Como identificar uma emissora

11 05 2014

Robert Hanstock

Identificar uma emissora pode ser uma experiência frustrante. Você apura os ouvidos naquele diante daquele sinal fraco e com ruídos, aproxima ainda mais os fones, quase fecha os olhos… e ele vem e vai enquanto você apenas tem uma ideia do idioma quando percebe que a identificação está por vir… e neste exato momento ela desaparece por completo… ou é completamente obstruída por uma estação potente e bem menos interessante com 500 kW. Tudo isso faz parte do desafio!

Estatisticamente falando, a probabilidade do sinal fraco ganhar força e tornar-se perfeitamente audível é a mesma, mas isso parece nunca acontecer! A imprevisibilidade da propagação às vezes trabalha a nosso favor, então o fato sinal estar fraco não quer dizer que assim continuará – é bastante provável que ganhe intensidade suficiente em algum momento para ao menos identificar o idioma ou até exatamente na hora da identificação!

Então, o que você pode fazer para tornar a tarefa de identificação das emissoras mais fácil?

Se você tiver uma ideia de qual emissora está ouvindo, verifique seus horários de transmissão e se estiver ocorrendo em uma frequência paralela isso pode ajudar bastante. Caso seu receptor possua VFO duplo, sintonize o primeiro em uma frequência e o segundo na outra. Alternando entre um e outro será possível certificar-se de qual emissora está sendo captada. Caso seu receptor não possua VFO duplo mas tenha memórias, você poderá usá-las da mesma forma. Melhor será se tiver dois receptores – sintonize cada um em uma frequência e caso seja o mesmo programa o áudio das duas fontes fará com que o som seja combinado. Esta técnica funciona muito bem mesmo se o sinal estiver fraco ou ruidoso.

Também é possível obter auxílio caso a emissora disponibilize o áudio pela internet. Ainda que o sinal digital sofra um atraso de alguns segundos em comparação com a transmissão analógica, esta é uma maneira bastante útil de verificar o conteúdo.

Embora o sinal esteja fraco, isso não que dizer que trata-se de uma emissora exótica, distante ou rara – ela pode apenas não ter como alvo a sua região ou você está na “zona de silêncio” entre onde a onda terrestre deixa de existir e o primeiro salto ocorre. Não raro passei por situações em que passei bastante tempo tentando identificar uma suposta emissora distante que revelou ser a Rádio Romênia Internacional para o extremo oriente ou, ainda mais embaraçoso, o Serviço Mundial da BBC!

Você também pode diminuir as possibilidades se tiver uma noção de diferenciação de idiomas. Exemplo: o som do Árabe é bastante diferente do Russo e este do Chinês, além das línguas africanas.Com experiência é possível ter uma ideia de como os diferentes idiomas soam e e como as identificações são faladas em cada caso.

Sinais de intervalo consistem de uma frase ou pequeno trecho musical repetido alguns minutos antes do início da programação com a finalidade de ajudar os ouvintes na sintonia da emissora. Sua origem certamente data do início das transmissões em ondas curtas, quando o processo de sintonia fina em equipamentos analógicos (suscetíveis a erro de paralaxe, entre outros) era muito mais complicado que hoje. Inclusive em edições mais antigas do WRTH as notas musicais de tais transmissões eram apresentadas – uma ideia bastante interessante se você tiver conhecimento. O site http://www.intervalsignals.net possui um excelente acervo – não apenas de de emissoras conhecidas (do passado e presente), como uma grande quantidade de jingles, identificações faladas e outros clipes, tudo compilado por Dave Kernick.

O WRTH é uma fonte bastante conhecida de informações sobre emissoras de rádio e TV de todo o mundo. Indispensável para qualquer Dexista sério, é uma fonte inestimável de informações para identificação de emissoras. Possui uma seção com boletins de programação de todas as emissoras de HF do mundo, com frequências, idiomas, potência e área de destino (estes dois últimos dados dão uma ideia de como uma emissora será captada em sua localidade), bem como outras informações e outra seção em ordem de frequência mostrando quais emissoras as ocupam. Então, com algumas emissoras possíveis, basta observar a grade horária e ter uma ideia de qual se trata. Há mudanças durante o ano, então o WRTH disponibiliza atualizações que podem ser baixadas em http://www.wrth.com.

Outras opções são os sites http://www.shortwave.info e http://www.shortwaveschedule.com. Basta inserir a frequência para saber quais emissoras a utilizam. O primeiro site lista as emissoras na frequência informada e tem uma opção de +/- 10 kHz, caso esteja usando um receptor analógico. Tais sites possuem informações adicionais como um mapa-mundi que mostra as regiões sob dia e noite e os boletins de programação de cada emissora; também é possível fazer busca por idioma. Tais fontes não são 100% confiáveis, mas as considero muito boas.

Não esqueça de consultar as edições recentes de Communication para saber as últimas notícias e informações. Há também excelentes páginas pessoais e sempre existe a chance de que alguém já tenha feito o trabalho árduo de identificar aquela estação obscura…

Há vários sites voltados ao público Dexista com notícias atualizadas. Você encontrará diversos links em http://www.bdxc.org.uk.

Usando a combinação desses métodos e recursos é possível identificar praticamente qualquer emissora, mas a paciência é a chave para os casos mais difíceis. Se ela desvanecer, não desista e permaneça na sintonia, pois há boas chances de que ela volte. Se isso não acontecer, tente novamente no dia seguinte no mesmo horário e se a propagação ajudar…

Artigo traduzido mediante autorização do British DX Club. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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