O naufrágio do Titanic: corrida pelo resgate

15 08 2015

Adrian M. Peterson

O trágico naufrágio do Titanic no Oceano Atlântico, ao sul da ilha de Newfoundland, ocorreu há mais de um século, mas os detalhes de todos os eventos associados a ele ainda chamam a atenção de pessoas do mundo inteiro ainda hoje. O Titanic naufragou em sua viagem inaugural da Europa aos Estados Unidos há exatos 103 anos, com a morte de 1500 pessoas. Foram resgatadas mais de 700 pessoas por outro navio de passageiros, o Carpathia.

O Titanic foi considerado na época o maior navio e, na opinião de algumas autoridades, impossível de naufragar devido as inúmeras medidas de segurança incorporadas a sua construção. Entretanto, pouco antes da meia-noite de 14 de Abril de 1912 o navio colidiu com um enorme iceberg que abriu um rasgo com mais de 91 metros de comprimento em seu casco. Duas horas e meia depois ele afundou e partiu-se em dois pedaços, terminando a mais de 3 km de profundidade, nas profundezas do Atlântico.

Foram feitas muitas pesquisas por historiadores do Titanic e um registro completo de todas as transmissões em Código Morse, com horário e origem de cada transmissão. Um total de quase 30 navios participaram das transmissões relacionadas ao Titanic e seus transmissores de bordo, que operavam sob o indicativo Marconi MGY.

Por algum tempo houve a crença de que nenhuma das transmissões associadas à tragédia do Titanic sequer chegaram à Europa. Entretanto, pesquisas recentes revelaram que algumas delas chegaram a ao menos três localidades do Velho Continente.

No cenário de tais transmissões, o radioamador galês Arthur Moore, de Gelligroes Mill, captou o “CQD de MGY” e mensagens subsequentes. Ele informou o naufrágio do Titanic à polícia local, mas a informação não foi levada à sério. Marconi soube posteriormente da captação dos sinais do Titanic feita por Moore e ele foi convidado a trabalhar para a Marconi, empresa a qual serviu por mais de 30 anos.

Outro funcionário da Marconi que captou transmissões associadas a tal evento foi o Tenente-Coronel Baytun Hippisley. Por volta de 1910, Baytun Hippisley obteu uma licença do Departamento de Correios e operou uma estação radioamadorística sob o indicativo HLX. No momento do naufrágio, ele estava a cargo da estação da Marconi em Lizard in Cornwall, indicativo GLD, e captou as transmissões do Titanic.

Em Viena, Áustria, o filósofo e cientista Carl Unger também captou as mensagens CQD e SOS do Titanic. A revista norteamericana “Broadcasting” publicou uma foto dos equipamentos de Unger datada de 1 de Junho de 1937.

Quando as notícias tornaram-se conhecidas, muitas embarcações no alcance das transmissões de rádio foram ao resgate e o primeiro a chegar foi o Carpathia (indicativo MPA) a socorrer 705 pessoas das águas congelantes. Houve outra corrida envolvida com os eventos do Titanic, e ela ocorreu na estação MCE, localizada em Cape Race, ao sul de Newfoundland.

Cape Race fica ao sul da Península Avalon. Trata-se de um platô elevado com penhascos que vão até o oceano. O nome Race vem da palavra portuguesa “raso”.

Um farol foi instalado em Cape Race em 1851 e substituído por um farol regular cinco anos depois. O prédio do farol atual, que é considerado patrimônio histórico, foi construído em 1907.

Por conta da localização, Cape Race passou a ter grande importância para a navegação transatlântica e vários equipamentos de comunicação foram instalados, entre eles:

* Farol maior;

* Sirene de nevoeiro que podia ser ouvida a 40 km;

* Estação telegráfica ligada ao sistema de cabo de Newfoundland a Nova Iorque;

* Estação da Marconi.

A estação telegráfica de Cape Race foi instalada em 1859, e na época existia o costume por parte das tripulações passando pela região de lançar latas com jornais na água. Essas latas podiam ser recuperadas pelo pessoal da estação ou mesmo por pescadores locais. Notícias importantes obtidas desta forma eram então telegrafadas para Nova Iorque para disseminação em jornais nos Estados Unidos.

A estação de rádio foi instalada pelo pessoal da Marconi e inaugurada em 1904 sob o indicativo CE, a primeira e última letra da localidade. Em 1912, antes dos eventos do Titanic, todas as estações da Marconi tiveram a letra M adicionada ao início do indicativo, e CE tornou-se MCE, sendo que nos anos seguintes ele tenha sido modificado para designação de Newfoundland, VCE.

Durante o naufrágio do Titanic, todos os três operadores em Cape Race participaram das comunicações; Walter Gray, J. C. R. Godwin e Robert Huntston. Imediatamente antes da colisão com o iceberg, Jack Phillips enviava as mensagens do Titanic para a MCE de conteúdo pessoal e corporativo.

Devido ao fato de que o Titanic estava operando segundo o horário local no oceano e Cape Race segundo o horário do Leste, houve certa confusão. Cerca de 20 minutos antes da meia-noite, a primeira mensagem de socorro foi transmitida pelo Titanic, e a partir disso Cape Race passou a ser o ponto principal do tráfego de rádio, tanto de embarcações no oceano como de localidades em terra no leste da América do Norte.

Ao longo dos anos, a estação sofreu com algumas tribulações, entre elas dois incêndios, em 1910 e 1913, sendo em ambas reconstruída. Ela foi fechada em 1965 e 35 anos depois uma réplica da construção foi feita no local e tornou-se uma importante localidade histórica, conhecida como Myrick Historic Centre.

Artigo traduzido mediante autorização do autor. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


Ações

Information

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: