O Sony SRF-59

17 01 2015

Kevin Schanilec

O Sony SRF-59, foi um rádio de bolso pequeno e barato que começou uma verdadeira revolução na comunidade Dexista de Ondas Médias. O início foi com uma avaliação por Gary DeBock no final de 2007 no site dxer.ca que incluiu outros rádio “ultraleves”, espalhando-se rapidamente  pela América do Norte e segue mundo afora.

Nas primeiras três semanas de uso por vários Dexistas, diversas 1captações transoceânicas foram efetuadas, sendo que muitos ultrapassaram 100 emissoras (um deles em apenas três dias!). Neste período, ao menos 50 Dexistas experientes compraram essa pequena maravilha utilizando-o como um de seus receptores principais. Muitos captaram diversas emissoras totalmente inéditas – com qualquer combinação de receptor ou antena! Vários concursos foram idealizados no sentido de quebrar recordes de distância ou de obter captações de certas regiões. Todos esses recursos e diversão por menos de US$20,00.

Para ajudar aos que tenham interesse em um receptor como o SRF-59 ou queiram dicas para com ele obter mais captações, segue um conjunto de informações sobre como usá-lo como um receptor real para DX.

A família do SRF-59

O SRF-59 foi a última evolução de uma história que a Sony começou aproximadamente em 1992 com o SRF-39, que vinha em uma caixa plástica transparente (voltado ao uso em prisões) e o modelo esportivo SRF-85. O SRF-49 chegou ao mercado em 1997, seguido pelo estiloso PSY-03 em 1999 (disponível em várias cores) e finalmente o SRF-59 em 2001. Todos os modelos citados são bastante similares, tendo essencialmente o mesmo circuito e controles. Cada um é (foi) vendido por menos de US$20,00.


Diferenças gerais:

– O formato dos modelos antigos era mais quadrado, enquanto o SRF-59 tem linhas mais curvilíneas;

– O SRF-39 possui escala logarítmica;

– O SRF-39 possui uma catraca no mecanismo de sintonia;

– Houve uma versão com ondas longas voltada ao mercado europeu, o SRF-39L;

– O botão de sintonia era maior nos modelos antigos, fazendo com que tal procedimento seja um pouco mais difícil no SRF-59.  Os controles de volume e sintonia no SRF-85 ficam no lado de fora da caixa, tornando a sintonia um pouco mais fácil.

– O SRF-85 possui um controle automático de volume para mantê-lo em 85 ou 95 dB para quem o utiliza em corridas ou caminhadas;

– O clip para cinto nos modelos antigos precisava ser puxado e deslizado para o lado para remoção, sendo que no SRF-59 ele sai muito mais facilmente.

O SRF-59 é encontrado facilmente em lojas e na internet. Uma busca rápida mostrou que unidades do SRF-39FP e SRF-49 ainda podem ser encontradas, inclusive no eBay. Modelos mais antigos geralmente possuem bom alinhamento, enquanto no SRF-59 isso é um pouco mais variável (vide item “Mantendo seu SRF-59). Como o PSY-03 foi provavelmente fabricado para exportação, não consegui adquirí-lo.

O que o torna pequeno

O coração da família SRF-59 é o circuito integrado proprietário da Sony, CXA1129N. Como pode ser visto no manual do PSY-03, este componente possui todos os circuitos necessários para um receptor AM/FM. Ele apenas não possui a etapa final de amplificação, mas o conjunto forma um receptor bastante sensível e seletivo. Não surpreende o fato da Sony manter grande segredo quanto ao CXA1129N, não o fornecendo para outras empresas.

A primeira referência feita ao CXA1129N foi em um artigo de 1992 intitulado “CI de baixa tensão para rádios” (do nome em Inglês). Entre os destaques estão a excelente seletividade pelo uso da frequência intermediária em AM (55 kHz) e e mixagem em quadratura com rede em troca de fase, proporcionando um circuito com boa rejeição à imagens. O CI opera com tensões inferiores a 0,95 V, fazendo com que uma pilha seja suficiente por longo período. Dependendo do volume, a pilha pode durar entre 100-200 horas!

Além dos cinco receptores citados acima, o CXA1129N também foi usado em quatro modelos ainda menores: o SRF-S80, -S83, -S84 e -S87. Esses modelos possuem antenas de ferrite ainda menores, resultando em diferente seletividade, sensibilidade e nulos, mesmo assim tendo boa performance para seu tamanho.

Funções e performance do SRF-59

Muitos foram os testemunhos de Dexistas anteriormente céticos que se surpreenderam com essa pequena maravilha. Além do pioneirismo de Gary DeBock mencionado acima, outros comparativos citando as capacidades e limitações do SRF-59. Segue um resumo da sua performance em várias categorias importantes para os Dexistas:

1 – Sensibilidade – com uma antena de ferrite de 1-3/4″, o SRF-59 é capaz de fazer boas captações DX. Na categoria ultraleve ele tem como competidor direto apenas o Sony SRF-T615 (que usa o CI CXA1111N). Um comparativo com alguns de seus irmãos maiores, como o ICF-SW7600GR e o ICF-2010 mostrou que é possível obter muito com uma antena pequena. Um SRF-59 bem alinhado é forte competidor contra qualquer receptor ultraleve.

2 – Seletividade – neste quesito o SRF-59 é realmente espetacular. Não há como compará-lo com nenhum outro equipamento do gênero. De acordo com um artigo de 1992, a filtragem integrada de FI tem uma largura de banda de cerca de 5 kHz a -6 dB. Entretanto, ele não é tão preciso quanto em um receptor de comunicações e soa como um filtro de 6 ou 7 kHz. Sob quaisquer condições ele proporciona uma seletividade superior a qualquer receptor de sua categoria.

3 – Nulos – novamente o SRF-59 foi o melhor em sua categoria. Com antena de ferrite na parte superior da caixa e longe de outros componentes, os nulos deste receptor são fenomenais. Emissoras locais que em outros equipamentos são imunes a nulos podem nele apresentar desvanecimento ou até mesmo desaparecer. Note que o melhor nulo pode ser obtido com o receptor quase na vertical, o que pode proporcionar a recepção de bons DX. Como ele é pequeno, fica fácil manter o nulo, especialmente se você estiver sentado no conforto de sua cadeira favorita. O SRF-T615 é o único receptor desta categoria a estar no mesmo nível do SRF-59.

4 – AGC – o controle automático de ganho é excelente no SRF-59, proporcionando um nível constante de áudio ao percorrer a faixa.

5 – Fidelidade de áudio – para escuta de música e voz, a maioria deles possui fidelidade muito boa. Sua filtragem proporciona fidelidade levemente inferior em frequências altas em comparação com o Sony ICF-2010 usando filtro largo, mas mesmo assim possui boa performance. Não há controle de tonalidade, então equipamentos como o Sangean DT-210V, que possui recurso de reforço de graves podem parecer mais agradáveis. Encontrei um comparativo do áudio em FM do SRF-59 e do Sangean DT-200V (que é essencialmente igual ao DT-210V) e a conclusão foi de que o DT-200V era melhor na faixa de FM. Mesmo assim o som do SRF-59 é muito bom.

6 – Imagens – por conta do CI utilizado, elas não existem.

7 – Precisão de sintonia – esta é outra área em que os rádios ultraleves apresentam bom rendimento. A menos que ele seja utilizado em um ambiente urbano ou com sinais que permitam a você saber onde está no dial, a pequena escala analógica pode dificultar sua vida, especialmente na parte superior do dial. Conforme informado acima, os três modelos mais antigos são mais fáceis de sintonizar devido ao controle ser externo à caixa.  Se houvesse uma versão PLL do SRF-59, ele seria quase perfeito.

8 – Ruído do circuito – há algum ruído interno gerado pelo receptor, embora não seja audível a não ser que você use bons fones de ouvido e esteja em um cômodo realmente silencioso. Creio que ele esteja no mesmo nível gerado pelo Sony ICF-2010. De qualquer forma, sob condições normais de escuta e com volume normal ele tende a nem ser percebido, fazendo com que tal fator tenha importância mínima.

9 – Espúrios/apitos – Gary DeBock encontrou um espúrio perto dos 730 kHz durante um de seus testes, embora eu não o tenha encontrado nem lá e tampouco em qualquer outro ponto do dial. Estou certo que uma análise detalhada pode me levar a encontrar algum, mas até o momento isso não aconteceu.

10 – Sobrecarga – mesmo quando acoplado a uma antena loop de tamanho grande, sinais locais não causam distorção. Como vivo em um ambiente com forte poluição de RF, achei isso particularmente interessante.

11 – Estabilidade – Não notei nenhum problema de desvio de frequência durante minhas escutas.

12 – Controle de qualidade – em geral, ele é muito bom. Modelos mais antigos do SRF-39 eram conhecidos pelo bom alinhamento, enquanto algumas unidades do SRF-59 precisaram de ajustes. Outra consideração é que o capacitor variável do SRF-59 apresenta falhas ocasionais, aparentemente devido a quebra das suas folhas metálicas; o resultado é um som “raspando” e um mecanismo de sintonia mais difícil de operar.

O quê o SRF-59 pode captar?

Como resultado dessas qualidades, os Dexistas mais experientes ficaram estupefatos com o que é possível ouvir no SRF-59. Tanto para recepções domésticas como de outros países, esse pequena maravilha pode captar de tudo. Seguem alguns dos recordes de distância:

Potência (Watts)

Destino

Captada em

Distância (km)

Indeterminada

BSKSA – 1521 – Arábia Saudita St. John’s, NF

8730

50000

RVC – 530 – Turks & Caicos Victoria, BC

5475

10000

WKAQ – 580, San Juan, Porto Rico Savannah, GA

2170

5000

KABC – 970, Los Angeles, CA Salmon Creek, WA

1335

1000

KVNS – 1700, Brownsville, TX Brainbridge Island, WA

3245

500

KLSQ – 870 – Whitney, NV Brainbridge Island, WA

1435

250

XEUACH – 1610, Chapingo, México Krum, TX

1540

Fazendo seu SRF-59 render ainda mais

Embora seja um receptor muito competente em condições originais, com um pouco de imaginação, as limitações do SRF-59 podem ser superadas e suas qualidades ainda mais exploradas.

Para aumentar a sensibilidade, uma antena loop passiva é um acessório de grande valia. Tanto de construção caseira como comercial, a maior parte delas renderão bem com o SRF-59. Tenho uma loop de 70 x 105 cm que rende muito bem com ele. No caso de loops com núcleo de ar, a transferência máxima de sinal ocorre com o receptor dentro e no centro dela; entretanto, posicionar o SRF-59 na área externa e a uma certa distância faz com que haja melhora na seletividade.

O projeto de uma antena loop de ferrite compacta foi publicada por Gil Stacy na página de downloads do site dxer.ca e pode ser consultado caso você queira construí-la, servindo inclusive como dispositivo de acoplamento entre o SRF-59 e uma antena EWE. Uma versão mais recente combina as duas funções em uma única caixa. Ao sintonizar dois SRF-59 em uma mesma frequência ocorre o acoplamento passivo entre eles; a melhora no sinal não é tão grande como o de uma Terk Loop ou similar, mas ainda assim é interessante.

Se você tiver uma Quantum Loop ou equivalente, o SRF-59 pode ser fixado à loop, permitindo giro de 360º para obtenção de nulos (nota: a influência da loop pode diminuir a profundidade do nulo). Com a alimentação desligada, o sistema passivo ainda funciona e você pode melhorar o sinal substancialmente. Ao acionar o multiplicador de Q é possível estreitar a largura de FI, uma vez que a loop subjuga a antena de ferrite do SRF-59.

Com relação a orientação para obtenção de nulos, descobri que colocar o SRF-59 em um pequeno tripé plástico para uso com câmeras permite o posicionamento preciso e sua manutenção. É necessário cuidado para que não haja influência das mãos e corpo nos nulos.  Fixar o SRF-59 em uma placa de madeira para montagem no tripé é uma excelente solução. Vários foram os relatos de que as mãos e corpo ajudam a melhorar o sinal e aparentemente afetar os nulos. Eu mesmo percebi que na posição de nulo com o SRF-59 em uma mão, ao passar a outra pela antena de ferrite pode haver melhora no nulo.

Quanto a calibragem do dial, precisão e facilidade de sintonia, o artigo de Gil Stacy descreve como um simples disco de plástico ligado ao botão de sintonia do SRF-59 pode ser usado para ter uma escala de sintonia muito mais detalhada. Os botões de sintonia do SRF-39 e SRF-49 são mais acessíveis que o do SRF-59, o que também torna a sintonia mais fácil.

Quanto a reprodução de áudio, a maioria dos Dexistas usa seu fone de ouvido favorito ao invés do que vem com o SRF-59, embora alguns puristas utilizem apenas os itens originais. A saída de áudio é suficiente para quaisquer dos fones que testei. Também uso um Olympus WS3xxM, que me permite arquivar as gravações em formato WMA e possui uma saída para fone de ouvido para monitorar o que está sendo gravado, além de ser bastante compacto.

Para aqueles que desejam modificar o circuito de áudio do SRF-59, no site de Xin Feng há materiais informando quais os capacitores e resistores a serem usados para melhorar a resposta de graves e agudos desses receptores.

Assim como com todos os receptores dotados de antena de ferrite, o faseamento passivo é relativamente simples e com a sensibilidade do SRF-59 os resultados são excelentes. O faseamento de áudio também é uma arma poderosa. Visite o site dxer.ca para maiores detalhes.

Mantendo o seu SRF-59

Fora a troca de pilha a cada 100 horas, realmente não há muito o que fazer, haja visto o baixíssimo consumo dele.

Entretanto, se for necessário alinhamento há um descritivo completo de procedimentos de manutenção descritos no manual do PSY-03. Gary DeBock fez várias dessas operações e publicou um guia de alinhamento mais detalhado no site dxer.ca.

Por conta do seu pequeno tamanho, isso não é necessário para um técnico mais experiente. Ter um SRF-39FP em suas mãos pode ser bastante interessante, pois você poderá ver dentro da caixa e planejar melhor o que fará.

Conclusão

Por quê o SRF-59 conquistou os corações e a imaginação de tantos Dexistas? Há provavelmente muitas razões para isso:

– A quantidade de captações possíveis com um equipamento pequeno e barato;

– A ausência de controles sofisticados;

– O tamanho e a conveniência, fazendo com que o DX seja possível em qualquer lugar que você estiver;

– O excelente áudio;

– A energia e entusiasmo criada por uma nova e diferente forma de praticar o Dexismo;

Fica a dica: compre um ou dois SRF-59 e descubra as razões por si mesmo!

Bibliografia

A avaliação feita por Gary Debock e outros comparativos com outros equipamentos podem ser encontrados na área de arquivos do site dxer.ca. Lá também há materiais sobre antenas loop, faseamento de áudio e muitos outros.

Manuais para a maior parte dos modelos podem ser encontrados facilmente na internet:

Manual de instruções do SRF-49 – clique aqui

Manual de serviço do PSY-03 – clique aqui

Manual de instruções do SRF-59 – clique aqui

Manual de instruções do SRF-85 – clique aqui

Uma descrição completa da teoria e construção do CI CXA1129N pode ser encontrada no artigo “Advanced Low Voltage Single Chip Radio IC”, de Okanobu, Tomiyama e Arimoto, IEEE Transactions on Consumer Electronics, Volume 38, Número 03, Agosto de 1992, pp. 465-475. O artigo completo pode ser comprado no site ieeexplore.org, enquanto um resumo dele pode ser encontrado na área de arquivos de dxer.ca. Outro resumo das funcionalidades do CXA1129N podem ser encontrado no manual de serviço do PSY-03.

Um fórum com comparações na faixa de FM entre o SRF-59 e o Sangean DT-200V pode ser encontrado aqui.

Materiais sobre modificações na etapa de áudio no SRF-49, aplicável aos demais modelos, podem ser encontrados aqui.

Artigo traduzido mediante autorização do autor. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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