Propagação Ionosférica

21 08 2010

Steve Whitt

A maioria dos ouvintes de ondas médias sabe que a recepção de sinais de longa distância é possível normalmente durante a noite por conta da propagação ionosférica. Ela é bastante variável em seu comportamento, resultando em grandes mudanças na intensidade do sinal recebido. Essa imprevisibilidade é um problema para o engenheiro da emissora ao tentar planejar sua área de cobertura, mas um grande benefício para quem está tentando ouvir aquela estação rara. Embora seja difícil dizer com certeza quão forte um sinal será recebido em um determinado horário, há algumas regras bastante válidas:

Frequência: Durante os horários de nascer e pôr-do-sol, a intensidade dos sinais recebidos por propagação ionosférica são muito dependentes da frequência. Por exemplo, sinais em 1530kHz serão em média 15db mais fortes que os de uma estação em 700kHz – assumindo que ambas emissoras transmitam com a mesma potência. Entretanto, cerca de duas horas após o anoitecer a diferença de intensidade cai para a faixa de 3-5db e por volta da meia-noite essa dependência em qualquer frequência é praticamente nula.

Latitude: Este parâmetro é provavelmente o que mais influencia a intensidade do sinal recebido por propagação ionosférica. A intensidade diminui com o aumento da latitude geomagnética, mas infelizmente neste caso não há muito que o Dexista possa fazer com relação a este fator a não ser emigrar!

Atividade solar e magnética: A maior atividade solar reduz a intensidade dos sinais em ondas médias durante a noite e isso é claramente evidente se comparado com as captações feitas durante o período mínimo de manchas solares. Além disso, as tempestades magnéticas causam uma absorção nos sinais bastante significativa particularmente durante os primeiros cinco a dez dias imediatamente após o seu início. A absorção aumenta com o incremento da frequência e nas latitudes maiores. A absorção de um sinal na faixa de 1500 kHz da ordem de 30db ou mais é bastante comum como resultado dessas tempestades.

Estação do ano: Nas latitudes mais baixas (como a região do Caribe) há pequena variação sazonal na intensidade dos sinais durante a noite, mas na Europa os sinais captados por propagação ionosférica são normalmente mais fracos durante o verão e mais fortes na primavera e inverno, com uma variação na faixa de 6-10db. No inverno, a propagação ionosférica durante o dia mostra certa melhora, particularmente nas latitudes médias e altas onde a diferença dos sinais diurnos e noturnos é menor que 25db. Em média, os sinais por propagação ionosférica ao meio-dia são cerca de 45db mais fracos que à meia-noite.

Probabilidade: Apesar das regras acima, ainda é possível que os sinais sejam ocasionalmente mais fortes ou fracos que o esperado mesmo que tais condições prevaleçam. Evidentemente interessa ao Dexista saber quando e como tais condições serão favoráveis. Infelizmente é muito difícil dizer quando, mas alguns acreditam ser possível calcular com qual frequência sinais com boa intensidade podem ser captados. Em um ano de baixa atividade solar (1986-87-88, por exemplo) foi percebido que durante cerca de 1% do tempo a intensidade dos sinais excedeu o valor médio esperado em cerca de 10-15db. Isso sugere que verdadeiros DX podem ser ouvidos em média apenas 3-4 dias por ano!

Artigo traduzido mediante autorização do Medium Wave Circle. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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