Tirando o máximo das transmissões aéreas em HF

7 07 2013

Ivan Dias Jr.

Você é daqueles que acha a escuta de transmissões aéreas em ondas curtas uma das facetas mais interessantes do Dexismo Utilitário mas que, por diversas razões normalmente não consegue extrair muita coisa quando está em frente ao rádio? Saiba que essa dificuldade existe para muitos de nós e a principal barreira é o idioma (normalmente Inglês) seguida pela rapidez nas transmissões e os ruídos que são parte do espectro de HF. O resultado é quase sempre um só: frustração, baixo aproveitamento e até mesmo desistência de uma área que pode render escutas muito interessantes e confirmações ainda melhores.

Por conta da sugestão do amigo Fabricio Silva decidi escrever este pequeno guia em que detalho algumas das técnicas que desenvolvi ao longo dos anos e posso garantir que com um pouco de esforço você fará crescer seu volume de logs incrivelmente.

Não detalharei informações de frequências pois elas podem ser encontradas facilmente neste blog. Acompanhar as escutas de outros Dexistas também pode ajudá-lo a saber quais as mais interessantes a serem ouvidas em sua região.

Comecemos com a questão dos “apelidos”. Sim, as empresas aéreas usam de pseudônimos quando da comunicação via rádio de forma a abreviá-la. Isso acontece pois não são todas as empresas que possuem nomes curtos como Gol, Tam, Varig, etc… Já pensou no tempo para pronunciar “South African Airways”? Usar nomes como “Springbok”, “Cactus”, “Condor” e “Speedbird” não torna tudo mais rápido? Ouçam o exemplo abaixo:

Neste exemplo a modulação e entonação da operadora da San Francisco Radio é sensacional. Dá claramente para ouvir que está mantendo contato com o voo “Alaska 836”. Porém, a qual empresa pertence tal apelido? Clique na figura abaixo e você será direcionado para o site da Federal Aviation Administration. Utilize a seção dois da página de acordo com a ordem alfabética do pseudônimo e na coluna “Telephony” você verá facilmente a qual empresa corresponde o “Alaska”.

F1Pelo menos a qual empresa pertence o voo você já tem certeza. Que tal verificar se não copiou de forma errada o número do voo? Ter a disposição a gravação da escuta e repetí-la ajuda muito, mas fica ainda melhor se você usar um site de rastreio de voos como o que será aberto ao clicar na figura abaixo:

Fique atento a voos com informações antigas demais. Um voo cujo registro de pouso foi há mais de um ano certamente indica algum erro da sua parte. Tenha uma gravação em mãos (ou ouvidos!) e repita à exaustão.

Infelizmente a maior parte dos casos não são tão simples assim. Ouça a gravação abaixo:

Dependendo do seu nível de experiência ou do seu ouvido você chegará a conclusão de que a New York Radio está mantendo contato com o voo de uma empresa desconhecida de número 1158. Nem tudo está perdido! Na comunicação em questão há a solicitação do “selcal check”. Não detalharei o que é isso pois é um tema já abordado em outra postagem. Durante o contato o selcal solicitado é o “BQEH”. Trata-se de uma pista de suma importância para chegar ao “dono” deste selcal. Clique na figura abaixo e você será direcionado para o site em que é possível fazer tal busca.

Este exemplo deu como resultado três operadores. Para estreitar sua busca, use o site de rastreio de voos informado no item anterior usando o nome das empresas e o número do voo. Você terá à sua disposição três “chutes” e em um deles certamente fará o gol. 🙂

Infelizmente há vários outros casos em que você poderá não ouvir a solicitação do selcal, mas simplesmente a sua transmissão propriamente dita. Neste caso não há nada a fazer além do uso de um software de decodificação. Eu uso há vários anos o Airnav Selcal Decoder, porém não levo em conta o resultado da sua decodificação pois apresenta muitos erros. Utilizo a guia “Spectrum” do software para ver quais são as letras assinaladas no espectrômetro. As figuras abaixo mostram como ele indica corretamente o BQ-EH do selcal tratado acima. As imagens são clicáveis para melhor visualização.

Creio que você provavelmente chegou a todas as informações possíveis sobre o voo em questão, certo? Com certa frequência também uso após saber a qual avião pertence um determinado selcal o site http://www.airliners.net/. Nele consigo ver, além de belas fotos, se o avião em questão tem registros atuais. Fotos muito antigas podem indicar que a “ave” possa estar fora de serviço e assim indicar um possível erro da sua parte em algum dos passos.

A decodificação por software exige cuidados com relação a ruídos do PC ou notebook. Não entrarei em detalhes pois é outro assunto que já foi tratado aqui. O uso do software também é muito simples. Basta instalar, ligar a saída de áudio do seu receptor à entrada de gravação do computador, ajustar o nível de áudio e começar a brincadeira.

Mais uma vez ressalto que o uso desta técnica com gravações das escutas implica em eficiência ainda maior.

Espero que este artigo faça com que você possa aproveitar o máximo desta vertente do nosso hobby. Com o tempo e experiência você poderá adaptá-la ou mesmo melhorá-la. Basta usar seu conteúdo e os resultados virão. E, se um dia você receber uma confirmação da Swiss Air com um legítimo chocolate suíço, não esqueça de mandar um pedaço para mim. 🙂

A publicação deste artigo em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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