O que fazíamos antes dos scanners?

26 07 2014

Craig Leventhal (com auxílio técnico de Andrew Leventhal)

Lembro-me de quando garoto de ter visto a palavra “POLICE” no extremo superior do dial, acima dos 1600 khz, em um rádio de ondas médias na casa dos meus tios. Soube que a polícia transmitia boletins de ocorrências de maneira a manter a população informada. Essa foi minha introdução no mundo das comunicações e esse rádio está em minha casa até hoje.

O Country Belle em minha parede. As comunicações policiais podiam ser captadas acima dos 1600 kHz.

Sempre que passo por ele penso em como os hobbystas faziam antes da existência de scanners modernos. Não preciso ir além do meu porão para chegar a uma resposta, pois sou colecionador de equipamentos de comunicação antigos há vários anos.

Alguns rádios pré-guerra da Hallicrafters como os S28-S36-S37 captavam de 540 kHz  a 210 MHz. O equipamento da foto acima possibilitava a recepção em FM até 50 MHz.

Após a II Guerra Mundial e antes da popularização da televisão, o rádio era o principal meio de comunicação de massa, portanto faz sentido que a polícia o tenha utilizado para disseminar informações de emergência. Conforme a tecnologia progrediu em meados da década de 1950, a maior parte dos departamentos de polícia migrou para as faixas de VHF e UHF e passou a usar o FM ao invés do AM. A superioridade do FM em comparação com o AM era conhecida nos Estados Unidos desde antes da guerra e ficaram comprovadas com o seu curso. No pós-guerra haviam poucos receptores de VHF disponíveis e muitos deles eram unidades usadas como os BC603/683. Alguns fabricantes fizeram reedições ou atualizaram projetos da época dando novos nomes. Outros tinham unidades em desenvolvimento que foram barradas pos restrições do governos quando os Estados Unidos entraram no conflito. Vários protótipos foram cancelados por medo de que caíssem em mãos inimigas. Um deles foi o Hallicrafters S-27C, que cobria várias faixas até 210 MHz em AM, FM e CW.

 

Conforme a indústria norteamericana voltou a atender o público civil, os radioamadores puderam voltar ao ar. Foram criadas novas faixas radioamadorísticas como as de 50-54 MHz (6 metros), 144-148 MHz (2 metros), 430-450 MHz (70 cm). Isso também significou que eles poderiam construir e experimentar equipamentos nessas novas faixas.

O potencial do uso comercial das faixas de de VHF e UHF não passou despercebido pelos fabricantes que estavam ansiosos para voltar a produzir equipamentos para o público civil. Algumas como a Hallicrafters e EF Johnson passaram a produzir equipamentos de rádio para uso comercial e radioamadorístico.

Então, qual seria o conjunto de equipamentos de uma estação de monitoramento de um hobbista? E um conjunto móvel? Começarei com a estação doméstica. Na época, se você tivesse uma quantia considerável à disposição era possível adquirir equipamentos muito bons. A maioria comprava apenas sobras de guerra com com um ou dois receptores mais modernos. Por conta da importância das ondas curtas na época, era natural que um bom receptor para esta faixa estivesse em qualquer shack. Receptores como o BC-342, BC-348, BC-224, BC-652, TCS e outros podiam ser adquiridos por menos de $10 em lojas especializadas em sobras de guerra. Para a faixa de VHF eram comuns os BC-603 e BC-683, que captavam dos 20 aos 39 MHz.

No início da década de 1950 a produção em massa de receptores de VHF para uso doméstico e automotivo ganhou força. Exemplos incluem a série Monitoradio (Regency) AR que cobria a banda aérea (108-136 MHz), VHF baixo (30-50 MHz) e VHF alto (150-175 MHz). A Hallicrafters inicialmente reintroduziu alguns modelos pré-guerra com a faixa de VHF, da série “Civic Patrol”, que incluía modelos para VHF baixo, VHF alto e banda aérea. Tais receptores foram oferecidos até o início da década de 1960.

Na década de 1950 a Monitoradio introduziu a série “MR”, que incluiu os modelos MR-32, 33, 10 e DR-200, que era um equipamento avançado que captava tanto VHF alto como baixo em um único rádio. Também haviam versões cristalizadas de um único canal. A série “MR” passou por reestilizações entre 1955 e 1963, mas manteve os mesmos modelos, algo que causou certa confusão. O MR-10D, MR-33B e AR-136 foram seus últimos receptores de mesa.

 

 

Em meados da década de 1960 os transistores passaram a substituir as válvulas. Alguns nomes familiares desapareceram e deram lugar a outros como Radio Shack, Lafayette Radio, Ross, Standard, Sharp, Panasonic, Channel Master e outros. Várias empresas multinacionais apareceram pela primeira vez no mercado norteamericano naquele período. As séries Patrolman da Radio Shack e Guardian da Lafayette Radio ofereciam modelos portáteis com várias combinações de cobertura de VHF, UHF e ondas curtas, além das faixas de radiodifusão em AM e FM.

Nossa sociedade estava ficando cada vez mais móvel, graças em parte a campanhas publicitárias como “Veja os Estados Unidos em seu Chevrolet…” e novas e melhores estradas. Como resultado disso, a demanda de eletrônicos portáteis cresceu exponencialmente. A demanda era tamanha que poucos receptores de mesa foram produzidos em comparação com o número de portáteis. Obviamente existiram exceções e novamente os líderes foram a Radio Shack, Lafayette Radio e outros.

Com mercado em expansão e baixos custos de produção em outros países a concorrência acirrou-se. Novos nomes como Ross, Channel Master, Standard, Electrobrand, Sharp, Sanyo e Montgomery Ward passaram a fazer compania às tradicionais Sears, Sony e General Electric. Todos ofereciam um ou mais rádios para captação de serviços públicos. Alguns fabricantes como Sanyo e Hitachi produziram algums poucos modelos que eram vendidos em outros mercados com o nome escolhido pelo distribuidor.

 

Uma série notável de rádios que fez a transição entre receptores sintonizáveis e scanners foi fabricada pela General Electric. A linha “Searcher” incluiu ao menos três modelos que ofereciam 4 ou 6 memórias que podiam ser escaneadas. Um deles captava as faixas de VHF, UHF e as de radiodifusão em AM/FM.

Com o advento da leitura digital de frequência e scanners programáveis na década de 1970, tais receptores viraram itens de colecionador e ficaram na história. Houve um último suspiro desse tipo de rádio com o fabuloso Zenith Trans-Oceanic R-7000. Além de ser um excelente receptor de ondas curtas ele incluía a banda aérea e VHF alto, tendo excelente performance.

No caso de estações móveis haviam poucas opções no período pós-guerra. Receptores sobra de guerra como o BC-603 e 683 eram destinados originalmente a tanques e outros veículos do gênero, sendo impraticáveis para carros de passeio. Alguns radioamadores buscaram formas de adaptá-los ao uso móvel. Na década de 1950s a Monitoradio tinha a série “M” , que incluía receptores móveis como os modelos M-51 e M-101, que eram voltados a sistemas automotivos de 6 V, que eram o padrão da época. Em torno de 1956 a indústria automotiva adotou sistemas elétricos com alimentação por 12 V. Para acompanhar essa mudança os fabricantes de rádios modificaram seus equipamentos. A nova série “M” da Monitoradio tinha os modelos M-40 (VHF baixo) e M-160 (VHF alto). Houve planos para o modelo M-460 que captaria a faixa de VHF (450-470 MHz), mas apenas alguns poucos protótipos foram construídos antes da linha ser abandonada.

No fim da década de 1960 até o início da de 1970 a Lafayette Radio ainda oferecia receptores móveis sintonizáveis com seus equipamentos da faixa do cidadão da série “micro”.

Tinha um amigo da família que também gostava do nosso hobby. Ele era professor de Inglês e também trabalhava como fotógrafo para alguns jornais e tinha o incrível dom de chegar ao local antes de qualquer pessoa e conseguir as melhores fotos. Em algumas situações ele chegou inclusive antes dos socorristas, o que lhe rendeu o apelido de: “O fantasma”. Seu segredo era o monitoramento móvel com receptores de VHF/UHF. Por conta deste artigo reasolvi contactá-lo para saber quais equipamentos usava na época. A resposta que recebi veio na forma de um pacote de mais de 20 kg!

A estação móvel utilizada por ele entre 1959 e 1970 foi retirada do seu Chevy Belair 1957 quando vendeu o carro e então a armazenou na garagem. Quando ele contou a sua esposa sobre minha chamada, ela “sugeriu” que enviasse os rádios a mim e liberasse espaço na garagem. Muitos outros conjuntos semelhantes existiram naquela época…

Na figura acima há três receptores da Monitoradio. O verde é o protótipo do M-460 citado anteriormente. Após alguma limpeza e verificações com o ohmímetro apliquei gradualmente alimentação e todos os equipamentos funcionaram. Nada mal para rádios com mais de 50 anos! Tente isso no futuro com um iPhone… Em 1970, “O fantasma” adquiriu um Chevy Nova. Como ainda trabalhava como fotógrafo ele instalou no carro equipamentos mais modernos. Eles foram vendidos pela Lafayette Radio em conjunto com um rádio para a faixa do cidadão. Ao se aposentar ele os vendeu, mas tenho os mesmos equipamentos em minha coleção. Quanta diferença fazem 10 anos em matéria de tecnologia!

 

By the mid 1970s, scanners were affordable and compact enough for base or mobile use. Within a few short years most manufacturers had dropped these receivers from their product lines. The mass market retailers like Radio Shack, Lafayette Radio, and Sears continued to offer at least 1 or 2 models into the 1980s. Here are some vintage ads and catalogue pages.

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Então, o quê nós fazíamos antes dos scanners? Eis a resposta…

 

Artigo traduzido mediante autorização do autor. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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