O R-390A – Mais que um item de colecionador?

23 10 2011

Bjarne Mjelde

Durante toda a minha “vida Dexista” quis um receptor valvulado. Fora alguns rápidos encontros que incluíram os receptores domésticos Radionette Kurér em 1972 e o Redifon R50M em 1978 sempre fui um “Dexista do estado sólido”.

Conheci Dallas Lankford há vários anos. Em sua opinião, o R-390A é um dos ou o melhor receptor já fabricado, especialmente com relação à sensibilidade, seletividade e resposta à espúrios. O desejo de tê-lo foi amadurecendo ao longo dos anos, mas além dos elogios, Dallas não deixou de me alertar: comprar um R-390A em más condições tornaria meu sonho um terrível pesadelo. Então nunca consegui tomar uma decisão quanto a adquirí-lo.

Na primavera de 2004 um amigo me informou que um radioamador da região tinha um à venda. E não era apenas um antigo R-390A: era um EAC, modelo 1967 do R-390A, da sua última série.

Então, na Páscoa de 2004 dirigi 520 km até a cidade de Alta, Noruega, para ver o equipamento. Estava em excelentes condições. Fora pequenas marcas nos knobs era muito difícil encontrar qualquer evidência maior de uso do equipamento. Nenhuma modificação parece ter sido feita e estava funcionando perfeitamente. Não havia como deixar de fechar negócio e voltei com meu VW Golf 50 kg mais pesado (um gabinete estava incluído).

Quando instalei o receptor em meu shack em Kongsfjord pude verificar sua excelente sensibilidade, mas logo depois ele deixou de funcionar e tive que me esforçar para encontrar a causa do defeito. Graças à Dallas consegui substituir a válvula defeituosa assim como as demais, bem como as ferramentas necessárias para executar tal trabalho.

Descobri também que mesmo após o aquecimento havia uma diferença de 4,5 kHz na leitura de frequência de um final de faixa para outra.  Seu alinhamento era simples, mas levou bastante tempo, principalmente devido ao longo tempo de aquecimento necessário e minha falta de treino. Feito isso e após a substituição de algumas válvulas, meu R-390A passou a ter precisão de leitura de frequência de cerca de 150-200 Hz em toda a faixa, ou seja, está dentro de suas melhores especificações.

Não tenho ferramentas para medição da sua sensibilidade, mas me disseram ser de cerca de 0,5 μV para 6 kHz em AM com 30% de modulação. Meu NRD-525 possui entre 0,4 e 0,45 μV com os mesmos parâmetros. Testando ambos com sinal no/ou acima dos níveis de ruído durante condições geomagnéticas calmas pude verificar que o R-390A realmente chega a tais especificações, talvez mais. Ele parece ser levemente mais sensível que o NRD-525, talvez por possuir um nível de ruído interno inferior.

Tudo isso significa que o R-390A é melhor que o NRD-525? Não necessariamente. Ele não possui algumas funções existentes em receptores modernos como “passband tuning”, modo ECSS ou filtro “notch”. Os filtros mecânicos de 2/4/8/16 kHz (não cito os filtros a cristal mais estreitos neste artigo, uma vez que o Dexismo de emissoras em AM com eles é impossível) são pouco flexíveis para escuta em condições de faixa congestionada. O filtro de 4 kHz é ótimo para DX, mas um tanto largo caso exista congestionamento, especialmente se você não puder usar ECSS. O filtro de 2 kHz também é ótimo, mas um tanto estreito. O filtro de 8 kHz funciona de forma comparável a um de 10 kHz, sendo irrelevante para propósitos de captações DX. O mesmo vale para o de 16 kHz.

Conclusão: Em seu estado original ele não pode competir com receptores como o NRD-525 e muitos outros equipamentos modernos em condições de faixa congestionada. Então, o quê fazer? Modificar a seção de FI. O processo é descrito em meu artigo “R390A SSB Filters I & II”. Após Dallas ter efetuado tal modificação ele passou a contar com larguras de -3, +3, 4 e 6 kHz nas posições dos filtros originais de 2, 4, 8 e 16 kHz respectivamente. Os filtros podem ter outros valores conforme a sua preferência. Preferi ter um filtro relativamente largo (6 kHz) para frequências com pouca ou nenhuma interferência, um intermediário (4 kHz) para situações de moderada interferência e relativamente estreito para LSB e USB (-3 e + 3 kHz) para frequências em que a interferência esteja a 1 ou 2 kHz.

Dallas também fez outras modificações, mas esta foi a mais importante para fazer do R-390A uma verdadeira máquina DX. Ter a possibilidade de selecionar a banda lateral superior ou inferior em situações de interferência fez com a necessidade do “passband tuning” ser um pouco menor.

A qualidade de áudio também é uma área a ser melhorada. Também há em meu site um artigo sobre melhoramentos na seção de áudiofrequência. Ainda que os componentes sejam de aquisição relativamente simples e a modificação não seja das mais complexas, ainda não a fiz. Enquanto isso estou usando o Sherwood SE3-AMSD na saída de frequência intermediária de 455 kHz do R-390A. A distorção de áudio foi reduzida de um nível incômodo para imperceptível e a qualidade final é muito boa. Entretanto, o SE-3 não faz com que eu possa ouvir emissoras que não poderia sem ele. Será interessante ver a diferença na qualidade de áudio após efetuar a modificação citada.

Heteródinos ainda são um problema. A maior parte dos equipamentos de comunicações modernos possuem filtros “notch” que funcionam entre o nível adequado (NRD-525) ao soberbo (IC-746Pro). Há vários filtros externos disponíveis como o Datong FL2/FL3, o JPS-NF-60 e os caros produtos da Timewave. Um problema comum deles é que a largura de áudio é muito estreita, tipicamente entre 200 e 3500 Hz, ou menos. Ao usar uma largura de banda larga como a de 6 kHz há um comprometimento da qualidade de áudio muito grande. Então, sob a presença de heterodinagem você pode tanto sintonizar um pouco distante dele (isso funciona ocasionalmente) ou investir em um equipamento de alta-fidelidade como o Behringer DSP1124P Feedback Eliminator. Talvez seja possível instalar um filtro de construção caseira na etapa de áudio.

Outro fator importante para a qualidade de áudio é o correto casamento de impedância para o autofalante externo ou fones de ouvido. Ambos possuem saídas de 600 ohms. Autofalantes ou fones de ouvido de baixa impedância não funcionarão bem a menos que seja usado um transformador de 600 para 4 ou 8 ohms. Encontrei um transformador de áudio da Hammond certa vez por US$ 18 que funcionou perfeitamente.

Atualização – Agosto de 2005
Sensibilidade:
A sensibilidade é realmente muito boa. Há algum tempo medi seus valores em todas as faixas do receptor. Os valores em Ondas Médias eram na maior parte do tempo no nível de -113 dBm, ou 0,5 μV. Os valores em Ondas Curtas variaram entre -113 dBm e -109 dBm (6 kHz em AM, 30% de modulação).

Qualidade de áudio:
Efetuei as modificações na etapa de audiofrequência. Houve uma melhora substancial, mas não apenas isso. Também conectei um filtro de áudio ELPAF projetado por Dallas Lankford. O áudio proveniente do transformador 4:600 ohms foi levado ao filtro que possui duas posições – alto e baixo. Em larguras de banda maiores, especialmente 6 kHz, mas também 4 kHz, a qualidade de áudio melhorou significativamente e a distorção associada ao desvanecimento do sinal desapareceu. Ao usar o Sherwood SE-3 para obter um comparativo com o ELPAF tal melhoramento não foi notado.

Meu EAC R-390A não é capaz apenas de captar emissoras realmente fracas, mas as apresenta com qualidade de áudio superior.

Artigo disponibilizado no site www.kongsfjord.no e traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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