Retornando ao básico

16 01 2011

Steve Whitt

Neste artigo farei um breve comentário sobre o que é necessário para que alguém possa ser um DXista de Ondas Médias e como começar nesse hobby.

Primeiramente é importante notar que o DXista de Ondas Médias pode começar suas escutas com um equipamento bem barato e simples; qualquer receptor doméstico pode captar a faixa de Ondas Médias e facilmente pode-se ouvir entre 50 a 100 estações diferentes numa noite usando somente a antena interna. No entanto, é melhor usar um receptor doméstico de melhor qualidade ou um bom receptor do carro para iniciar no hobby; com esse equipamento, várias estações da Europa e Norte da África poderão ser ouvidas.

Se as condições forem favoráveis e você ouvir no momento correto, várias estações da América do Norte também poderão ser ouvidas. Sendo assim, você poderá ter uma idéia de como é o DX em Ondas Médias antes que invista em um receptor mais sofisticado e caro. Se você já for um praticante de DX em Ondas Curtas, a única coisa necessária é mudar de faixa para começar a ouvir Ondas Médias.

De fato muitos DXistas de Ondas Curtas tendem a esquecer que seus receptores também captam sinais de Ondas Médias e que suas antenas externas também podem ser usadas na captação de sinais distantes de tal faixa. Para os ouvintes de Ondas Curtas que já se cansaram das estações potentes e fáceis de serem ouvidas, um novo desafio pode ser encontrado nas Ondas Médias.

Dia e noite

É possível fazer DX em Ondas Médias 24 horas por dia (desde que você não precise dormir), mas a faixa tem duas “personalidades” distintas dependendo do horário.

Durante o dia sinais de rádio de Ondas Médias são absorvidos nas camadas mais baixas da ionosfera e somente “ondas terrestres” são propagadas. Esses sinais são enviados do transmissor assim como ondulações num lago e permitem recepção de localidades distantes até 500 km. Esse é o horário ideal para se ouvir estações locais de baixa potência no Reino Unido já que poucos sinais de longa distância são ouvidos dessa forma e a interferência é mínima.

À noite a ionosfera tende a refletir ao invés de absorver os sinais de Ondas Médias. Dessa forma, a energia irradiada do transmissor para cima é refletida para baixo numa localidade longe do transmissor. É possível que sinais transmitidos à noite viagem milhares de quilômetros sem uma absorção considerável na ionosfera. Esse mecanismo permite que sinais de longa distância sejam ouvidos com uma intensidade de sinal relativamente boa.

Com certeza você notará que sinais noturnos que se propagam por meio da reflexão ionosférica trarão centenas de emissoras potentes Européias que preencherão todo o dial do seu receptor. Sendo assim, como será possível fazer DX de sinais fracos ?

Ao longo dos anos as organizações de radiodifusão mundial entraram num acordo com um plano de organização para a faixa de Ondas Médias que requer que todas as estações transmitindo numa determinada área operem em frequências fixas. Esse plano foi feito de uma forma que minimiza o grau de interferência que afetaria o ouvinte.

Felizmente, para o DXista os acordos internacionais não são perfeitos e como resultado esquemas diferentes são utilizados nas diversas regiões do globo; a maioria das estações Européias, Africanas e Asiáticas usam canais com separação de 9 kHz enquanto nas Américas (Norte e Sul) os canais são separados por 10 kHz. Isso significa que entre duas emissoras européias é possível ouvir emissoras do outro lado do Atlântico. Por exemplo:

1008 kHz (112 x 9 kHz) – NOS Hilversum, Holanda
1010 kHz (101 x 10 kHz) – WINS Nova York, USA
1017 kHz (113 x 9 kHz) – SWF Baden Baden, Alemanha

Esse exemplo em particular ilustra também a importância de se conhecer os horários de transmissão das emissoras.

Embora a recepção da WINS seja tecnicamente possível desde que tanto Nova York como o Reino Unido estejam sob a noite, o sinal da NOS é bastante forte e causará interferência. No entanto, a NOS desliga seus transmissores à noite e sabendo isso você poderá sintonizar 1010 kHz logo após a meia noite. Se as condições de propagação são boas, (ela varia de hora a hora e dia a dia), então você provavelmente ouvirá WINS de Nova York. Se você ainda não ouviu sua primeira emissora norteamericana, a WINS é uma estação razoavelmente fácil de ser captada. Se você ouvir uma emissora transmitindo noticias e bate papo preste atenção no slogan “Dê-nos 20 minutos e nós lhe daremos o mundo”.

Cartões QSL

Essas três letras talvez sejam um tanto misteriosas para o iniciante, então o que elas significam? Vamos supor que você acabou de ouvir a Rádio Fiji em seu radio de bolso. Como você vai convencer seus colegas que não estava apenas sonhando? Não seria bom ter algum material da emissora confirmando que realmente a ouviu? Bem, é exatamente aí em que os cartões QSL aparecem. Um cartão QSL normalmente é um cartão postal (embora ele também possa ser apresentado na forma de uma carta, certificado ou cartão dobrado) enviado a um ouvinte por uma emissora confirmando que a recepção realmente ocorreu.

Para receber o cartão QSL de uma emissora você precisa fazer várias coisas, mas lembre-se que primeiro deve ouví-la e então tentar convencer o pessoal dela realmente a ouviu. Normalmente um cartão QSL é obtido ao enviar um relatório de recepção dando detalhes das condições de recepção e da programação ouvida como prova da recepção. Obviamente é necessário dizer quando a ouviu (datas e horários precisam estar em GMT/UTC ou no horário local da emissora).

Historicamente o cartão QSL nasceu quando as emissoras se baseavam nos relatórios de recepção dos ouvintes para determinar a sua área de cobertura. De fato as letras “Q-S-L” são baseadas no “código Q” dos radioamadores e tem como origem os primórdios do rádio. Hoje em dia, no entanto, muitas emissoras usam relatórios de estações de profissionais de monitoramento, obtendo assim informações melhores e mais precisas sobre sua área de cobertura. Consequentemente, o cartão QSL sobrevive basicamente como um serviço do ponto de vista da estação.

Além disso, existe uma diferença bem grande na política de confirmações das emissoras internacionais de Ondas Curtas que normalmente enviam cartões QSL para manter contato com os ouvintes e medir o tamanho de sua audiência e as estações locais de Ondas Médias que são ouvidas fora de sua área de cobertura. Na melhor das hipóteses uma emissora local de Ondas Médias tratará um relatório de recepção proveniente do exterior como algo curioso e enviará um cartão QSL a titulo de relações públicas.  Na pior das hipóteses, uma emissora com número limitado de funcionários e baixo orçamento pode considerar um relatório de recepção como uma perda de tempo.

Considerando tais informações, é essencial que os DXistas de Ondas Médias sigam certas regras simples quando enviam relatórios de recepção para essas emissoras. Primeiramente gostaria de sugerir uma carta pessoal (ao invés de um formulário parcialmente preenchido) destinado ao engenheiro ou gerente juntamente com detalhes das condições de recepção (o sinal estava forte? alguma interferência?) e uma lista de detalhes da programação provando que você realmente ouviu a emissora (“música” e “bate-papo” não são suficientes). Esses são os requerimentos básicos.

Além disso, faça um pedido educado – não uma exigência – de um cartão QSL ou carta de confirmação da recepção. Lembre-se que a maioria das emissoras de Ondas Médias são mantidas localmente e têm recursos limitados. É aconselhável escrever no próprio idioma da emissora (ou pelo menos o idioma usado na programação ouvida) e incluir retorno pago na forma de Coupons de Resposta Internacional – IRC – disponíveis nas agências dos Correios ou enviar selos novos do país em questão. Na maioria das vezes, uma nota de dólar americano (bem escondida no envelope) é uma boa forma de pagar pelo retorno postal. Isso é normalmente aceito na maioria dos países.

Tais procedimentos podem parecer complicados, mas se você seguir esses passos não somente receberá mais QSL’s para a sua coleção como também ajudará a manter um bom relacionamento entre as emissoras e a comunidade DX em geral.

Mantendo um caderno de logs

Finalmente nós daremos uma olhada em como manter um caderno de logs. A medida em que você começar a girar o dial de seu receptor certamente ouvirá vários tipos de emissoras e programas. A não ser que tenha uma memória excelente será necessário ter um caderno para poder registrar suas escutas.

Um caderno de log’s pode ser feito de diversas formas, mas é basicamente um registro cronológico de suas escutas e como as ouviu. O tipo de informação que vale a pena ser registrada inclui o material que um DXista gostaria de incluir num relatório de recepção para a emissora como condições de recepção, detalhes da programação ouvida e qualquer outro tipo de comentário que venha à mente. Além disso, o horário e data em formato GMT bem como a frequência precisam ser anotadas com precisão.

O ponto mais complicado de se avaliar é a qualidade dos sinais recebidos. Os rádio-ouvintes e rádioamadores utilizam diversos esquemas para poder representar a qualidade do sinal ainda que os métodos empregados sem um tanto subjetivos. Qualquer que seja o método utilizado é necessário informar a qualidade da recepção para que se possa fazer uma comparação sob diversas condições de propagação. Um dos métodos mais utilizados e compreendidos é conhecido como código SINPO.

Mantendo um caderno de logs não somente ajudará o DXista a escrever um relatório de recepção para as emissoras mas também poderá ser útil quando o Dexista desejar enviar alguns dos logs para as colunas DX Loggings ou Eurolog do Medium Wave News.

Artigo traduzido mediante autorização do Medium Wave Circle. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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