A Nova Caledônia e a estação de rádio norteamericana

25 01 2015

Adrian M. Peterson

Esta ilha francesa com nome escocês no Pacífico Sul foi descoberta por um inglês e chegou a contar com uma população temporária proveniente dos Estados Unidos maior que a local. Esta é a Nova Caledônia! Essa ilha tropical fica 1207 km à leste da Austrália; possui uma rica diversidade maior de pássaros, animais e vegetação que as Ilhas Galápagos, conforme notado pelo naturalista inglês Charles Darwin; e é a casa de uma população que fala mais de 40 idiomas locais.

O território francês da Nova Caledônia engloba mais de 250 ilhas, 40 das quais são desertas. Os habitantes originais da Nova Caledônia era integrantes do povo Lapita, que provavelmente vieram de Taiwan a dois ou três mil anos atrás. Sua cultura desenvolveu um tipo de cerâmica ornamentada que foi descoberta por dois arqueólogos norteamenticanos em mais de 30 locais no país.

O capitão James Cook, explorador da Marinha Real Britânica, foi o primeiro Europeu a pisar naquelas terras, em sua segunda viagem ao Pacífico Sul em 1774. Ele batizou a ilha como Nova Caledônia, um nome latino para Escócia, porque o terreno lembrava tal país. O primeiro visitante francês foi Jean-Francois de Galaup, com as fragatas “Astrolabe” e “Boussole” em 1788.

Por mais de meio século houve pouco contato entre a Europa e a Nova Caledônia, mas a partir de 1840 os europeus passaram a ter maior interesse nas ilhas devido à existência de sândalo e níquel. Missionários cristãos chegaram da Inglaterra por volta de 1800 e viram que o canibalismo era galopante entre os povos Kanaka, sendo que muitas dessas ocorrências estavam à crenças locais.

Sob as ordens de Napoleão III, o almirante Febvrier Despointes assumiu a posse formal da Nova Caledônia como parte do império francês no Pacífico em 24 de Setembro de 1853; e Noumea, a capital, foi oficialmente fundada em 25 de Junho de 1854. Nos próximos 50 anos ela serviu como colônia penal para criminosos franceses capturados em diversos períodos.

Após a queda da França durante a II Guerra Mundial, o Conselho Geral em Noumea optou por dar apoio ao governo em exílio e o governador pro-Vichy foi forçado a ir para a IndoChina Francesa.

Com o auxílio da Austrália, a Nova Caledônia tornou-se uma importante base aliada durante a II Guerra Mundial e o primeiro comboio de 15 navios norteamericanos chegou em 12 de Março de 1942. Durante a Guerra no Pacífico, mais de um milhão de norteamericanos estiveram lá. Na época, a população da ilha era de 250 mil habitantes.

Os norteamericanos construíram instalações portuárias e 85 galpões para acomodar suprimentos para as forças no Pacífico Sul. Instalações médicas para a Marinha incluíam dois hospitais em Noumea, cada um com dois mil leitos. Duas pistas de pouso foram construídas, uma em Tontouta, a 55 km de Noumea e outra na Baía Magenta.

A primeira emissora de rádio voltada ao esforço de guerra a ir ao ar na Nova Caledônia constituía de uma pequena unidade instalada no prédio da Cruz Vermelha em Noumea. O equipamento para ondas médias foi adquirido na Austrália e entrou em operação em 5 de Setembro de 1943 aparentemente em 965 kHz.

Essa estação informal foi assumida pelas forças norteamericanas e substituída por uma oficial em Janeiro de 1944,  também em 965 kHz. Identificou-se inicialmente como All Services Radio, nome seguidamente substituído por American Expeditionary Station (Emissora Expedicionária Americana) e Allied Expeditionary Station (Emissora Expedicionária Aliada).

Quando a série de indicativos oficiais WV e WX foram alocados às estações de entretenimento das forças norteamericanas no mundo todo a de Noumea passou a ser WVUS. Na época, todas as emissoras adotaram a mesma nomenclatura; AFRS, Armed Forces Radio Service.

Na época, três estações da AFRS foram instaladas simultaneamente no Pacífico Sul; as duas primeiras em Guadalcanal e Bougainville, nas Ilhas Salomão e a WVUS de Noumea a terceira, seguida por outra em Espirito Santo, nas Novas Hébridas.

A WVUS tinha melhores equipamentos que as estações de Guadalcanal e Espirito Santo. A WVUS, com um transmissor de 1 kW agora em 975 kHz, serviu como estação principal da Rede Mosquito, um grupo de emissoras isoladas em várias ilhas do Pacífico Sul.

A programação de cada uma era produzida localmente ou extraída ao vivo de conteúdos transmitidos dos Estados Unidos. Em Novembro de 1944, um programa especial produzido pela WVUS foi retransmitido ao vivo pelas outras emissoras da Rede Mosquito: WVUQ – Guadalcanal, WVUR – Espirito Santo e 1ZM – Auckland (Nova Zelândia).

A WVUS foi fechada em Novembro de 1945 e o transmissor enviado a Guadalcanal, onde foi recondicionado para servir à WVUQ. As novas instalações da WVUS foram inauguradas no aeroporto de Tontouta no mesmo mês. A nova emissora, com equipamentos diferentes, mesma potência (1 kW) e mesmo canal (975 kHz). Entretanto, a emissora passou a ser controlada pela Força Aérea dos Estados Unidos e não fez mais parte da Rede Mosquito.

A nova WVUS permaneceu no ar por menos de um ano e foi fechada no dia 15 de Junho de 1946. Entretanto, uma revista australiana de 2 de Novembro de 1946 informou que três estações da AFRS no Pacífico Sul previamente fechadas foram captadas na Nova Zelândia no final de Setembro, incluindo a WVUS, a partir da base da Força Aérea de Tontouta, na Nova Caledônia.

A WVUS era captada constantemente na Austrália e Nova Zelândia com bons sinais  e ao menos uma confirmação é conhecida. Arthur Cushen, no livro “World in my ears” disse ter recebido um cartão QSL preparado da emissora durante o período da guerra no Pacífico.

Artigo traduzido mediante autorização do autor. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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