O fim das fitas K7 se aproxima

11 01 2015

Depois de 40 anos após o pico da produção de fitas cassete, as vendas enfrentam seu declínio terminal.

Desde a criação na década de 1960 até seu pico de popularidade nos anos 1980, o cassete é parte importante da cultura musical dos últimos 40 anos.

Mesmo assim, especialistas da indústria não crêem em uma longa vida à ela, ao menos no ocidente.

Ele pode ter sofrido com chiado, flutuações flutuações e terminado a vida mastigado em um toca-fitas, mas foi rei por décadas antes dos MP3 e downloads.

Entretanto, o reino do cassete parece ter chegado ao fim.

“Os álbuns em cassete declinaram de forma significativa desde seu pico em 1989, quando atingiram a marca de 83 milhões de unidades no Reino Unido”, disse Matt Phillips, da Indústria Fonográfica Brtiânica (BPI), ao programa “The Music Biz”, do Serviço Mundial da BBC.

“No ano passado a vendagem não ultrapassou 900 mil unidades. É óbvia a queda acentuada.”

História

A Philips, gigante da indústria eletrônica, aperfeiçoou o cassete na década de 1960.

Ela foi concebida para o entretenimento portátil em um mercado dominado por discos de vinil e gravadores de rolo.

Curiosamente a Philips não cobrou royalties sobre a patente do cassette, permitindo assim que várias empresas a fabricassem sem maiores custos. Isso garantiu a larga aceitação dessa nova forma de mídia.

O crescimento das vendas em escala mundial foi enorme. Em seu pico ela correspondeu a 54% do total mundial de vendas de música.

Entretanto, a indústria musical continuou em dúvida quanto ao cassete, principalmente quanto a possibilidade de gravar músicas.

Havia o medo da pirataria “matar a indústria da música”, argumento similar ao existente quanto aos downloads.

Uma coisa que as fitas permitiram foi a criação de coletâneas personalizadas que inclusive serviam como presentes. O processo de criação dessas coletâneas foi imortalizada no romance “High Fidelity”, de Nick Hornby.

O compositor novaiorquino Joel Keller lamenta o fato dos computadores terem aposentado o toca-fitas e diz que a gravação em CDs é bem menos divertida.”

“Eu gostava de sentar em frente ao meu aparelho de som com uma grande pilha de CDs, escolhendo ao acaso quais músicas gravar,” diz ele.

“Meus dedos ficavam um tanto doloridos pois a precisão do tempo era muito importante. Ouvir a música e com isso ajustar o nível da gravação era algo bem mais agradável que registrar em CDs.”

Legado

Entretanto, enquanto os cassettes estão desaparecendo rapidamente das lojas especializadas em música, eles seguem firme nas livrarias.

Seu uso começou com títulos para cegos, sendo que um terço deste mercado ainda é composto por cassetes. A gravação em áudio de um bestseller como “O código Da Vinci” pode vender, apenas no Reino Unido, de 60 a 70 mil cópias.

“Creio que é devido à acessibilidade. Você começa exatamente de onde parou, sendo que com o CD isso é um pouco mais complicado.”

Em mercados como Afeganistão e Índia os cassetes ainda sobrevivem como formato para distribuição de música.

Em alguns países é comum os artistas registrarem suas performances direto em cassette.

Keith Joplin, Diretor de Desenvolvimento da Federação Internacional de Indústrias Fonográficas, disse que na Turquia são vendidas cerca de 88 milhões de cassetes e na Índia 80 milhões, valores que correspondem a 50% dos respectivos mercados. Na Arábia Saudita o valor chega a 70%.

Entretanto, segundo ele isso acontece porque os tocadores de CD não são tão comuns nesses mercados.”

Com o encerramento da produção por parte do maior fabricante norteamericano de fitas magnéticas, existe o medo de que mesmo com demanda não haja mais o que passar pelos cabeçotes.

Termos como “fast forward, rewind, record e pause”, comuns na era das fitas garantem que o legado do cassete sobreviverá.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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