Rádio Canção Nova Nossa Senhora da Luz

28 07 2014

A emissora de nome grande já foi sintonizada várias vezes na região e inclusive foi motivo de um post que tive que eliminar por conta de problemas com o servidor em que estava hospedado o áudio. Está de volta, e dessa vez é para ficar!

Curitiba/PR dista 252 km de Guareí, local quem que foi sintonizada a Rádio Canção Nova Nossa Senhora da Luz na frequência de 1370 kHz conforme áudio abaixo:





O que fazíamos antes dos scanners?

26 07 2014

Craig Leventhal (com auxílio técnico de Andrew Leventhal)

Lembro-me de quando garoto de ter visto a palavra “POLICE” no extremo superior do dial, acima dos 1600 khz, em um rádio de ondas médias na casa dos meus tios. Soube que a polícia transmitia boletins de ocorrências de maneira a manter a população informada. Essa foi minha introdução no mundo das comunicações e esse rádio está em minha casa até hoje.

O Country Belle em minha parede. As comunicações policiais podiam ser captadas acima dos 1600 kHz.

Sempre que passo por ele penso em como os hobbystas faziam antes da existência de scanners modernos. Não preciso ir além do meu porão para chegar a uma resposta, pois sou colecionador de equipamentos de comunicação antigos há vários anos.

Alguns rádios pré-guerra da Hallicrafters como os S28-S36-S37 captavam de 540 kHz  a 210 MHz. O equipamento da foto acima possibilitava a recepção em FM até 50 MHz.

Após a II Guerra Mundial e antes da popularização da televisão, o rádio era o principal meio de comunicação de massa, portanto faz sentido que a polícia o tenha utilizado para disseminar informações de emergência. Conforme a tecnologia progrediu em meados da década de 1950, a maior parte dos departamentos de polícia migrou para as faixas de VHF e UHF e passou a usar o FM ao invés do AM. A superioridade do FM em comparação com o AM era conhecida nos Estados Unidos desde antes da guerra e ficaram comprovadas com o seu curso. No pós-guerra haviam poucos receptores de VHF disponíveis e muitos deles eram unidades usadas como os BC603/683. Alguns fabricantes fizeram reedições ou atualizaram projetos da época dando novos nomes. Outros tinham unidades em desenvolvimento que foram barradas pos restrições do governos quando os Estados Unidos entraram no conflito. Vários protótipos foram cancelados por medo de que caíssem em mãos inimigas. Um deles foi o Hallicrafters S-27C, que cobria várias faixas até 210 MHz em AM, FM e CW.

 

Conforme a indústria norteamericana voltou a atender o público civil, os radioamadores puderam voltar ao ar. Foram criadas novas faixas radioamadorísticas como as de 50-54 MHz (6 metros), 144-148 MHz (2 metros), 430-450 MHz (70 cm). Isso também significou que eles poderiam construir e experimentar equipamentos nessas novas faixas.

O potencial do uso comercial das faixas de de VHF e UHF não passou despercebido pelos fabricantes que estavam ansiosos para voltar a produzir equipamentos para o público civil. Algumas como a Hallicrafters e EF Johnson passaram a produzir equipamentos de rádio para uso comercial e radioamadorístico.

Então, qual seria o conjunto de equipamentos de uma estação de monitoramento de um hobbista? E um conjunto móvel? Começarei com a estação doméstica. Na época, se você tivesse uma quantia considerável à disposição era possível adquirir equipamentos muito bons. A maioria comprava apenas sobras de guerra com com um ou dois receptores mais modernos. Por conta da importância das ondas curtas na época, era natural que um bom receptor para esta faixa estivesse em qualquer shack. Receptores como o BC-342, BC-348, BC-224, BC-652, TCS e outros podiam ser adquiridos por menos de $10 em lojas especializadas em sobras de guerra. Para a faixa de VHF eram comuns os BC-603 e BC-683, que captavam dos 20 aos 39 MHz.

No início da década de 1950 a produção em massa de receptores de VHF para uso doméstico e automotivo ganhou força. Exemplos incluem a série Monitoradio (Regency) AR que cobria a banda aérea (108-136 MHz), VHF baixo (30-50 MHz) e VHF alto (150-175 MHz). A Hallicrafters inicialmente reintroduziu alguns modelos pré-guerra com a faixa de VHF, da série “Civic Patrol”, que incluía modelos para VHF baixo, VHF alto e banda aérea. Tais receptores foram oferecidos até o início da década de 1960.

Na década de 1950 a Monitoradio introduziu a série “MR”, que incluiu os modelos MR-32, 33, 10 e DR-200, que era um equipamento avançado que captava tanto VHF alto como baixo em um único rádio. Também haviam versões cristalizadas de um único canal. A série “MR” passou por reestilizações entre 1955 e 1963, mas manteve os mesmos modelos, algo que causou certa confusão. O MR-10D, MR-33B e AR-136 foram seus últimos receptores de mesa.

 

 

Em meados da década de 1960 os transistores passaram a substituir as válvulas. Alguns nomes familiares desapareceram e deram lugar a outros como Radio Shack, Lafayette Radio, Ross, Standard, Sharp, Panasonic, Channel Master e outros. Várias empresas multinacionais apareceram pela primeira vez no mercado norteamericano naquele período. As séries Patrolman da Radio Shack e Guardian da Lafayette Radio ofereciam modelos portáteis com várias combinações de cobertura de VHF, UHF e ondas curtas, além das faixas de radiodifusão em AM e FM.

Nossa sociedade estava ficando cada vez mais móvel, graças em parte a campanhas publicitárias como “Veja os Estados Unidos em seu Chevrolet…” e novas e melhores estradas. Como resultado disso, a demanda de eletrônicos portáteis cresceu exponencialmente. A demanda era tamanha que poucos receptores de mesa foram produzidos em comparação com o número de portáteis. Obviamente existiram exceções e novamente os líderes foram a Radio Shack, Lafayette Radio e outros.

Com mercado em expansão e baixos custos de produção em outros países a concorrência acirrou-se. Novos nomes como Ross, Channel Master, Standard, Electrobrand, Sharp, Sanyo e Montgomery Ward passaram a fazer compania às tradicionais Sears, Sony e General Electric. Todos ofereciam um ou mais rádios para captação de serviços públicos. Alguns fabricantes como Sanyo e Hitachi produziram algums poucos modelos que eram vendidos em outros mercados com o nome escolhido pelo distribuidor.

 

Uma série notável de rádios que fez a transição entre receptores sintonizáveis e scanners foi fabricada pela General Electric. A linha “Searcher” incluiu ao menos três modelos que ofereciam 4 ou 6 memórias que podiam ser escaneadas. Um deles captava as faixas de VHF, UHF e as de radiodifusão em AM/FM.

Com o advento da leitura digital de frequência e scanners programáveis na década de 1970, tais receptores viraram itens de colecionador e ficaram na história. Houve um último suspiro desse tipo de rádio com o fabuloso Zenith Trans-Oceanic R-7000. Além de ser um excelente receptor de ondas curtas ele incluía a banda aérea e VHF alto, tendo excelente performance.

No caso de estações móveis haviam poucas opções no período pós-guerra. Receptores sobra de guerra como o BC-603 e 683 eram destinados originalmente a tanques e outros veículos do gênero, sendo impraticáveis para carros de passeio. Alguns radioamadores buscaram formas de adaptá-los ao uso móvel. Na década de 1950s a Monitoradio tinha a série “M” , que incluía receptores móveis como os modelos M-51 e M-101, que eram voltados a sistemas automotivos de 6 V, que eram o padrão da época. Em torno de 1956 a indústria automotiva adotou sistemas elétricos com alimentação por 12 V. Para acompanhar essa mudança os fabricantes de rádios modificaram seus equipamentos. A nova série “M” da Monitoradio tinha os modelos M-40 (VHF baixo) e M-160 (VHF alto). Houve planos para o modelo M-460 que captaria a faixa de VHF (450-470 MHz), mas apenas alguns poucos protótipos foram construídos antes da linha ser abandonada.

No fim da década de 1960 até o início da de 1970 a Lafayette Radio ainda oferecia receptores móveis sintonizáveis com seus equipamentos da faixa do cidadão da série “micro”.

Tinha um amigo da família que também gostava do nosso hobby. Ele era professor de Inglês e também trabalhava como fotógrafo para alguns jornais e tinha o incrível dom de chegar ao local antes de qualquer pessoa e conseguir as melhores fotos. Em algumas situações ele chegou inclusive antes dos socorristas, o que lhe rendeu o apelido de: “O fantasma”. Seu segredo era o monitoramento móvel com receptores de VHF/UHF. Por conta deste artigo reasolvi contactá-lo para saber quais equipamentos usava na época. A resposta que recebi veio na forma de um pacote de mais de 20 kg!

A estação móvel utilizada por ele entre 1959 e 1970 foi retirada do seu Chevy Belair 1957 quando vendeu o carro e então a armazenou na garagem. Quando ele contou a sua esposa sobre minha chamada, ela “sugeriu” que enviasse os rádios a mim e liberasse espaço na garagem. Muitos outros conjuntos semelhantes existiram naquela época…

Na figura acima há três receptores da Monitoradio. O verde é o protótipo do M-460 citado anteriormente. Após alguma limpeza e verificações com o ohmímetro apliquei gradualmente alimentação e todos os equipamentos funcionaram. Nada mal para rádios com mais de 50 anos! Tente isso no futuro com um iPhone… Em 1970, “O fantasma” adquiriu um Chevy Nova. Como ainda trabalhava como fotógrafo ele instalou no carro equipamentos mais modernos. Eles foram vendidos pela Lafayette Radio em conjunto com um rádio para a faixa do cidadão. Ao se aposentar ele os vendeu, mas tenho os mesmos equipamentos em minha coleção. Quanta diferença fazem 10 anos em matéria de tecnologia!

 

By the mid 1970s, scanners were affordable and compact enough for base or mobile use. Within a few short years most manufacturers had dropped these receivers from their product lines. The mass market retailers like Radio Shack, Lafayette Radio, and Sears continued to offer at least 1 or 2 models into the 1980s. Here are some vintage ads and catalogue pages.

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Então, o quê nós fazíamos antes dos scanners? Eis a resposta…

 

Artigo traduzido mediante autorização do autor. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.





Rádio Gazeta

24 07 2014

A emissora paulistana tem um histórico de bom relacionamento com os Dexistas que vem de longa data. Transmitir em mais de uma frequência (fora ondas médias e até FM) era algo muito comum como pode ser visto na confirmação abaixo:

Rádio Gazeta

Rádio Gazeta





Rádio Luzes da Ribalta

22 07 2014

De todas as gravações de identificações que extraí do conteúdo registrado em Guareí, esta foi a que apresentou a identificação mais bonita e completa.Talvez seja a melhor de todas as que apresentei aqui até hoje. A expectativa quanto retorno do informe de recepção é igualmente grande.

Guareí dista 104 km de Guareí, local em que foi efetuada a escuta da Rádio Luzes da Ribalta na frequência de 1360 kHz conforme áudio abaixo:





Dexismo na República Democrática da Alemanha

20 07 2014

Eckhard Röscher

Nasci na República Democrática da Alemanha (DDR) em 1957 e neste artigo gostaria de compartilhar as dificuldades de praticar o Dexismo durante a era comunista.

Comecei no hobby em 1972, quando tinha 15 anos. Na época eu colecionava cartões postais de todo o mundo. Um amigo tinha alguns cartões e eu queria trocar com ele. Ele me perguntou se tinha cartões QSL…

Eu nunca tinha ouvido falar sobre isso e fiquei curioso. Ele então mostrou-me alguns da Rádio Netherland, Voz do Vietnã, Rádio Bulgária, etc. Imediatamente fiquei interessado em como obtê-los. Ele então passou seu conhecimento quanto ao feitio de informes de recepção, código SINPO, etc.

Meus pais tinham um receptor valvulado antigo modelo “Stradivari 3”. Ele tinha três faixas, com ondas curtas de 49 a 16 metros. Com ele tentei minhas primeiras captações, primeiramente em Alemão e depois em Inglês. Após algumas semanas recebi meu primeiro cartão QSL – da Rádio Bulgária. Depois vieram outros cartões, da Rádio Polônia, Rádio Áustria, Rádio Canadá, Rádio Moscou, etc.

Foi um início muito divertido. Infelizmente era muito difícil obter informações sobre o hobby. Não haviam clubes ou boletins. A única chance era ouvir programas do gênero ou em trocas de ideias com meu amigo. Pouco depois ele abandonou o hobby, então minha única opção passou a ser os programas DX. Da Rádio Suécia eu recebia a versão impressa do programa “Sweden calling DX-ers”. Durante esse período eu também recebia cartas da aduana informando que haviam confiscado cartas da Rádio Suécia. Essa era outra dificuldade para a prática do Dexismo na Alemanha Oriental.

Durante tais programas ouvi várias informações sobre emissoras em ondas tropicais. Infelizmente não era possível captá-las com meu receptor. Também não era possível adquirir um rádio com tal faixa na loja do governo. No começo da década de 1980 alguns rádios portáteis de fabricação russa foram disponibilizados, mas eles nao eram muito bons. Por isso a dificuldade de recepção nessa faixa era muito grande.

Em 1972 eu também ouvia a programação da famosa estação pirata Radio Nordsee International. Na época foi a primeira e única emissora do gênero captada por mim. No início da década de 1980 captei a Radio Nolan International, estação pirata da Holanda. Depois disso captei outras emissoras piratas nas faixas de 48 e 41 metros. Enviei vários informes de recepção, mas o problema era o custeio de retorno. A Alemanha Oriental era país membro da União Postal Internacional, mas não era possível comprar IRCs nos correios do país. Minha única opção era enviar selos do meu país ou postais. Em muitos casos não obtive resposta aos meus informes.

Em 1985 um funcionário do serviço secreto (Stasi) me “visitou”. Na época eu tinha encerrado meus estudos e trabalhava como engenheiro em uma empresa local. Antes da visita ele ligou e perguntou quando poderíamos nos encontrar, pois pretendia me oferecer um emprego em minha antiga universidade.

A propósito, esse tipo de convite não era comum, principalmente após vários anos longe da universidade. Por essa razão fiquei desconfiado. No encontro ele perguntou quais eram minhas preferências no Dexismo. A impressão que tive é que ele já tinha conhecimento sobre o hobby.

Outra pergunta foi se eu costumava ouvir os programas da Rádio Canadá Internacional. Eu disse que que sim. A razão é que o nosso povo tinha permissão para passar as férias em Cuba, e o voo para lá tinha uma escala no Canadá. Isso abria uma possibilidade de dizer “adeus” aos comunistas.

Até a queda do regime comunista eu não tive sequer ideia do que o homem da “Stasi” queria. Decidi ver o que os documentos oficiais falavam ao meu respeito quando os arquivos foram abertos. Primeiramente tive de provar que estava vivo. Depois de verificarem meu passaporte e carimbá-lo fiz a solicitação a “Comisão Federal para os Registros do Serviço de Segurança de Estado da Antiga Alemanha Oriental”.

Após mais de dois anos recebi uma carta informando que poderia ver os meus documentos da Stasi. Encontrei mais de 100 páginas sobre mim. Eram cópias de meus informes de recepção e cartas de emissoras. O arquivo era mais organizado que meus registros! Em 1985 recebi um cartão QSL da Voz da América via Embaixada Americana em Berlin Ocidental. Isso levou a um membro da aduana perguntar à Stasi o que devia acontecer comigo.

Outra razão pela qual quis consultar meus documentos era a de buscar confirmações. Como tal material não estava no mesmo lugar eu teria que aguardar outros dois anos. Não tentei isso novamente.

Em 1993 comprei um receptor “Satellit 700” da Grundig e uma nova era começou para mim. Agora eu posso ouvir ondas tropicais, tenho condições de enviar custeio de retorno e a maior parte das cartas enviadas a mim chegam normalmente.

Esta é minha pequena história repleta de dificuldades para a prática do Dexismo na era comunista.

Eckhard Röscher em seu shack ouvindo ondas tropicais em seu “Satellit 700″ em 1999.

Artigo traduzido mediante autorização do Danish Shortwave Club International. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.





KGEI

18 07 2014

‘”La voz de la amistad” – esse foi um slogan que muitos ouvintes de ondas curtas acompanharam durante a década de 1990 ou bem antes. A emissora tem uma história bastante rica nas ondas curtas e a flâmula que disponibilizo aqui é bastante bonita.

KGEI





Rádio Clube de Dourados

16 07 2014

Embora não saiba nada sobre seu status atual na faixa de 90 metros, sei que os últimos relatos de escuta desta emissora foram feitos por Dexistas do Hemisfério Norte. Curioso notar a ausência de captações dela na América do Sul.

Rádio Clube de Dourados

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