A SABC – 79 anos de transmissões

14 02 2015

Gab Mampone

Há poucos meios de comunicação que tenham contribuído mais para a integração global nos últimos cem anos que o rádio.

Desde a invenção do telégrafo sem fio por Guglielmo Marconi no início do século 20, grandes avanços tecnológicos e científicos  tem forte presença do rádio, incluindo transmissões extraterrestres, Radiodifusão de Áudio Digital (DAB), Rádio Digital Mundial(DRM), streaming web, assim como de conteúdos visuais e FM.

A origem da SABC remete ao uso do rádio por militares do exército da República Transvaal na Guerra Anglo-Boer no início do século passado e a demonstração pública desta tecnologia na Exposição do Império Britânico em 1922.

A primeira emissora de rádio do país, a ‘JB Calling’, começou a transmitir a partir de Joanesburgo em 1 de Julho de 1924, sendo seguida em 1924 por uma estação em Cape Town e outra em Durban. As três emissoras foram combinadas posteriormente para formar a Empresa de Radiodifução Africana em 1 de Abril de 1927. Em 1936 ela foi dissolvida e deu lugar a Empresa de Radiodifusão da África do Sul (SABC), estabelecida por um Ato do Parlamento como nova emissora pública de radiodifusão e que em 2015 completará 79 anos de serviços.

Emissoras em todo o país No início da década de 1940 as primeiras transmissões diretas em idiomas africanos foram feitas por cabos telefônicos e nos anos 1950, a Rádio Springbok – primeira emissora de rádio comercial do país – inaugurou uma nova era na radiodifusão, com shows, novelas e comédias. Na década de 1960 surgiram emissoras regionais em Cabo e Natal, enquanto a Rádio RSA começou a emitir seu serviço mundial.

Em meados de 1970, a SABC assumiu o controle da emissora moçambicana Rádio Lourenço Marques, relançando-a como Rádio 5 e posteriormente como 5FM. Como resposta à várias emissoras “independentes” que não pertenciam à SABC, a Rádio Metro – que tornou-se posteriormente Metro FM – foi inaugurada com uma emissora comercial com forte programação musical voltada à classe média negra na década de 1980. Três emissoras com programação étnica – isiSwazi, isiNdebele e em Hindu foram criadas na mesma década.

Para substituir as emissoras que transmitiam em Inglês e Africâner assim como a Rádio Springbok, na meia noite de 31 de Dezembro de 1985 foram ao ar a Rádio África do Sul (que agora se chama SAFM), Rádio Suid Afrika (atual RSG), Rádio 2000 e outras três estações regionais em Pretória, Bloemfontein e Port Elizabeth.

Adaptando-se ao novo milênio Como emissora estatal, a SABC foi criada com monopólio sob serviços de radiodifusão que enfatizava a divisão étenica existente no regime vigente. O Ato de Autorização de Radiodifusão Independente encerrou o monopólio, abrindo os mercados de rádio e televisão à competição. A emissora estatal passou a ser pública, o que permitiu a radiodifusão comunitária pela primeira vez. O novo governo democrático liderado pelo Congresso Nacional Africano (ANC) permitiu a participação popular tanto quanto a geração de conteúdo como transmissão.

No início da década de 1990 houve uma grande reestruturação na SABC. Os portfólios das emissoras de rádio e televisão foram totalmente reformulados e deu-se início às transmissões por satélite e a abertura à criação de novas emissoras.

O serviço de Radio Data System (RDS) em FM começou em 1992 e em 1995 a SABC começou a transmitir por meio do satélite PAS-4, disponibilizando seus serviços nacionalmente. A SABC vendeu suas seis emissoras regionais e relançou seu portfólio em Setembro de 1996, quando a Rádio RSA passou a se chamar Channel Africa. As primeiras emissoras comunitárias foram ao ar em 1995 e a primeira estação privada independente surgiu em 1997.

O século 21 marcou a abertura das portas às “micro-emissoras”, estações de baixa potência operadas por pessoas físicas, associações de bairro ou entidades comunitárias.

A SABC hoje…
A SABC é composta pelo Serviço Público de Radiodifusão (PBS) e Serviço Público Comercial (PCS). A PBS é representada por nove emissoras em idiomas tribais, com os dialetos Khoi e San também representadas no portfólio da X-K FM, assim como Inglês e Africâner. Tanto a SABC 1 como a SABC 2 ficou sob o portfólio da estação de televisão da PBS para os mercados de destino.

Com base nas perspectivas econômicas, sociais e políticas, as estações da PCS irradiam conteúdos de entretenimento e esportivos assim como informativos destinados à sua audiência alvo – jovens e adultos de regiões urbanas. A estação de TV SABC 3, que também opera sob o portfólio da PCS disponibiliza um serviço similar.

… o amanhã.
Com alcance sobre 90% da África do Sul, o rádio é o meio principal e líder como fonte de informações para todos os habitantes do país – de zonas rurais, urbanas, metropolitanas, pequenas cidades e vilas.

A desregulação proporcionou um aumento na competição pelos mercados. Atualmente existem 18 emissoras da SABC, seis estações novas, nove independentes e mais de 60 comunitárias competindo pelo mesmo mercado com cinco emissoras de TV, mais de 500 revistas e 100 jornais.

Com duas novas emissoras de TV e mais de oito de rádio operando em meados de 2008, a SABC mantém seu compromisso em disponibilizar conteúdos exclusivos autorizados pela ICASA (agência reguladora de comunicações do país). A programação consiste de conteúdos infantis, documentários, esportes, sessões do parlamento, educacionais em idiomas tribais e Africâner, notícias, novelas, voltados ao público portador de necessidades especiais, aos jovens e culturais.

As novas licenças para estações comerciais impactarão nas já existentes pois há vários mercados, forçando a programação a ser focada em determinados gêneros, como os de jovens, jazz e blues.

Dependendo da quantidade de frequências em FM disponíveis isso pode criar uma oportunidade para transmissões via satélite, meio que na Inglaterra sofreu um aumento na audiência de 35%. Isso cria uma oportunidade para o rádio usar a televisão como plataforma de marketing.

Artigo traduzido mediante autorização do autor. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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