VOR

7 01 2012

Alexis de Pontes Maldonado

VOR, abreviação de VHF Omnidirecional Radio – Rádio VHF Unidirecional, é um tipo de sistema de rádio navegação para aeronaves. Fazendo uma analogia à navegação náutica, tem função semelhante à dos faróis costeiros que sinalizam aos navios, demarcando pontos estratégicos. Só que neste caso, um rádio farol. A estação terrestre VOR transmite um sinal de rádio VHF composto, incluindo identificador da estação, sinal de voz (se equipado) e sinal de navegação. O identificador é normalmente uma seqüência de duas ou três letras em código Morse. O sinal de voz, se usado, é geralmente o nome da estação, em avisos gravados ou transmissões ao vivo de serviço de vôo. O sinal de navegação quando captado permite que o equipamento de bordo determine a variação magnética da estação para com a aeronave (pela posição da estação de VOR em relação ao Norte magnético da Terra). Assim, os pilotos e o equipamento de navegação embarcado podem ajustar, ponto a ponto, a rota a ser seguida. Estações de VOR instaladas em áreas de insegurança magnética, ou seja, regiões em as bússolas não são confiáveis, são orientados com relação ao Norte Verdadeiro. Essas linhas de posição formadas são chamadas de “radiais” do VOR. A interseção de duas radiais de diferentes estações VOR em um gráfico fornece a posição da aeronave.

Em tempos em que o GPS nem sequer era imaginado, essa era a forma mais segura de se navegar.

Desenvolvido a partir do anterior sistema Visual-Aural Range (VAR), o VOR foi projetado para fornecer 360 cursos de e para a estação, selecionáveis pelo piloto. Transmissores de válvulas com antenas giradas mecanicamente foram amplamente instalados na década de 1950, e começaram a ser substituídos totalmente por unidades de estado sólido no início de 1960.

Uma rede mundial de “air ways” baseada em pontos em terra, conhecido nos EUA como Victor Airways (abaixo de 18000 pés) e “Jetways” (acima de 18000 pés), foi criada ligando os VORs. Uma aeronave pode seguir um caminho específico de estação para estação por meio do ajuste das estações sucessivas no receptor VOR e, depois, seguindo o curso desejado em um Indicador Rádio Magnético, ou colocando-a em Course Deviation Indicator (CDI) ou um indicador de situação horizontal (HSI, uma versão mais sofisticada do indicador de VOR) e mantendo um curso centrado no visor do instrumento.

Atualmente, devido aos avanços da tecnologia, muitos aeroportos estão substituindo as abordagens VOR e NDB pelo RNAV (GPS) nos procedimentos de aproximação. No entanto, o receptor e os custos de atualização de dados ainda são significativos o suficiente para as aeronaves da aviação geral de pequeno porte, assim muitos ainda não estão equipados com um GPS certificado para navegação primária ou aproximação.

Sinais VOR fornecem confiabilidade e precisão consideravelmente maiores do que NDBs, devido a uma combinação de fatores. O rádio VHF é menos vulnerável a difração (curso de reflexão) em torno de características do terreno e da orla costeira e sofre menos interferência de trovoadas.

Os sinais VOR oferecem uma precisão aproximada de 90 metros, em posição calculada a partir de um par de faróis VOR, em comparação com a precisão de Sistema de Posicionamento Global (GPS), que é de menos de 13 metros. Em VORs repetitivos, a precisão é de 23 metros. Os sinais VOR se originam de estações terrestres fixas, geralmente abaixo da aeronave, muitas vezes em locais de desembarque. Reflexão de baixo ângulo de incidência do solo e as nuvens acima aumentam a força do sinal. Sinais de baixa frequência (30 Hz) sofrem menos distorção de tempo causada pela reflexão. Estações VOR fixas em relação às instalações de pouso são utilizáveis para abordagens sem a necessidade dos pré-cálculos trigonométricos do banco de dados da RNAV (Area Navigation), sistema de regras para navegação por instrumentos, necessária para GPS.

Estações VOR têm de confiar na “linha de visão”, porque eles operam na banda VHF e se a antena de transmissão não pode ser vista em um dia perfeitamente claro a partir da antena de recepção, um sinal decente pode não ser recebido. Isso limita a gama de atuação do VOR para o horizonte ou mais perto, se houver intervenção de montanhas.

Embora os modernos equipamentos de transmissão requerem muito menos manutenção do que as unidades mais antigas, uma extensa rede de estações, necessárias para fornecer uma cobertura razoável ao longo das principais rotas aéreas, é um custo significativo na operação dos sistemas dessas vias atuais. Assim, podemos prever que esse sistema será gradualmente substituído pelo GPS, mais precisos e que não necessitam de estações em terra, que geram custo de operação e manutenção. Bom para o progresso da navegação, um pouco triste para os rádio-escutas que gostam de captar esses sinais.

Em minha cidade, Sorocaba/SP, temos uma estação VOR, localizada num distrito afastado da área urbana, e também uma estação NDB, junto ao aeroporto local. O NDB, que operava em 350 kHz, já está “mudo” há pelo menos um ano e talvez nem volte a operar, pois já está em andamento um plano da Aeronáutica para desativação gradual de todos os NDBs do país. Possivelmente, venha a acontecer também com os VORs.

O VOR local opera em 115,200 MHz, transmitindo a identificação SCB em modo CW e faz parte de uma das principais rotas aéreas dos aeroportos de Guarulhos e Congonhas. Os vôos com destino aos EUA, por exemplo, passam por sobre ele diariamente, durante a subida, utilizando-o como referência para início da curva rumo ao Norte. Recentemente estive no local, mas talvez por ser um final de semana, infelizmente não havia ninguém que pudesse me receber. Uma pena… A antena fica no topo de uma colina, com uma vista muito ampla e bonita. Aproveitei para ligar o receptor e sintonizar a frequência; o sinal estava alto e claro como nunca! (também, aos pés da antena…). Mesmo que um dia venha a ser desativado, fiz os devidos registros. Planejo retornar lá num dia de semana para tentar contato com a pessoa responsável pela operação.

Imagem de satélite e coordenadas da estação podem ser vistas aqui:

http://wikimapia.org/#lat=-23.5069265&lon=-47.3779768&z=18&l=9&m=b

Boa sorte e boas escutas!

Artigo disponibilizado mediante autorização do autor. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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