A antena ativa RF Systems DX-1 Pro

16 11 2013

John Plimmer

A primeira questão que vem à mente com relação a este artigo é: por quê escolher uma antena ativa ao invés de um modelo de fio? Usei antenas passivas com sucesso em toda a minha carreira Dexista – e passaram-se trinta anos até minha aposentadoria e mudança para a pequena cidade sulafricana de Montagu. Aqui tentei vários tipos de antenas do gênero com resultados decepcionantes. Em grande parte isso ocorreu por conta da rede elétrica da região.

Após isso adquiri uma K9AY da Wellbrook que após cuidadosa instalação e intensa troca de mensagens com o fabricante também teve resultado decepcionante. Andy Ikin, da Wellbrook, amavelmente aceitou a antena de volta e devolveu integralmente o dinheiro. Fiquei sem antena, exceto um modelo ativo antigo da Datong (AD270) que possibilitava a realização de algumas escutas.

Então comecei a buscar uma antena ativa mais moderna e com melhor rendimento e fiquei impressionado com a avaliação da RF Systems DX-1 Pro presente no WRTH de 1996. Pesquisei na web comentários sobre ela e finalmente Michael Schnitzer forneceu-me uma avaliação detalhada dela que me encorajou a comprar uma diretamente da Holanda.

Ela chegou e foi instalada em Outubro de 2000. Usando os comentários de outros usuários e seguindo as instruções da RF Systems instalei a DX-1 Pro em um mastro de cinco metros na lateral da casa. Ela ficou alta o suficiente para garantir que estivesse ao menos um metro acima da rede elétrica que bloqueou a recepção das antenas de fio.

Aterrar é preciso
No manual consta que o aterramento é particularmente importante, então dei bastante atenção a este ponto. Um aterramento bem feito garante tanto o “plano terra” da antena como tem importância na diminuição de efeitos do ruído elétrico. Também elimina a possibilidade de dano por estática, algo realmente importante na área em que resido devido a presença de ventos fortes e secos.

Antes de escolher o posicionamento definitivo caminhei com a Datong em um mastro, o que permitiu escolher cuidadosamente o local com menor incidência de ruído gerado pelos eletrodomésticos da minha casa e das TVs e parabólicas dos vizinhos.

Assim, ela ficou a trinta metros de distância da unidade de controle, instalada em meu shack. Para minimizar as perdas e garantir o mínimo de QRM usei coaxial RG213. Dois aterramentos foram usados, sendo o primeiro na base da antena e outro na unidade de controle. Obtive sucesso, pois não houve danos por estática ainda que por aqui os ventos secos e fortes sejam uma constante. A recepção foi obviamente ótima.

A parte principal da antena possui a aparência de uma batedeira e tem 1,25 metro de altura x 1,1 metro de largura. Possui conexões robustas com o mastro e tem condições de resistir a anos sob ventos fortes (de até 100 km/h) ou chuva.

A unidade de controle interna tem tamanho modesto e apenas dois controles – uma chave liga/desliga para atenuação de 55 dB da faixa de ondas médias e um atenuador acionado por chave rotativa. Tal controle permite a atenuação em até -40 dB em passos de 10 dB e amplificação de +6 dB. Há um LED para indicar que a unidade está ligada, mas não há chave liga/desliga, pois conforme informações da RF Systems a unidade é construída de acordo com especificações militares, tendo condições de ficar ligada continuamente. Há duas saídas UHF para receptores.

Quieta e sensível
3A antena é extremamente quieta, parecendo oferecer grande supressão de ruído elétrico e é ao mesmo tempo bastante sensível. Tem qualidade suficiente para captar sinais DX do mundo todo. Na prática nunca achei necessário usar os +6 dB de amplificação.

Devo ressaltar que meu QTH na pequena cidade de Montagu está longe de ser um bom local para DX, estando a 230 metros de altitude, mas é cercado por picos com 1400 metros da cadeia de Langeberg que tendem a bloquear sinais DX que chegam com ângulo baixo. Mas, quando raras aberturas ocorrem, a DX-1 Pro tem apresentado resultados comparáveis aos obtidos em DXpeditions costeiras em que conto com antenas Beverage de 300 metros.

Algumas captações feitas com a DX-1 Pro:
198 kHz, BBC Droitwich, Inglaterra, 9,800 km de distância;
1410 kHz, WKKP, Mcdonough/GA, EUA, 13190 km de distância – apenas 58 watt de potência;
1700 kHz, KVNS, Brownsville TX, USA, 14040 km de distância – 880 watt de potência;
4 MHz Faixa Tropical, RRI Fak Fak and Serui, 1 kW de potência, 12300 km de distância;
10,320 kHz, AFN Pearl Harbour, 3 kW de potência, 18640 km de distância;
28266,3 kHz, Pirttikoski, Finlândia, 20 watt de potência, 11000 km de distância
(a DX-1 Pro foi usada em conjunto com um receptor Drake R8B)

Ressalto que as captações acima são possíveis apenas com uma antena que seja sensível e extremamente silenciosa, que são as características da DX-1 Pro. Fico imaginando o que conseguiria captar com ela em uma localidade melhor.

Os colegas que visitam meu QTH podem observar o silêncio do sistema e sua incrível relação sinal/ruído.

A cobertura de frequências da DX-1 Pro vai de 20 kHz a 54 MHz. Possui excelente imunidade a espúrios ou intermodulação, sendo que até o momento não vi nenhum relato de problemas do gênero. O comportamento da recepção é omnidirecional.

Já tenho quatro anos de uso desta antena com excelentes resultados, e por esta razão a recomendo a qualquer Dexista sério. A ressalva é que ela deve ser instalada exatamente conforme as instruções da RF Systems – no sentido de mantê-la em um ponto mais alto que telhados e árvores próximas, bem como dar a devida atenção ao aterramento.

Quanto a confiabilidade dos componentes, após dois anos a chave giratória do atenuador apresentou problemas. A RF systems enviou outra sem custo e efetuei a substituição. Após outros quatro anos outro componente da unidade de controle apresentou problemas, provavelmente devido ao calor desértico de Montagu. A RF Systems não forneceu o diagrama esquemático para o reparo, mas ao invés disso recebi a placa completa, novamente sem custo.

Cara, mas com excelente rendimento
O Passport to World Band Radio disse na análise desta antena “que seu projeto desbalanceado faz dela suscetível a captar ruído elétrico”. Diferente disso, em minha ruidosa região notei que ela o suprime grandemente. Isso fica muito evidente ao compará-la com a Datong AD 270, que mostrou-se altamente ruidosa.

De acordo com a avaliação, a DX-1 Pro é muito cara e não compensa o valor. Não concordo com isso. Se eu quiser um charuto fino, precisarei pagar o valor extra por um cubano; se for um conhaque, um do tipo francês também custará mais. Ainda que cara, a DX-1 Pro é a que tem a melhor relação custo/benefício que já vi e seu rendimento é espetacular.

Também há excelentes opções, como a Wellbrook ALA-330 ou ALA-1530. Mas, para obter os mesmos resultados da DX-1 Pro você precisará montá-la em um rotor, pois as antenas da Wellbrook são direcionais. Isso a deixará empatada em termos de custo com a DX-1. Além disso, segundo vários relatos a DX-1 é mais robusta para montagem externa. Até hoje não vi relatos quanto a superioridade da antena da Wellbrook em comparação com a DX- 1 Pro.

A DX-1 Pro foi substituída pela DX-1 Pro MkII. O meu modelo foi fornecido pela Deltron Trading BV, da Holanda.

Artigo disponibilizado no site www.dxing.info e traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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