Cerca de mil pessoas estavam nele ou em suas proximidades quando o primeiro tremor ocorreu em 25 de Abril. Diversos helicópteros foram enviados para resgatar os que estavam presos ou mesmo feridos. É provável que o total de mortos na montanha seja por volta de 200, mas é algo que ninguém jamais saberá com precisão.

O Evereste é conhecido como Sagarmatha pelo povo do Nepal e como Chomolungma pelo povo do Tibete. Nos antigos mapas da colônia britânica na Índia, a montanha foi identificada apenas como “B” e posteriormente como Pico XV. Em 1865 ela foi batizada como Evereste em homenagem a Sir George Everest, um conhecido Supervisor Geral da Índia por volta de 1800.

O Evereste em si não é um monte isolado. Trata-se de um pico entre diversos outros no Himalaia, que separa a Índia da China na Ásia central. Fica a mais de 8 mil metros acima do nível do mar.

A fronteira internacional reconhecida entre o Nepal e o Tibete (China) tem como referência o pico do Evereste, local em que a velocidade do vento é de mais de 320 quilômetros por hora. Medições feitas com um GPS no ponto mais alto do Evereste indicam que ele cresce 30 centímetros a cada cinco anos e que foi deslocado 3,75 centímetros devido aos terremotos recentes.

Em um período que já se estende por mais de 250 anos, várias tentativas de calcular a altura exata dele foram feitas e variam de 8839 a 9204 metros. O padrão aceito até hoje indica uma altura de 8848 metros e foi estabelecida em 1955, embora uma medida não oficial de 8882 metros tenha bastante popularidade.

A instalação original do acampamento base ficava em uma área grande em frente ao Hospital Adventista de Banepa, mas foi transferido posteriormente para um local mais próximo da montanha.

Durante os últimos 100 anos, diversas tentativas de conquistar o topo do Evereste foram feitas e cerca de sete mil pessoas tiveram sucesso, embora nelas tenham morrido mais de 200. A primeira tentativa com sucesso foi feita por George Mallory e Andrew Irvine em 8 de Junho de 1924. No dia seguinte ambos faleceram em meio a uma forte tempestade.

Em 1953, o Sherpa Tenzing Norgay e o neozelandês Sir Edmund Hilary fez a primeira escalada com sucesso do Evereste. Durante a subida, Hilary levou um receptor de ondas curtas e sintonizou o serviço comercial da Rádio Ceilão para ficar atualizado. Ele informou que a intensidade do sinal dos transmissores em Ekala era excelente, com som alto e claro.

A primeira transmissão de rádio a partir do Evereste ocorreu em Março de 1937. Na época, uma expedição alemã estava fazendo a subida e uma parte essencial do equipamento era um transceptor fabricado pela Telefunken.

A expedição alemã fez três tentativas, sem sucesso. Quando alcançaram os sete mil metros em sua última, uma avalanche matou sete membros da equipe e nove nepaleses. O líder, Herr Wyiez, escapou com ferimentos leves.

A equipe alemã fez diversas transmissões à partir do Evereste na faixa de 19 metros. QSL foram emitidos, mas infelizmente não há registros da existência de nenhum na atualidade.

Em 1953, outra expedição alemã contou com equipamentos da Telefunken para transmissões destinadas aos ouvintes da terra natal.

Vinte e cinco anos depois a Alemanha esteve envolvida em outra série de transmissões à partir do Evereste, desta vez em um projeto que contava com a cooperação da França. Em 1979, um grupo de sete pessoas das duas nações europeias levou um transmissor portátil usado para informar periodicamente o progresso da escalada.

As transmissões eram recebidas na embaixada francesa em Kathmandu e então reenviadas ao Symphonie, o satélite franco-alemão sobre o Oceano Índico. O conteúdo era disponibilizado para difusão local e internacional tanto a partir da França como Alemanha. A partir do topo eles descreveram a paisagem como “de tirar o fôlego”.

O Canadá também participou de projetos semelhantes e chegou a instalar um estúdio de TV completo no Hotel Everest Sheraton, em Kathmandu, a partir do qual a programação era enviada via satélite à audiência local no Canadá, à BBC de Londres e NHK em Tóquio. Para que tais transmissões ocorressem, foram necessários 300 carregadores para levar os equipamentos ao Acampamento Base.

Transceptores portáteis para a faixa de dois metros também foram usados para a comunicação entre os alpinistas e os vários acampamentos, como fez a equipe sulafricana em 2007.

Além disso, o Evereste também fez parte de três diferentes tentativas de transmissões pelo Nepal. O World Radio TV Handbook de 1963 tinha um anúncio de meia página de uma estação comercial cuja instalação foi planejada pelo Nepal.

Uma empresa de radiodifusão registrada em Zurique, Suíça, como Himalayan Broadcasting System anunciou que planejava iniciar o serviço “Voice of the Himalayas” no Nepal entre 1963 e 1964. A programação seria destinada à Ásia e Oriente Médio em dez idiomas.

Tudo que foi revelado sobre a potente “Voice of the Himalayas” é que a emissora competiria com o serviço comercial da Rádio Ceilão. Ao que parece, o governo nepalês nunca forneceu a licença para este ambicioso projeto.

Em 1996 um consórcio nepalês inaugurou uma estação de FM em Kathmandu com o nome Radio Sagarmatha, o nome local do Evereste. Inicialmente foi ao ar sem licença, que foi fornecida apenas um ano depois e exigia uma potência de 100 W.

Um programa em ondas curtas foi lançado em Londres em Abril de 2001 com o nome Radio Everest. Era produzido pela pela comunidade nepalesa que vive na Inglaterra e consistia de segmentos de uma hora quatro vezes por mês a partir do transmissor da ORF em 7235 kHz a partir de Moosbrunn, na Áustria. Devido à falta de verba, a Rádio Evereste deixou de existir dez meses depois. Mesmo assim ela emitiu um bonito cartão QSL, obviamente mostrando o Evereste.

Artigo traduzido mediante autorização do autor. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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