Sopa de letrinhas na Nova Zelândia

18 09 2015

Adrian M. Peterson

Historiadores interessados na origem de diversos pratos dizem que a sopa de letrinhas tornou-se popular nos Estados Unidos depois da Guerra Civil. Antes disso as mulheres podiam comprar macarrão desidratado que era cortado em formato de estrela, sendo assim usado na sopa.

Depois dessa desastrosa guerra (que de civil não tinha nada), um empresário inteligente começou a cortar o macarrão desidratado no formato de letras. Estes formatos novos foram um sucesso entre as famílias, principalmente entre as crianças que gostavam de brincar com a comida.

Diversos jornais do período de 1880 tinham receitas de sopas de letrinhas, embora em todas houvesse o uso de macarrão desidratado. Hoje elas são fabricadas por diversas empresas, em vários formatos e conteúdos.

Na Austrália, a sequência alfabética de indicativos de estações de rpadio que vai de VLA a VLZ foi estabelecido há mais de 100 anos. Da mesma forma a Nova Zelândia adotou a “sopa de letrinhas” que ia de ZLA a ZLZ.

Neste artigo será dada ênfase aos 26 indicativos neozelandeses, com a história da primeira estação da lista, ZLA. Há mais de cem anos teve início simultâneo a construção de duas estações de rádio de alta potência, ZLA no norte e ZLB no sul.

Foram realizados leilões dessas duas estações costeiras em 1910 e o vencedor foi a Australasian Wireless Company, de Sydney, Nova Gales do Sul.  Os equipamentos destas estações foram fabricados pela alemã Telefunken, sendo que técnicos alemães contratados pela AWA efetuaram a instalação.

A primeira dessas estações, ao menos em ordem alfabética, ficava no extremo da ilha do norte, na base da península setentorial. Foi instalada em um terreno plano entre os vilarejos de Awanui e Kaitaia, a cerca de seis quilômetros da costa da baía de Ahipara e 18 da baía Doubtless. Ela foi construída com propósito de estabelecer comunicações em telegrafia entre a Nova Zelândia e Fiji, embora tenha sido usada posteriormente para contatos com Sydney e navios no Pacífico Sul.

Ela foi instalada em um terreno de 100 acres, dois quais 60 foram necessários para erguer as torres, antenas e sistemas de contrapeso. A torre de aço triangular pesava 60 toneladas e tinha 122 metros de altura montada sobre uma grande bola de ferro a qual era unida por um isolador de vidro. Havia uma escada na parte inferior que chegava até o topo.

A parte superior do cabeamento de suporte funcionava como um radiador tipo guardachuva e a parte inferior era fixada a três grandes sapatas de concreto com 150 toneladas cada. O sistema de aterramento era suspenso por estacas de madeira com 4,5 metros de altura e coberto por um círculo de 500 metros de largura.

Duas antenas adicionais consideravelmente menores foram usadas, às vezes no período noturno e ocasionalmente em situações de emergência. Uma das primeiras conclusões as quais os operadores chegaram é que a área de cobertura era maior durante o período da noite e em eclipses.

O prédio principal da estação de Awanui abrigava diversos equipamentos operacionais e um transmissor de centelhamento de 30 kW fabricado pela Telefunken. O receptor, um simples modelo a cristal era operado em uma sala adjacente. A energia era gerada por um motor de 70 cavalos instalado em um prédio separado.

A estação foi ativada em 27 de Março de 1913 sob o indicativo NZA, indicando estação A da Nova Zelândia em Awanui, e talvez para Auckland. Ela passou a operar regularmente em 18 de Dezembro do mesmo ano e o indicativo foi trocado para VLA devido a novas regulamentações internacionais.

Durante a I Guerra Mundial, um destacamento de 65 soldados montou guarda na estação de Awanui por precaução contra possíveis atos de sabotagem. A estação serviu como vínculo vital para comunicação do Império Britânico com operações no Pacífico Sul.

Em 1924, os equipamentos da estação VLA foram trocados pela Telefunken por similares à válvula.

Em 1927 o indicativo foi modificado novamente, desta vez para ZLA, mais uma vez por conta de modificações de regras internacionais. O indicativo VLA passou a ser usado por uma pequena estação construída na ilha Bruny, próximo à Tasmânia e posteriormente por um transmissor STC-AWA da Rádio Austrália em Shepparton, Victoria.

Após 17 de serviço a estação foi fechada. O encerramento ocorreu em 10 de Fevereiro de 1930.

A estação foi desmontada pelos seus últimos dois funcionários, o superintendente Les Elliston (ZL1GR) e o engenheiro Bill Walker.  A torre foi derrubada em Dezembro de 1930. Quatro anos depois, a família comprou a propriedade do governo, incluindo os prédios.

Este foi o fim da estação, mas não do indicativo. Um grupo de radioamadores neozelandeses sabendo da importância da estação solicitou uma licença para operar no mesmo local e com o mesmo indicativo. A data comemorativa foi 10 de Fevereiro de 1980, que marcou os 50 anos do seu encerramento.

O indicativo ZL1VLA foi disponibilizado e o fazendeiro Ricky Lisle limpou os prédios usados no passado de forma que cinco radioamadores pudessem operar no mesmo lugar dos antigos funcionários da estação. Itens com valor histórico foram expostos em três locais próximos para homenagear a ocasião.

Esteve presente na ocasião o último superintendente da estação, Les Elliston. O evento entrou na história.

Mas, novamente não foi o fim do indicativo. Em 1995 o conglomerado norteamericano Globe Wireless construiu uma estação de ondas curtas no mesmo local na Wireless Road, sob o indicativo ZLA.

A Globe  Wireless instalou oito transmissores de 2 kW para o serviço em modo SITOR para comunicação com embarcações nas águas do Pacífico Sul. Foi instalada uma antena vertical omnidirecional para cada faixa marítima de ondas curtas.

A estação de recepção fica a 15 km  e conta com uma série de receptores TCI 8074 conectados a uma antena discone para todas as faixas. Embora a estação fique na Nova Zelândia, ela é controlada a partir da sede da Globe Wireless na Califórnia.

A estação ZLA, uma da rede composta por 24 estrategicamente localizadas no mundo todo foi usada por cerca de 20 anos, tendo sua operação encerrada em 2014, quando a Globe Wireless fechou suas estações de ondas curtas e as vendeu à Imarsat. Pela terceira vez a estação de Awanui foi fechada. Será desta vez para sempre? Enquanto isso, as embarcações podem circular tranquilamente na região desta história estação de rádio.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: